terça-feira, 18 de maio de 2010

Lula fala em Madri sobre acordo nuclear discutido com o Irã

Madri, 18 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicará nesta terça-feira em Madri, durante a VI Cúpula UE-América Latina e Caribe, os termos do acordo discutido na segunda em Teerã, pelo qual o Irã aceitou o enriquecimento de urânio no exterior.

Além das explicações, está previsto que Lula realize uma reunião bilateral com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que também se encontra na capital espanhola, informaram à agência EFE fontes do Governo.

As mesmas fontes assinalaram que é muito provável que Lula se reúna também com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

A França forma com a Alemanha e os outros membros do Conselho de Segurança da ONU - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido - o chamado grupo 5+1, que negocia o tema nuclear com as autoridades iranianas.

O acordo firmado em Teerã, com mediação brasileira, prevê que a Turquia se ocupe do enriquecimento de 1,2 toneladas de urânio pouco enriquecido.

Em contrapartida, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enviaria os 120 quilos de urânio necessários.

O acordo foi acertado durante uma visita oficial de Lula e após uma longa noite de árdua e complexa negociação.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o acordo "não responde a todas as questões, mas serve de condição prévia para prosseguir com as negociações".

De acordo com o ministro iraniano de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, o país aceitou enviar à Turquia seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de receber no prazo de um ano 120 quilogramas de urânio enriquecido a 20%.

Caso seja aceita a proposta, o regime iraniano se compromete a enviar em um mês 1,2 toneladas de urânio 3,5% à Turquia, onde o material ficará sob custódia do país anfitrião, do Irã e da AIEA.

Um ano depois da entrega, Teerã deverá receber o combustível nuclear que necessita procedente dos países produtores, França e Rússia.

Caso contrário, Ancara devolverá ao Irã o urânio depositado em seu território.

Para os EUA e a União Europeia, o acordo não encerra todas as dúvidas sobre o caráter pacífico do programa nuclear iraniano.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que é um "passo positivo", mas ainda há "graves preocupações" sobre as atividades nucleares do Irã. Por isso, os EUA mantêm seus planos sobre eventuais sanções. EFE

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