terça-feira, 9 de março de 2010

CPI da Bancoop na Assembleia de SP será instalada nesta quarta-feira

Após publicação no Diário Oficial, líderes têm 15 dias para indicar membros da comissão

Do R7

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), vai assinar nesta terça-feira a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai investigar supostas irregularidades na direção da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de São Paulo). O Ministério Público do Estado de São Paulo investiga a participação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, em esquema suspeito de desviar dinheiro da cooperativa e direcioná-lo para a campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

A instalação da comissão deve ser publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial. A partir daí, os líderes partidários da Casa terão 15 dias para indicar os membros da CPI. Composta por nove parlamentares, a divisão da comissão obedecerá à mesma proporcionalidade que os partidos tem na Assembleia, o que deve dedicar ao PSDB o maior número de cadeiras. Se nesses 15 dias os líderes não indicarem os membros, a escolha fica por conta de Munhoz.

A comissão funcionará por 120 dias, podendo ser prorrogada por outros 60, o que fará com que a apresentação do relatório ocorra no meio da campanha das eleições que escolherão novos deputados, governador e presidente.

Proposta pelo líder do PSDB na Assembleia, Samuel Moreira, a criação da CPI foi publicada no Diário Oficial em 22 de outubro de 2008, com a assinatura de 35 deputados estaduais. Entretanto, não começou a funcionar, pois há uma “fila” de CPIs na Assembleia- somente cinco comissões podem funcionar ao mesmo tempo na Casa.

Os tucanos pretendem convocar Vaccari Neto a prestar depoimentos na Casa.

O promotor José Carlos Blat, que investiga o caso, pediu a quebra de sigilo do tesoureiro do PT e o bloqueio das contas da Bancoop. A Justiça vai decidir se aceita a solicitação.

Nesta terá, a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff Vaccari Neto tem direito de defesa sobre as denúncias de que teria desviado recursos da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários) para campanhas eleitorais do PT enquanto presidia a entidade, mas praticamente descartou a possibilidade de Vaccari ser o tesoureiro de sua campanha.

Para o líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), a investigação do Ministério Público é uma "articulação política mal engendrada".

- Essas denúncias são falsas. Primeiro porque o Vaccari assumiu a Bancoop depois dos problemas da Bancoop. E o promotor Blat sabe que aquela movimentação [R$ 31 millhões] é interbancária. Ou seja, de diversas contas da Bancoop para uma conta da Bancoop.

Após a publicação da reportagem da Veja, a Bancoop também negou as acusações. Na tarde de sábado, a cooperativa divulgou nota em que diz não ter sido ouvida pelos jornalistas da revista, que acusa de agir com finalidade política.

De acordo com a cooperativa, a reportagem não agrega nada aos fatos já divulgados no passado, quando a Bancoop foi investigada. A ampla repercussão se daria, segundo a entidade, justamente por causa da proximidade da instalação da CPI da Bancoop na Assembleia de SP.

A liderança do PSDB nega qualquer relação entre a CPI e a reportagem da revista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário