BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta quinta-feira, 13, que o governo fará um corte em torno de R$ 10 bilhões nas despesas de custeio do Orçamento da União deste ano. Segundo ele, os ministérios vão ter de fazer esse "sacrifício" para conter o aquecimento da demanda na economia.
Mantega comparou o novo corte de orçamento que o governo fará como uma medida para "acalmar" o crescimento. Segundo ele, é absolutamente normal que o governo haja de forma cíclica ou anticíclica para administrar a economia.
Ele destacou que em 2009, devido à crise financeira internacional, o governo deu estímulos para acelerar o crescimento. Agora, com a aceleração do crescimento, o governo tem de trabalhar do lado contrário. Ele lembrou que em 2008, quando a economia estava crescendo rapidamente, o governo também agiu desta forma ao formar a poupança do Fundo Soberano do Brasil (FSB).
De acordo com o ministro, a demanda da economia, que é formada pelo setor público e privado, está acima do normal. A maneira mais rápida de agir, segundo ele, é cortando a demanda pública do que aumentar a taxa de juros, que tem o efeito mais demorado, de quatro, cinco a seis meses, na economia. Já o corte, disse ele, é quase imediato, pois os ministérios não terão mais a despesa para gastar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já concordou com a medida, que será o segundo corte no orçamento de 2010, segundo Mantega. O primeiro corte foi de R$ 21,8 bilhões. "Esse [novo corte] será um complemento", disse Mantega, na portaria do ministério da Fazenda.
Governo não deixará economia crescer mais de 7%
O ministro da Fazenda ainda declarou há que o governo não deixará que o crescimento da economia em 2010 seja maior do que 7%. Segundo ele o governo tem instrumentos, entre eles o aumento dos juros, para manter o crescimento equilibrado.
O ministro disse que o primeiro trimestre será aquecido, mas depois haverá uma desaceleração do crescimento. "Depois será menos aquecido", afirmou Mantega. Ele disse que o governo tem que "ir observando para, não fazer bobagem". Mantega destacou que o governo não pode deixar a economia crescer demais ou de menos. E disse que não acredita que o crescimento será de 7,5%, 8%, como preveem analistas.
Crescimento da economia será de 2% a 2,5% no 1º trimestre, prevê ministro
O ministro da Fazenda previu um crescimento de 2% a 2,5% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre do ano passado. Segundo Mantega, anualizado, o crescimento do primeiro trimestre fica projetado entre 8% as 10%.
Apesar dessa previsão, o ministro disse que não observa um superaquecimento da economia brasileira. "A economia está aquecida, mas não está superaquecida", reiterou o ministro.
Segundo, a partir do segundo trimestre, haverá uma desaceleração do crescimento. Mantega disse que a economia está crescendo bastante no primeiro trimestre ainda em função dos estímulos dados pelo governo para enfrentar a crise, como a desoneração do IPI para vários setores.
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