da Folha Online
Após afirmar que irá avançar no enriquecimento do urânio, o Irã anunciou que planeja construir dez novas usinas de enriquecimento de urânio durante o próximo ano iraniano, segundo Ali Akbar Salehi, um dos responsáveis pelo programa nuclear iraniano, na noite de ontem.
O Irã já havia anunciado a construção das novas instalações em novembro, porém não havia especificado a data. O ano iraniano começa no dia 21 de março.
O país comunicou hoje oficialmente a AIEA (organização nuclear da ONU) que começará a enriquecer urânio a 20% a partir de amanhã (8). A notícia já havia sido antecipada ontem por Salehi em pronunciamento ao canal de TV estatal iraniano em língua árabe Al Alam.
Analistas ouvidos pela agência Reuters manifestaram ceticismo em relação a construção das novas usinas, já que o Irã tem problemas na obtenção de materiais e componentes no exterior devido às sanções e por isso não seria capaz de instalar e explorar as 10 novas usinas.
Tensão*
Neste domingo (7), o presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciou que deve avançar no enriquecimento de urânio, o que levou a uma imediata elevação da pressão internacional sobre o país.
O anúncio do Irã elevou a tensão na sua disputa com o Ocidente, mas Ahmadinejad disse que as negociações ainda eram possíveis em relação à possível oferta de troca nuclear feita pelas potências mundiais.
O secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse que a resposta do Irã, um grande exportador de petróleo que diz que seu programa nuclear visa principalmente a produzir eletricidade, não bombas, foi muito decepcionante.
"Se a comunidade internacional permanecer unida e fizer pressão sobre o governo iraniano, eu acredito que ainda há tempo para que e sanções e pressões funcionem", disse ele em uma entrevista coletiva durante uma visita à Itália.
Há um consenso internacional para evitar "mais dificuldades do que for absolutamente necessário" para o povo iraniano, disse Gates.
A Alemanha também citou a ameaça de sanções, enquanto o reino Unido disse que os novos planos do Irã violam resoluções da ONU.
A AIEA, agência nuclear da ONU, vem trabalhando em um acordo para diminuir as tensões internacionais sobre o programa nuclear iraniano. Em outubro, a ONU propôs que Teerã exportasse seu urânio pouco enriquecido para a Rússia e a França, que iriam devolvê-lo um ano mais tarde, como barras de combustível mais enriquecido, que poderia ser utilizado para alimentar o reator nuclear de pesquisa, mas não poderia ser mais refinado para fazer material bélico.
Ao anunciar que o Irã enriquecerá o combustível por conta própria, Ahmadinejad perece ter rejeitado o acordo, o mesmo que ele parecia aprovar na semana passada.
O Irã quer enriquecer seu estoque de urânio para 20%, acima dos atuais 3,5%, para alimentar um reator de pesquisa para produzir isótopos médicos. Mas a comunidade internacional exigiu a suspensão de todas as atividades de enriquecimento, pois o mesmo processo é usado para produzir grau de material bélico, suscetível de utilização em bombas.
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