quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Cúpula nacional do PSDB não deve intervir no Paraná


O deputado Affonso Camargo (PSDB): Dilma terá palanque no PR com ou sem Osmar Dias (foto: Jonas Oliveira)

Missão de presidente da legenda, Sérgio Guerra, será evitar que escolha acabe em racha por parte de preterido

Por Abraão Benício
No Bem Paraná


A cúpula nacional do PSDB não deve interferir na disputa entre o prefeito de Curitiba, Beto Richa e o senador Álvaro Dias para representar o partido na disputa pelo governo do Paraná nas eleições de outubro. Embora tenham interesse direto na definição, os caciques do Diretório Nacional preferem deixar que os tucanos nativos cheguem à um entendimento, evitando assim um racha local.
A tendência é que a participação do presidente da legenda, senador Sérgio Guerra (PE), no processo se limite a uma conversa com Alvaro Dias. De acordo com fontes do primeiro escalão do partido no Paraná, o pernambucano teria a missão de convencer o colega de Senado a abrir mão da candidatura, já que, na opinião da maioria das lideranças locais – entre elas membros do Diretório Estadual e parlamentares - Richa hoje é a melhor alternativa.
Guerra, que está em viagem ao exterior, retorna ao país no sábado e deve retomar as tratativas nos Estados a partir da próxima semana, em busca de acordos que possam fortalecer a candidatura presidencial do governador de São Paulo, José Serra, que é a prioridade dos tucanos nas eleições deste ano. “Imagino que ele (Guerra) deve vir ao Paraná antes do dia 1º, quando retomamos as sessões no Senado. Não gosto da ideia de intervenção nacional. Acho que há outros meios de chegarmos a uma conclusão. É preciso fazer uma análise inteligente do quadro eleitoral. Defendo que o candidato seja escolhido pelo desempenho nas pesquisas, mas já estou um pouco isolado nesta minha tese”, reconhece Alvaro Dias.
Palanque — A intervenção nacional seria a última cartada de Dias para evitar que prevaleça a preferência dos caciques locais pela candidatura de Richa. O principal argumento do senador tucano é de que sua candidatura teria o potencial para barrar a do irmão – senador Osmar Dias (PDT) – o que deixaria o PT isolado no Estado, sem um palanque forte para a candidatura presidencial da ministra Dilma Roussef no Paraná.
Mas, na interpretação do secretário-geral do PSDB no Estado, deputado federal Affonso Camargo, o fato do pedetista disputar a eleição já não faz mais diferença. “A Dilma não ficará sem palanque no Paraná. Se não fechar com o senador Osmar Dias, o PT lança a Gleisi candidata. Afinal, ela já teve boa votação na disputa por cadeira no Senado em 2006. Além disso, será um palanque com duas mulheres”, analisa Camargo, em referência a possível candidatura da presidente do PT/PR, Gleisi Hoffmann.
Decisão — Reunida na última segunda-feira, a Comissão Executiva Estadual do PSDB decidiu adiar, até o próximo dia 8, o anúncio do candidato ao governo do Paraná. Os dois pré-candidatos têm até esta data para chegarem a um acordo. Caso isso não ocorra, a disputa será resolvida através do voto dos 45 membros do Diretório Estadual.
Na bolsa de apostas tucana, estima-se que o prefeito Beto Richa tenha o apoio de mais de 40 membros do Diretório – formado em sua maioria por deputados estaduais. O grupo do prefeito controla a maioria da direção partidária. “Sempre achei que a Executiva não tinha força para tomar esta decisão. Quem deve fazer a indicação para a convenção é o Diretório”, completa Affonso Camargo.

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