domingo, 11 de abril de 2010

Redução da jornada vai ficar para depois

Tiago Pariz


A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, está em rota de atrito com dois de seus principais suportes na campanha em busca do Palácio do Planalto. Alimentou a polêmica com o PMDB sobre a dobradinha com o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB). E não pretende encampar a proposta das 40 horas semanais de trabalho, principal bandeira de reivindicação das centrais sindicais.
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma reúne-se hoje com representantes de seis entidades sindicais, entre as quais a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, em São Bernardo do Campo (SP), berço político do PT. Cerca de 800 sindicalistas foram convidados para debater qualificação profissional e apresentar a pauta de reivindicação, encabeçada pela redução da jornada de trabalho.

"A jornada de 40 horas é uma questão constitucional e não cabe ao governo ou ao candidato apresentá-la como plataforma. Cada um tem uma visão sobre o tema. Não dá para firmar um compromisso porque essa é uma questão do Congresso Nacional", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Há um cuidado em não se indispor com o empresariado, que rejeita a redução em quatro horas sem uma contrapartida.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tentou, sem sucesso, um acordo. Cotado para ser vice de Dilma, o peemedebista propôs uma diminuição progressiva nos próximos anos, com uma queda também na contribuição previdenciária dos patrões. "Nós até aceitamos fazer algo escalonado, mas com vantagem para o patronato, nem pensar", disse o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, que participa do evento de hoje. Dutra rebateu dizendo ser necessário as centrais flexibilizarem suas posições.

O compromisso mais forte que Dilma pretende assumir com os sindicalistas é sobre políticas de qualificação profissional, tema colocado como uma das prioridades. A petista evitou tratar o evento em São Bernardo do Campo como uma provocação ao lançamento da candidatura de José Serra, hoje, em Brasília. Disse ser "absolutamente legítimo o PSDB lançar o candidato".


no Correio Braziliense

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