quinta-feira, 15 de abril de 2010

Países do Bric devem fechar posição sobre regulação financeira

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Em encontro esta semana, em Brasília, chefes de Estado e de governo do Bric, grupo constituído por Brasil, Rússia, Índia e China, devem fechar uma posição comum sobre a regulação do sistema financeiro internacional. A aposta é do professor deeconomia do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Paulo Ferracioli.

O especialista acredita que os quatro países não devem apresentar necessariamente uma proposta para a regulação, mas sim cobrar a manutenção do tema na pauta e sua discussão. "Os países devem cobrar mais transparência, o que não é pouco", disse o professor, lembrando que o tema da regulação, que esteve em evidência durante a crisefinanceira mundial, ficou esquecido.

A posição comum de cobrança deverá ser levada pelo Bric aos países desenvolvidos na cúpula do G20 marcada para junho, no Canadá. De acordo com Ferracioli, os países do Bric estão "em posição confortável" atualmente por não enfrentarem crises financeiras e apresentarem bons resultados em termos de crescimento econômico.

Semelhanças

O fato de os países do Bric terem poder de veto no Fundo Monetário Internacional também reforça o discurso ante os países desenvolvidos. "Eles dizem: 'podemos colocar mais recursos, mas queremos participar mais do processo decisório", ilustrou Ferracioli.

- Ainda que haja aspectos sobre os quais os quatro países tenham divergência de interesses, há espaço para posicionamentos comuns no cenário internacional, o que fortalece a todos do Bric - afirmou.

Um ponto de convergência entre todos do Bric, na avaliação do professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ricardo Carneiro, é o fato de terem preservado o setor público em seu modelo de desenvolvimento.

Outra característica comum destacada pelo especialista é que todos são "líderes regionais". "A China hoje tem mais capacidade de exercer um papel mais importante no cenário global pelo seu tamanho e trajetória de crescimento, mas o papel de liderança regional está assegurado a todos", afirma. "A partir dessa força regional, a articulação entre eles é importante".

Além de observar pontos de identificação entre os países do Bric no que se refere à regulação do sistema financeiro internacional, Carneiro acredita que eles também podem estabelecer acordos de cooperação nos setores de desenvolvimento energético e segurança. "O que dificulta uma colaboração maior é a distância geográfica, mas acho que o interesse existe".

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