quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Aos 88 anos, morre o general Ivan de Souza Mendes


Aos 88 anos de idade, morreu por volta das 7h desta quinta-feira (18/2), o general Ivan de Souza Mendes. Último ministro-chefe do Serviço Nacional de Informações, o general Ivan teve papel preponderante na transição do regime militar para a volta dos civis ao poder. Ele ocupava o alto Comando do Exército e foi um dos personagens que conteve a tentação do então ministro do Exército, Walter Pires, que pretendia engajar as Forças Armadas na candidatura Paulo Maluf. No governo Sarney, seu papel foi o de esvaziar o outrora temido SNI, promovendo a operação de desmonte da máquina de bisbilhotagem em que se transformara o órgão.

Mendes foi hospitalizado na última quinta-feira na casa de Saúde Santa Lúcia. O diagnóstico, provável causa da morte, foi uma infecção em decorrência de perfuração no intestino. Nos últimos anos, ele enfrentara problemas de hidrocefalia e de próstata. O general completaria seu 88º aniversário na próxima terça-feira, dia 23.

Ele deixa a viúva Maria Stella, as filhas Márcia, Sônia e Leila; nove netos e duas bisnetas. A família atenderá seu desejo de ser cremado, o que deve ocorrer no Cemitério do Caju, na cidade do Rio de Janeiro. O velório, contudo, deverá acontecer no Cemitério João Batista.

Em sua última entrevista, dada à revista Consultor Jurídico, quando o governo Lula enfrentava seus piores índices de popularidade com a eclosão do episódio do “mensalão”, Ivan de Souza Mendes contrariou a voz corrente e elogiou a administração petista, ressalvando que a novidade não era o troca-troca da política, mas o fato de a barganha vir a público (Clique aqui para ler a entrevista).

Durante a entrevista, publicada em outubro de 2006, o general disse não se surpreender com escândalos como o do mensalão. “Essas coisas que estão ocorrendo aí são terríveis, mas elas sempre existiram. Políticos envolvidos com dinheiro sempre houve. É quase a mesma coisa que havia lá atrás, por baixo dos panos. Acho que agora aparece mais, mas o Congresso sempre foi mais ou menos assim”, disse.

Esse tipo de comportamento se explica, segundo ele, com o imediatismo do político que quer sobreviver na política: “Paga o preço que for preciso”. Para o general, assim como para grande parte da população brasileira, não era possível o presidente Lula não ter conhecimento do mensalão.




no Consultor Juritico

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