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democracia vive seu momento mais crítico desde a Guerra Fria, diz o especialista em relações internacionais Humphrey Hawksley, comentarista da rede britânica BBC. Em Democracy Kills: What"s So Good About the Vote? ("A Democracia Mata: O que há de tão bom sobre o voto?", em tradução livre), lançado em outubro e ainda indisponível no Brasil, ele faz uma compilação surpreendente das ameaças ao processo democrático.
Entre elas, o poderio econômico da China, a influência cada vez maior de países como Paquistão e Irã no perigoso jogo das relações internacionais e o fracasso dos EUA no Iraque e Afeganistão. Isso não significa que a população desses países não quer democracia. Só não está convencida de suas vantagens. Para afegãos e iraquianos, o sistema não trouxe melhor qualidade de vida. Ao contrário, intensificou a violência e a pobreza, enquanto os chineses enriquecem sob o regime autocrático de Pequim e a mão pesada do Exército Popular.
Há exemplos em que o resultado do processo eleitoral não é reconhecido pelo Ocidente, como nos territórios palestinos. "O mundo vê isso e pergunta: os EUA defendem a democracia, mas desde que vença quem eles querem no poder?" Se até as eleições diretas, alicerce da democracia, estão em xeque, o que resta ao sistema? Em entrevista ao Estado, por telefone, Hawksley tenta responder à questão que deixou em aberto em seu livro.
A democracia está em risco?
Em países com instituições fracas - Legislativo, Judiciário, Ministério Público -, ela é um risco em si. Governos altamente corruptos manipulam o sistema em favor de interesses próprios, como no Congo. E não está funcionando em muitos lugares, como no Iraque. A população acaba buscando alternativas. Isso é muito comum quando as pessoas se veem colocadas em perigo pela democracia. No Afeganistão, vivia-se sob um regime autoritário, mas se seu vilarejo é bombardeado, oficiais corruptos roubam sua casa, sua mulher é estuprada, você vai preferir a volta do Taleban.
Mas a culpa é da democracia? Leia na ÍNTEGRA no estadão.com.br
Entre elas, o poderio econômico da China, a influência cada vez maior de países como Paquistão e Irã no perigoso jogo das relações internacionais e o fracasso dos EUA no Iraque e Afeganistão. Isso não significa que a população desses países não quer democracia. Só não está convencida de suas vantagens. Para afegãos e iraquianos, o sistema não trouxe melhor qualidade de vida. Ao contrário, intensificou a violência e a pobreza, enquanto os chineses enriquecem sob o regime autocrático de Pequim e a mão pesada do Exército Popular.
Há exemplos em que o resultado do processo eleitoral não é reconhecido pelo Ocidente, como nos territórios palestinos. "O mundo vê isso e pergunta: os EUA defendem a democracia, mas desde que vença quem eles querem no poder?" Se até as eleições diretas, alicerce da democracia, estão em xeque, o que resta ao sistema? Em entrevista ao Estado, por telefone, Hawksley tenta responder à questão que deixou em aberto em seu livro.
A democracia está em risco?
Em países com instituições fracas - Legislativo, Judiciário, Ministério Público -, ela é um risco em si. Governos altamente corruptos manipulam o sistema em favor de interesses próprios, como no Congo. E não está funcionando em muitos lugares, como no Iraque. A população acaba buscando alternativas. Isso é muito comum quando as pessoas se veem colocadas em perigo pela democracia. No Afeganistão, vivia-se sob um regime autoritário, mas se seu vilarejo é bombardeado, oficiais corruptos roubam sua casa, sua mulher é estuprada, você vai preferir a volta do Taleban.
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