Do Josias de Souza na Folha Online
No Blog do Fábio Campana
Num instante em que os líderes do governo sustentam que Lula teria topado elevar o reajuste dos aposentados para 7%, o ministro Paulo Bernardo destoou.
Titular da pasta do Planejamento, Bernardo declarou há pouco que o governo defende um aumento de 6,14%, não 7% ou 7,7%.
Bernardo falou ao chegar ao prédio do Congresso. Vai participar de uma audiência na comissão de Orçamento.
“Fizemos um acordo de 6,14% com os aposentados. Se houver mudança no Congresso, vamos analisar…”
“…Mas o presidente Lula já me disse que se o número exorbitar muito, ele vai vetar”.
Na semana passada, depois de se reunir com Lula, os líderes do governo haviam declarado coisa diferente.
Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder de Lula na Câmara; e Romero Jucá (PMDB-RR), líder no Senado, disseram que Lula havia topado os 7%.
O contraponto do ministro do Planejamento chega num instante em que os deputados discutem, no plenário a medida provisória dos aposentados.
Há nos corredores e nas galerias da Câmara algo como duas centenas de aposentados. Vieram a Brasília para pressionar.
O texto original da proposta do governo propunha: o reajuste dos aposentados que recebem mais que um salário mínimo seria de 6,14%.
A oposição bate o pé há semanas. Chegou-se a propor que o aumento fosse de 9%. Congressistas filiados a partidos governistas fixaram-se em 7,7%.
Estabelecida a confusão, Vaccarezza e Jucá passaram a negociar um percentual intermediário: 7%. Por isso foram a Lula.
Ao insinuar que Lula pode vetar mesmo os 7% que seus líderes afirmam já estar garantido, Paulo Bernardo como que joga água fervente no debate.
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