Sanções contra Teerã 'são o único caminho', dizem Gates e Sarkozy
JAMIL CHADE, AP E REUTERS, PARIS
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, pediram ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que adote "duras sanções" contra o Irã. O pedido é uma resposta à decisão tomada no domingo pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de enriquecer seu próprio urânio, sem enviar o material ao exterior para que seja processado. O Ocidente teme que Teerã obtenha a capacidade de produzir uma bomba nuclear.
"Infelizmente, este é o momento de adotar duras sanções com a esperança de retomar o diálogo" com o Irã, disse, em comunicado, o governo francês, logo após uma reunião de mais de uma hora entre Gates e Sarkozy, em Paris.
Apesar de viver sob embargo há quase 30 anos, Teerã anunciou ontem que começará a produzir baterias antiaéreas, aviões não-tripulados e novos radares. Teerã também anunciou que caminha para a autossuficiência em termos de defesa antiaérea. O recado é que o regime tem sua capacidade militar intacta e estaria preparado para responder a um ataque.
Ontem, em Viena, o governo do Irã confirmou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que começará a enriquecer urânio a 20%. Segundo o representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, o combustível seria enviado para a região central do país. Além do enriquecimento de urânio, Teerã planeja construir dez usinas nucleares no próximo ano.
"Convidamos os inspetores da AIEA a estar presentes no local do enriquecimento", afirmou Soltanieh à rede de TV Al Alam. Segundo ele, por mais de oito meses o Irã indicou que precisava de combustível. Ele ainda destacou que a negociação não progrediu nos últimos quatro meses com o Ocidente. O embaixador garante que o Irã continua querendo negociar. Mas a opção pelo enriquecimento foi tomada após o impasse nas conversações com o sexteto (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha).
Pela proposta da AIEA, Teerã exportaria seu urânio enriquecido a 3% para que fosse processado a 20% na Rússia e França. O combustível alimentaria o reator nuclear usado para pesquisas médicas. Mas o uso militar seria proibido. No entanto, não houve acordo.
Na Europa, o anúncio do Irã foi considerado como uma mensagem de que Teerã perdeu a paciência e não dependerá de países estrangeiros para obter o combustível. Diversas autoridades no Irã insistiram nos últimos dias que ainda estariam dispostas a rever a ideia se receberem do exterior urânio enriquecido a 20% imediatamente.
SANÇÕES
Americanos e europeus, temem que o processo de enriquecimento anunciado pelo Irã seja mais um passo na direção da autossuficiência em produção de material bélico nuclear. Neste caso, o urânio teria de ser enriquecido a 90%.
ENDURECIMENTO
Tanto a Casa Branca quanto o Palácio do Eliseu optaram por endurecer o discurso. O governo americano indicou que não resta outra alternativa a não ser novas sanções. Gates pediu à comunidade internacional que adote "novas ações". Já a França chamou a medida iraniana de "chantagem". Leia na ÍNTEGRA no estadão.com.br
JAMIL CHADE, AP E REUTERS, PARIS
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, pediram ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que adote "duras sanções" contra o Irã. O pedido é uma resposta à decisão tomada no domingo pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de enriquecer seu próprio urânio, sem enviar o material ao exterior para que seja processado. O Ocidente teme que Teerã obtenha a capacidade de produzir uma bomba nuclear.
"Infelizmente, este é o momento de adotar duras sanções com a esperança de retomar o diálogo" com o Irã, disse, em comunicado, o governo francês, logo após uma reunião de mais de uma hora entre Gates e Sarkozy, em Paris.
Apesar de viver sob embargo há quase 30 anos, Teerã anunciou ontem que começará a produzir baterias antiaéreas, aviões não-tripulados e novos radares. Teerã também anunciou que caminha para a autossuficiência em termos de defesa antiaérea. O recado é que o regime tem sua capacidade militar intacta e estaria preparado para responder a um ataque.
Ontem, em Viena, o governo do Irã confirmou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que começará a enriquecer urânio a 20%. Segundo o representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, o combustível seria enviado para a região central do país. Além do enriquecimento de urânio, Teerã planeja construir dez usinas nucleares no próximo ano.
"Convidamos os inspetores da AIEA a estar presentes no local do enriquecimento", afirmou Soltanieh à rede de TV Al Alam. Segundo ele, por mais de oito meses o Irã indicou que precisava de combustível. Ele ainda destacou que a negociação não progrediu nos últimos quatro meses com o Ocidente. O embaixador garante que o Irã continua querendo negociar. Mas a opção pelo enriquecimento foi tomada após o impasse nas conversações com o sexteto (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha).
Pela proposta da AIEA, Teerã exportaria seu urânio enriquecido a 3% para que fosse processado a 20% na Rússia e França. O combustível alimentaria o reator nuclear usado para pesquisas médicas. Mas o uso militar seria proibido. No entanto, não houve acordo.
Na Europa, o anúncio do Irã foi considerado como uma mensagem de que Teerã perdeu a paciência e não dependerá de países estrangeiros para obter o combustível. Diversas autoridades no Irã insistiram nos últimos dias que ainda estariam dispostas a rever a ideia se receberem do exterior urânio enriquecido a 20% imediatamente.
SANÇÕES
Americanos e europeus, temem que o processo de enriquecimento anunciado pelo Irã seja mais um passo na direção da autossuficiência em produção de material bélico nuclear. Neste caso, o urânio teria de ser enriquecido a 90%.
ENDURECIMENTO
Tanto a Casa Branca quanto o Palácio do Eliseu optaram por endurecer o discurso. O governo americano indicou que não resta outra alternativa a não ser novas sanções. Gates pediu à comunidade internacional que adote "novas ações". Já a França chamou a medida iraniana de "chantagem". Leia na ÍNTEGRA no estadão.com.br
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