Apesar das divergências públicas, Tarso afirmou que eles têm afinidade pessoal
Laís Lis, do R7 em Brasília
Ao se despedir do Ministério da Justiça nesta quarta-feira, Tarso Genro afirmou que ter sido ministro da Justiça foi “o maior orgulho” da sua vida política. Ele transmitiu o cargo a Luiz Paulo Barreto, que ocupava o posto de secretário-executivo do Ministério. Antes de dar a palavra a Barreto, Tarso Genro brincou e deu um conselho ao novo ministro.
No discurso de despedida Tarso agradeceu a presença do ministro da Defesa, Nelson Jobim durante a cerimônia. O ex-ministro afirmou que apesar de notícias de que ele e Jobim seriam adversários, ele disse que eles só divergem em algumas questões de políticas públicas, mas que têm afinidades estruturais e na vida pessoal.
- Sua presença [de Nelson Jobim] prestigia a posse do Luiz Paulo. Eu sei que você não ia querer que eu dissesse que prestigia a mim, mas prestigia a mim também.
A mais recente polêmica envolvendo os dois é a Lei de Anistia. Jobim se opôs publicamente no final de janeiro à ideia defendida por Tarso de modificar a lei para permitir a punição de torturadores e assassinos da ditadura militar.
Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça, Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto era secretário-executivo da pasta e assumiu depois que Tarso Genro anunciou a saída do cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul.
Barreto trabalha no ministério há 24 anos, desde 1986. Nascido no Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1964, ele é formado em Ciência Econômicas pela Faculdade de Economia, Ciências Contábeis e Administração de Empresas do Centro de Ensino Unificado de Brasília – CEUB. Barreto é bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Centro de Ensino Unificado de Brasília.
Na pasta, foi Chefe da Divisão de Nacionalidade (1986-1988); Chefe da Divisão de Naturalização (1988-1990); Chefe da Divisão de Nacionalidade e Naturalização (1990-1991); Chefe da Divisão de Permanência de Estrangeiros (1991-1994). Em 1994, assumiu o cargo de Diretor do Departamento de Estrangeiros, onde ficou até ser indicado como secretário-executivo. Desde 1997, é o Secretário Nacional de Justiça Substituto e Presidente do Comitê Nacional para os Refugiados.
O novo ministro da Justiça participou da elaboração da Portaria Interministerial que guiou o reconhecimento da condição de refugiados no país. Junto com o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), elaborou o texto da lei que implementou o Estatuto do Refugiado no Brasil e cria o Comitê Nacional para Refugiados.
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