quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Almoço de Guido, Delfim e Belluzzo

POR PAULO MOREIRA LEITE TER, 16/02/10
na Época

Era possível ouvir os primeiros sons de pandeiro e cuica, no início da tarde de sexta-feira, quando o ministro Guido Mantega reuniu dois convivados para um almoço, em São Paulo. Um dos presentes era Antonio Delfim Netto, que foi ministro do milagre economico do regime militar e hoje é uma das vozes mais ouvidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O outro era o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, que teve um papel ativo no Plano Cruzado e também integra o grupo de economistas que Lula gosta de consultar.

O encontro ocorreu no Gero, da família Fasano, onde funciona uma das melhores cozinhas italianas do país. O cardápio foi economia. Como assunto principal, os três falaram sobre a crise da Grécia e sua repercussão sobre as demais economias da Europa. Outro assunto foi a alta do dolar e sua pressão sobre o real.

No capítulo grego, cada um fez sua análise mas todos chegaram a uma
conclusão comum. A dificuldade da Grécia, avaliaram, não diz respeito apenas a situação de sua economia, em si, mas à dificuldade que o país enfrenta para receber o socorro fiscal de seus parceiros da União Européia. Isso porque os governos europeus foram capazes de criar uma moeda comum — o euro — mas não colocaram de pé um sistema fiscal comum — o que transforma cada ação de socorro a um país em dificuldade numa operação especialmente delicada.

Por esse motivo, quando é necessário aprovar um plano de ajuda, o continente inteiro enfrenta dificuldades suplementares.

Se a Grécia foi o assunto principal, o horizonte do Brasil foi o prato de sobremesa.

Guido, Delfim e Belluzzo nunca foram admiradores de um real forte em relação ao dólar, e acreditam que a alta recente da moeda americana pode ser benéfica ao país, na medida em que protege a industria, ajuda a criar empregos e melhora o balanço de pagamentos. Embora considerem que o patamar atual das reservas, na casa de US$ 240 bilhões de dólares, represente uma boa proteção contra turbulências externas, eles concluiram que o governo deverá assumir um papel mais ativo na administração do cambio, para evitar surpresas desagradáveis.

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