FILIPE COUTINHO
da Sucursal de Brasília na Folha Online
O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) autorizou nesta terça-feira que promotores tenham acesso aos contratos de limpeza urbana suspeitos de envolverem o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, no mensalão do DEM.
O conselho negou recurso do Ministério Público do DF, que queria mais uma vez recusar a entrega da papelada à promotora Ruth Kicis, que também é distrital.
"Se fosse um promotor do interior, não estaríamos levando essa questão a fundo. Essa discussão toda é porque é o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal. Por que será que o Ministério Público tem toda essa resistência em dar acesso aos contratos?", disse o conselheiro Almino Afonso, relator do caso.
Na decisão que impediu a promotora de estudar os contratos, o Ministério Público entendeu que a análise deveria ficar restrita à Corregedoria, que decidirá se Bandarra deve ser alvo de investigação. O CNMP, órgão de controle externo, deve decidir ainda nesta terça-feira se o Ministério Público tem isenção para investigar seu chefe.
De acordo com o delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, Bandarra recebeu R$ 1,6 milhão para interferir no Ministério Público e impedir que os contratos sem licitação para a coleta de lixo fossem investigados. Bandarra nega as denúncias.
"A denúncia afirma que o Ministério Público fez diversas diligências para autorizar que os contratos emergenciais fossem mantidos e o que fiz foi pedir essa documentação. Ainda não consegui ter acesso a todos os documentos", afirmou a promotora Ruth Kicis.
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