Alvo de pressões vindas de entidades representativas, como a Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), o governador em exercício do Distrito Federal Paulo Octávio (DEM) terminará o carnaval e entrará na quaresma tentando sobreviver. Octávio jogará a partir desta semana todas as suas fichas na formação de uma coalizão suprapartidária. De hoje até quarta-feira (17), ele vai conversar com presidentes de 12 partidos políticos para viabilizar sua manutenção no cargo enquanto José Roberto Arruda (sem partido) estiver preso e afastado do governo.
Na sexta-feira, pressionado por caciques do partido, Paulo Octávio deixou a presidência do DEM no Distrito Federal. Ontem, afirmou que, para garantir a governabilidade, não vai se candidatar a qualquer cargo público em outubro. Sua preocupação é terminar o mandato que herdou com a prisão de Arruda. Porém, por ser citado várias vezes nos depoimentos do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa, e também em gravações, ele corre o risco de enfrentar um processo de impeachment na Câmara. Quatro pedidos já foram protocolados.
Paulo Octávio avalia que, ao deixar a presidência do partido para o deputado Osório Adriano (DEM-DF), fica menos complicado conduzir as conversas com outras agremiações políticas. E, ao garantir que não disputará eleição, cria um clima de aproximação da oposição ao atual governo na capital do país. Além de se manter no cargo, interessa ao governador em exercício evitar que o Supremo Tribunal Federal (STF) aprove o pedido de intervenção federal proposto na quinta-feira (11) pela Procuradoria Geral da República (PGR).
Por isso, as conversas começaram na sexta-feira mesmo. Primeiro, Paulo Octávio teve uma reunião com o presidente do Tribunal de Justiça do DF (TJDF), desembargador Nívio Gonçalves. O governador em exercício demonstrou preocupação com a possibilidade de intervenção. O desembargador disse que a situação é delicada e precisa ser muito bem estudada. No entanto, não se posicionou quanto ao pedido da PGR.
O próximo passo é se encontrar com o presidente Lula. A assessoria do governador em exercício solicitou à presidência da República um encontro ainda na sexta-feira. Como Lula voltava de viagem, a reunião não aconteceu. Os dois devem se encontrar na quarta-feira, mesmo dia em que Paulo Octávio senta com partidos da base e da oposição para tratar da governabilidade.
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