
OO afoxé Filhos de Gandhy fundado por estivadores portuários da cidade no dia 18 de fevereiro de 1949 afoxé Filhos de Gandhy fundado por estivadores portuários da cidade no dia 18 de fevereiro de 1949
Ceci Alves De Salvador (BA)
É no clima de folia que assola Salvador e o resto do Estado durante uma semana (!) de Carnaval, contada a partir de ontem, que questões de identidade e cultura parecem aflorar, como sementes em um solo extremamante fértil. O slogan do Carnaval soteropolitano, "O coração do mundo bate aqui", por exemplo, suscita a lembrança da visita do sociólogo e filósofo francês Edgard Morin à Bahia em julho do ano passado. Na ocasião, ele se referiu à Bahia como "o coração vivo da cultura brasileira" (em entrevista a esta colunista que vos fala no Caderno 2 do Jornal A Tarde, 13 jul. 2009).
Frase de efeito que, ao ser destrinchada, revela várias camadas de um pensamento sobre cultura, identidade e referências a um dos assuntos mais caros a este pensador, que é a globalização e os rumos que ela dá às culturais locais e mundiais.
Camadas que desvestem conceitos como "glocal" - que ele mesmo traz à baila ao declarar: "A globalização tende a destruir as culturas frágeis, que não podem resistir, mas fortifica as que encontram em si mesmo sua força" -, que problematizam qual a relação entre a nova ordem mundial e a identidade e como a cultura pode servir de argamassa ou pá de cal entre esses elementos.
Ao referir-se à globalização, Morin deixa evidente que tal fenômeno tem uma carga política indissociável, que propõe uma divisão das relações humanas em lugar de fala do indivíduo e protagonismo/submissão regional, conceitos que embalam a ideia de cultura desde a sua gênese.Leia na ÍNTEGRA no TERRA MAGAZINE
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