Órgãos e potências emitem comunicados a respeito do pacto firmado entre Irã, Brasil e Turquia
SÃO PAULO - O acordo firmado entre Irã, Turquia e Brasil para que a República Islâmica envie seu urânio enriquecido ao território turco e receba de volta material pronto para ser usado em seu reator nuclear gerou repercussão entre os principais órgão internacionais e países que negociam soluções para o programa nuclear iraniano.
EUA
A Casa Branca emitiu um comunicado expressando preocupação sobre o comprometimento das autoridades iranianas em cumprir suas "obrigações internacionais". Apesar de considerar o pacto como um "passo positivo", os EUA cobraram ações, e não apenas palavras para provar que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
"Os EUA colaborarão com seus parceiros internacionais para deixar claro ao governo iraniano que tem de mostrar com fatos, e não somente palavras, sua disposição em respeitar as obrigações internacionais", informa o comunicado da Casa Branca. "Caso desrespeite suas obrigações, o Irã terá de encarar as consequências, inclusive sanções", conclui o governo.
Os EUA, porém, disseram que não abandonarão o projeto de impor sanções ao Irã. O acordo, segundo a Casa Branca, não livra o Irã de suas responsabilidades. "Estamos fazendo progressos pequenos, mas regulares em torno das sanções", concluiu Robert Gibbs, porta-voz do governo.
Rússia
A Rússia recebeu bem o novo acordo pelo qual o Irã vai trocar a maior parte de seu urânio enriquecido por combustível nuclear na Turquia, mas o presidente do país, Dmitri Medvedev, afirmou que mais conversas são necessárias. "O que foi feito por nossos colegas precisa ser saudado. Esta é a política da solução diplomática para o problema do Irã. Precisamos fazer consultas com todos os lados, incluindo o Irã, e então determinar o que fazer em seguida", disse Medvedev
O mandatário russo ainda se mostrou preocupado com a continuidade do programa nuclear do Irã. "Um questão à parte é se o Irã ainda conduzirá o enriquecimento. Até onde sei, de acordo com comunicados oficiais iranianos, o processo continuará. Nesse caso, as preocupações da comunidade internacional podem continuar também", disse Medvedev.
França e Alemanha
Em declaração conjunta, França e Alemanha destacaram o papel da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão regulador da ONU, na análise do acordo.
"Continua sendo importante que o Irã e a AIEA cheguem a um acordo", disse Christoph Steegmans, vice-porta-voz do governo alemão. "O acordo não pode ser substituído por um acordo com outros países", afirmou, referindo-se ao pacto firmado entre o Irã e AIEA em outubro, do qual o país persa se desvencilhou
Já o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse que a AIEA deve ser o primeiro a responder ao acordo assinado com Turquia e Brasil. "Não cabe a nós responder, cabe a Agência Internacional de Energia Atômica", afirmou. Kouchner acrescentou que as potências ainda trabalham com a hipótese das sanções. "Algum progresso importante foi obtido nos últimos dois dias sobre a resolução das Nações Unidas do Conselho de Segurança", disse.
Reino Unido
Alistair Burt, alto funcionário da chancelaria britânica, afirmou que Teerã deve informar "imediatamente" à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se cumprirá o acordo e reiterou que os iranianos seguem sendo uma grande ameaça à segurança internacional.
"As ações do Irã permanecem uma séria causa de preocupação, em particular por sua recusa em se reunir para discutir seu programa nuclear ou cooperar totalmente com a AIEA e por sua decisão de começar a produzir urânio pouco enriquecido a 20%", acrescentou Burt, em comunicado divulgado pelo Escritório das Relações Exteriores do Reino Unido.
União Europeia e ONU
A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o acordo responde "parcialmente" às exigências da AIEA. Segundo Catherine, o acordo dever "ser colocado em contexto, porque a oferta da AIEA era i, gesto de boa vontade, um reconhecimento do direito dos Estados de ter energia nuclear". Ela ainda disse que a União Europeia "quer discussões formais com o Irã sobre suas intenções sobre armas nucleares".
Já a ONU, por meio de comunicado divulgado pelo porta-voz do seu secretário-geral, Ban Ki-moon, classificou o acordo como "alentador", mas pediu que o Irã cumpra as resoluções do Conselho de Segurança.
Otan
O principal comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), almirante James Stavridis, afirmou que o acordo é "um desenvolvimento potencialmente bom". "Eu penso que este é um exemplo do que todos buscamos, que é um sistema diplomático que encoraje o bom comportamento como parte do regime iraniano", afirmou o almirante, apesar de admitir que "obviamente há um longo caminho a percorrer".
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