quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ivan Lessa: A droga da internet

Da BBC Brasil
no estadão.com.br

Colunista da BBC Brasil - Há uns bons 20 anos era mais difícil reconhecê-los. Ou quase impossível. Os mais observadores, entre os quais me incluo, notavam quando no metrô, seus olhos parados brilhando só para dentro de si mesmos como estrelas insólitas. Pelas ruas, não tinham o passo trôpego dos bêbados, mas o cauteloso daqueles que, em algum ponto de suas vidas, perderam o caminho, o destino, tudo.

"Pobres diabos!", exclamávamos. Não ousávamos, no entanto, chegar perto nem mesmo para oferecer uns trocados para o chá com biscoitos que nunca viriam a se concretizar. Seguíamos em frente algo deprimidos enquanto eles voltavam a trilhar as sendas que só eles sabem trilhar.

Hoje, a sociedade, cada vez mais informada, tem mais dados sobre eles. Não que tenham resolvido o problema humano. Conseguiram, ao menos, diagnosticar melhor, aprender a reconhecer, reunir os dados que, talvez, possam vir a ajudá-los a deixar o vício - em muitos casos os vícios malditos.

Como sempre, são os jovens que se encontram mais em perigo. Os viciados (ou adictos, feito a sociedade prefere batizá-los, como para não se ofender, nem a si própria nem a ninguém), os adictos, então, corrigindo minha empostação politicamente incorreta, estão naquela faixa danada de perigosa dos 24 anos.

Foi o que nos revelou um estudo recentemente divulgado pela publicação especializada Psychopathology ("Psicopatologia", traduzo com a propriedade de quem tem mais de 24 anos). No artigo, que não são mais que umas 15 páginas, podemos catar as seguintes informações, que, nestes dias multiglobais, podem ser úteis a todos, de Londres a Londrina.

Fato 1: ficar muito tempo online pode deixar as pessoas deprimidas. Com ênfase nos jovens de 24 anos, conforme já se disse.

Fato 2: dos sítios frequentados pelos citados jovens, os vulgarmente chamados de "interação social" são os que mais perigos oferecem. Isto, evidentemente, se passarem a substituir as interações tradicionais, tipo papai-mamãe e semelhantes.

Fato 3: "A internet é como uma droga para muitas pessoas: acalma-as, mantém-nas como que anestesiadas e indiferentes às realidades da vida real", isso segundo a pesquisadora, senhora doutora Catriona Morrison, da Universidade de Leeds. Leia na ÍNTEGRA no estadão.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário