segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres são minoria no Congresso e reclamam do financiamento de campanha

No entanto, políticas não acham que os eleitores tenham receio de votar em uma mulher

Mônica Aquino, do R7

Entre os eleitores, as mulheres são maioria, representam 51,82% dos votantes, contra 48,07% de homens, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Apesar de ser a maioria do eleitorado, as mulheres são minoria no Congresso e nos cargos eletivos.

Dos 51.893 vereadores eleitos em 2008, só 6.496 são mulheres (12,51%), contra 45.397 homens (87,49%). No Senado, são dez mulheres entre os 81 senadores. Na Câmara, 45 mulheres exercem o cargo entre os 513 deputados federais.

Para a deputada federal Cida Diogo (PT-RJ), a maneira como é feito o financiamento de campanha contribui para que a minoria dos eleitos sejam mulheres.

- No próprio processo eleitoral existe uma discriminação, no financiamento de campanha.

A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) não acha que o fato de a maioria dos eleitores serem do sexo feminino não se refletir nas urnas significa preconceito por parte dos votantes. No entanto, concorda que ainda não há um número ideal de mulheres no meio.

- A política sempre foi um espaço muito masculino. Há muito pouco tempo as mulheres puderam ter o direito de votar.

Para ela, a questão é cultural e as eleitoras não votam em um candidato por causa do sexo.

- Não é o sexo que define a competência, o talento ou a vocação para a política. É difícil apostar numa pessoa só porque ela é mulher.

Marta Suplicy (PT-SP) concorda que a questão é cultural e que, apesar da consciência de igualdade, os eleitores acabam optando por votar em um homem.

- A cultura machista é muito forte. Você tem consciência da igualdade, mas na hora de escolher, acaba escolhendo um homem. Mas isso está em transformação.

A ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, afirma que mesmo com alterações na lei eleitoral – que determina que os partidos devem ter 30% das candidaturas destinadas às mulheres -, a sociedade demora para “digerir” a igualdade entre homens e mulheres.

- Às vezes, a gente consegue mudar a lei e não consegue fazer com que, no cotidiano, se mudem posturas, atitudes.

Questionada se há diferença entre a atuação política de homens e mulheres, Nilcéia diz que as políticas têm mais capacidade de selecionar problemas rapidamente. No entanto, ela afirma que a questão não é de gênero, mas de costume de lidar com imprevistos.

- O fato de as mulheres terem que lidar, por exemplo, com todas as tarefas vinculadas à casa, ao cuidado com os filhos e ao mesmo tempo terem que estar no mercado de trabalho, faz com que as mulheres tenham que ter uma capacidade de pensamento e de encontrar soluções rápidas para problemas que surgem no cotidiano.

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