da France Presse, em Brasília
da Reportagem Local na Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que enviará, nos próximos dias, o chanceler Celso Amorim ao Irã para aprofundar o diálogo por um acordo nuclear. A visita de AMorim servirá ainda para preparar a viagem do próprio Lula, que deve ir a Teerã em maio.
"Estou mandando o ministro [de Relações Exteriores] Celso Amorim a Teerã (...) porque queremos preparar bem a viagem e saber as possibilidades que temos de que a AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica] faça um acordo com o Irã", disse Lula a jornalistas.
Lula disse ainda que a viagem de Amorim serve para "conversar e ver se amadurecemos toda e qualquer discussão" antes de sua chegada ao país.
Amorim disse a jornalistas que fará paradas em Moscou, na Rússia, e Istambul, na Turquia, antes de chegar ao Irã, onde se reunirá com o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Lula busca há tempos uma posição de destaque na diplomacia no Oriente Médio e pleiteia, sob críticas dos Estados Unidos, um papel de destaque nas negociações nucleares com Ahmadinejad. Lula já criticou inúmeras vezes a campanha americana por novas sanções ao Irã disse defender o diálogo e o direito iraniano de um programa nuclear pacífico.
O Irã recusou um projeto de acordo apresentado por seis potências em outubro do ano passado, com a mediação da AIEA. O projeto previa que a entrega por parte do Irã à Rússia de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% para o enriquecimento a 20%, antes de ser transformado pela França em combustível para o reator de pesquisas de Teerã, que fabrica isótopos para produtos médicos.
Teerã justificou a recusa com a afirmação de que o projeto de acordo não apresentava as garantias necessárias para a entrega do combustível. Depois disso, o país apresentou uma contraproposta para um intercâmbio gradual e oscilou acenos de diálogo com duras declarações sobre a soberania de seu programa nuclear.
Com a paralisação das negociações, o Irã começou a enriquecer o urânio a 20% em fevereiro passado, mesmo diante da repreensão das potências. Desde então, os EUA lideram uma campanha pela nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), à qual o Brasil se opõe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário