O Comitê de Política Monetária (Copom), na Ata da sua reunião de abril, poderia explicar melhor por que manteve a taxa Selic em 8,75% na reunião anterior e justificar também melhor o reajuste da taxa para 9,50%.
Mas a Ata, divulgada ontem, não chega a satisfazer essa expectativa plenamente: invoca um fato novo - a crise na União Europeia - e a continuidade do fortalecimento das pressões inflacionárias.
A frustração maior que se pode encontrar no documento é o modo ligeiro com que o aquecimento da economia é analisado.
A preocupação em relação a isso surge no parágrafo 23 do documento, no qual se anotam suas manifestações na conjuntura econômica: a manutenção de um núcleo de inflação acima do normal, a elevação das expectativas de inflação no mercado, o início de escassez de mão de obra, a elevação do custo de insumos. Como sempre, o Copom se absteve de mostrar preocupação com o déficit público, que, de acordo com sua hipótese de trabalho, é compatível com o cumprimento da meta de superávit primário de 3,3% do PIB, que até pode cair para 1,12% com a dedução dos gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Copom não mostra disposição de alertar para os abusos dessa dedução. Apenas fala da deterioração do cenário prospectivo.
Parece-nos que há um acordo tácito com o governo, em que o Banco Central se abstém de criticar a política de gastos públicos. É uma falha do nosso sistema, em comparação com o dos EUA, onde o Federal Reserve não deixa de levar em conta esse aspecto da atividade governamental. O caso da Grécia mostra claramente a estreita relação entre o andamento das contas públicas e o da economia.
Caberia, neste momento, às autoridades monetárias dramatizar a perspectiva de evolução da economia, ante a irresponsabilidade do governo Lula, que não apenas toma decisões altamente nocivas no presente, como assume compromissos que limitarão gravemente a liberdade de ação do governante que o suceder. A retomada das pressões inflacionárias hoje se poderão acentuar no próximo ano.
A Ata do Copom se refere ao crescimento da renda e à retomada do crédito, para explicar a excitação atual da economia. Entendemos que as autoridades monetárias não se deviam limitar a apenas apontar as causas do aquecimento da economia, e ficar imaginando que somente a elevação da taxa básica de juros será capaz de conter a aceleração desse processo e as pressões inflacionárias.
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