sábado, 13 de fevereiro de 2010

'USA Day in UK' - Ivan Lessa

Eu tenho uma paixão física pelo prefeito de Londres. O Boris. Boris Johnson. Até há bem pouco tempo não tinha aqui essas bobagens de prefeito como cargo eleito, não, senhor.

Tinha, e ainda tem, o tal de lorde Prefeito, com indumentárias de segunda-feira gorda de Carnaval, e funções à altura de quem as veste neste momesco período do ano. Quem não tem porta-estandarte ou puxador-de-samba, se sacode como pode.

Depois, com a chegada da informática e a ida a uma ou outra invasão nas e das Arábias, eles, os cidadãos britânicos londrinos, cismaram de se trancar numa cabine indevassável e, mediante uso de voto universal, exercer o sagrado dever de eleger um prefeito. Um prefeito daria um nome mais sério à cidade, além de criar um montão de empregos e encher de assuntos os jornalistas que vivem em busca de uma razão plausível para exercer sua risível profissão.

O primeiro prefeito eleito chamava-se Ken. Claro que se chamava Ken. Ou era Ken ou Kevin. Tinha porque tinha de ser um nome bem lugar-comum, um nome de piada local, ainda cheirando ao azeite e ao vinagre com que se banha o sempre popular fish and chips (pense em termos de peixe com fritas envolto em jornal de ontem). O sobrenome era Livingstone, o que dava uma graça inexplicável, um je ne sais quoi, a alguém já batizado legalmente como – qui, qui, qui! – Ken.

Não cessava aí a diversão. O homem era fanho. Vou repetir sílaba por sílaba: fa-nho. Ou ainda, fa-nho-so. É isso mesmo. Feito aqueles de anedota hoje possivelmente, como tudo que é divertido, politicamente incorreto. Quando eu podia (e eu sempre dava um jeitinho) encaixava o danado do Ken Livingstone numa dessas histórias locais que me meto a contar.

Todo mundo pensava que eu estava querendo fazer graça. Que não tinha prefeito de terno e gravata coisa nenhuma, muito menos fanho, fanhoso ou roufenho. Que tudo não passava de mais uma criação de minha mente malsã. Pois o homem existiu, existe e só os muito ingratos ou patetas não se lembram de sua passagem pela prefeitura não-ornamental de Londres. O que ele fez? Qual o seu legado? Ora, pipocas, o homem foi fanho durante 8 anos seguidos. De 4 de maio de 2000 a 4 de maio de 2008. Algum prefeito do Rio, de São Paulo ou de Porto Alegre pode dizer o mesmo? Duvideodó.LEIA NA ÍNTEGRA na BBC

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