segunda-feira, 17 de maio de 2010

Apesar de positivo, acordo não elimina dúvidas sobre o Irã, dizem EUA

Casa Branca alerta que iranianos sofrerão sanções caso não cumpram 'obrigações internacionais'


estadão.com.br

WASHINGTON - A Casa Branca disse nesta segunda-feira, 17, que o acordo firmado entre Irã, Brasil e Turquia para que a República Islâmica troque urânio enriquecido por material nuclear pronto para uso civil é um "passo positivo", embora os EUA e o resto do mundo ainda tenham sérias dúvidas sobre o comprometimento iraniano quanto ao uso civil de sua energia nuclear.

No domingo, os ministros de Relações Exteriores do Irã, da Turquia e do Brasil assinaram um acordo sobre o programa nuclear iraniano na reunião do G-15 (17 países em desenvolvimento), em Teerã. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, aceitou trocar 1.200 quilos de urânio por material nuclear (enriquecido a 20%) equivalente para seu reator de pesquisas médicas. O processo deverá se dar em território turco.

Em um comunicado divulgado nesta segunda, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, expressou preocupação com o acordo. "Os EUA colaborarão com seus parceiros internacionais para deixar claro ao governo iraniano que tem de mostrar com fatos, e não somente palavras, sua disposição em respeitar as obrigações internacionais".

Os EUA ainda fizeram mais um alerta ao Irã. "Caso desrespeite suas obrigações, o Irã terá de encarar as consequências, inclusive sanções", prosseguiu Gibbs, fazendo referência ao pacote de resoluções estudado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que pode ser aplicado sobre a República Islâmica por conta de seu programa nuclear.

O governo americano ainda ressaltou a importância do órgão regulador da ONU no caso. "Tomamos nota dos esforços realizados por Turquia e Brasil. O acordo, porém, deve ser submetido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes que possa ser avaliado pela comunidade internacional", completou o porta-voz.

O governo americano é a principal força por trás das pressões sobre o programa nuclear iraniano. Lideradas pelos EUA, as potências ocidentais acusam o Irã de manter o programa nuclear para a fabricação de armas de destruição em massa. Teerã, porém, nega e diz que enriquece urânio apenas para fins pacíficos.

Rússia

O tom do discurso da Casa Branca foi o mesmo usado pelo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev. Nesta segunda, ele disse celebrou o pacto com alguma cautela, mas acrescentou que o pacto talvez falhe em satisfazer completamente a comunidade internacional.

"A questão é se a quantidade de urânio a ser trocada pelo Irã seja suficiente para satisfazer todos os membros da comunidade internacional", disse Medvedev em Kiev, na Ucrânia, onde se reuniu com o presidente Viktor Yanukovych. Ele ainda acrescentou que, para determinar esses fatores, serão necessárias mais consultas. "Depois disso, precisamos decidir se isso tudo é suficiente ou se precisaremos fazer algo mais. Creio que uma pequena pausa nesse problema não fará mal algum", completou.

Apesar das declarações, Medvedev disse que o acordo deve ser apoiado como parte dos esforços diplomáticos para que o Irã abandone seu programa nuclear, conforme querem as potências atômicas. Ele ainda disse que deverá conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o assunto.

Sanções

O Irã já foi alvo de três rodadas de sanções no Conselho de Segurança por se recusar a interromper o enriquecimento de urânio. Os membros permanentes do órgão - EUA, França, Reino Unido, Rússia e China - negociam uma quarta rodada de sanções à República Islâmica. Chineses e russos, porém, mostram-se desfavoráveis às resoluções devido à boas relações comerciais que mantêm com os iranianos.

Diplomatas ocidentais próximos à AIEA, órgão regulador das atividades nucleares mantido pela ONU, afirmaram que o acordo não elimina as chances de serem aplicadas novas sanções, já que o Irã se recusa a interromper o enriquecimento de urânio. O pacto, porém, pode dificultar a ação do Conselho, já que Rússia e China podem se distanciar das negociações.

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