quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Planalto inclui investimentos na prevenção de enchentes nas obras do PAC 2


Estação de metrô do Anhangabaú, na capital paulista inundada: ideia dos petistas é enfatizar que o PSDB não resolveu problemas como esse em 15 anos de gestão

Daniela Lima
Daniel Brito
No Correio Braziliense

Intenção do governo é minar a pré-candidatura do governador de São Paulo, José Serra

O governo usará os transtornos provocados pelas chuvas como trunfo na campanha eleitoral. Por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será incluída no chamado PAC 2, a ser lançado em março, uma previsão de novos investimentos na prevenção de enchentes. A ideia é usar o palanque oficial a fim de minar a pré-candidatura presidencial do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Fustigá-lo ao sugerir a seguinte comparação: enquanto os tucanos não conseguem solucionar o problema, apesar de estarem há 15 anos à frente da administração paulista, Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), têm projetos e recursos para acabar com o calvário enfrentado pela população do maior colégio eleitoral do país.

“Será uma ofensiva subliminar”, diz um líder petista que trabalha na campanha da ministra. Em sintonia com a cartilha do Palácio do Planalto, Dilma manterá a linha “paz e amor”. Insistirá na apresentação de propostas e na tentativa de reforçar sua suposta capacidade de gestora. Não fará críticas aos adversários ao lançar o PAC 2. O trabalho de bater em Serra será realizado pelos petistas de São Paulo. Caberá a eles atacá-lo até a eleição. Para tanto, lançarão mão, por exemplo, das imagens do caos que tomou conta da capital no início deste ano. Além disso, ironizarão a propaganda oficial sobre a obra de rebaixamento da calha do rio Tietê. Orçada em R$ 1 bilhão, a obra reduziria, segundo os tucanos, de 50% para 1% o risco de inundação.

“Quem é oposição ao Serra(1) no estado fará uma campanha forte em cima das enchentes. Ele será chamado a se explicar”, diz um dos ministros mais próximos a Dilma. “Esse assunto terá repercussão eleitoral e pode contaminar a previsão inicial deles”, acrescenta. O ministro se refere à esperança do PSDB de que Serra consiga uma larga vantagem de votos sobre Dilma em São Paulo. Se isso ocorrer, alegam os tucanos, o governador neutralizará a desvantagem que possivelmente terá nas regiões Norte e Nordeste. No sábado passado, Dilma apresentou uma prévia do discurso a ser entoado na queda de braço com o PSDB. Foi numa palestra na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, para cerca de 600 pessoas — a maioria políticos.

“Nós temos clareza de que, no PAC 2(2), uma das linhas de investimento mais fortes é a questão da drenagem, porque não dá mais para as pessoas viverem com medo toda vez que chove, por causa dos alagamentos e daquelas cenas tristes e horríveis que vemos, como desabamentos, queda de encostas, água entrando nas casas. Não dá mais”, afirmou a ministra. O presidente Lula decidiu reforçar a promessa de investimentos para a prevenção de enchentes na virada do ano. Deu a ordem depois dos problemas registrados em Angra dos Reis (RJ), Santa Catarina e São Paulo. Leia na ÍNTEGRA no Correio Braziliense

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