RIO - A diretora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira, 14, que o poço Libra, que a agência começou a perfurar na Bacia de Santos, pode ter reservas semelhantes às encontradas no poço Franco, onde foram detectados 4,5 bilhões de barris de petróleo. Em entrevista concedida na sede da agência, Magda disse que as duas estruturas geológicas têm tamanho parecido, mas ainda há dúvidas se área de Libra é um reservatório único ou se está dividida em dois reservatórios. Neste último caso, afirmou, a diretora, as reservas podem ser menores. Os resultados do poço de Libra devem ser conhecidos em um prazo de quatro a cinco meses.
A diretora da ANP explicou que a estimativa de 4,5 bilhões de barris de petróleo em Franco foi feita com base na utilização de métodos secundários de recuperação de reservas, com a injeção de gás e água nos poços para aumentar a pressão do reservatório. Sem considerar as técnicas de recuperação, o volume estimado ficaria em torno de 2 bilhões de barris, conforme antecipou a Agência Estado há duas semanas. Nesse caso, o fator de recuperação das reservas estaria em torno de 10% a 15% de todo o petróleo do reservatório. Com a injeção, disse ela, é possível recuperar até 30%. Magda lembrou que há ainda métodos terciários de recuperação, que poderiam elevar o fator de recuperação para até 45%, com a injeção de gás carbônico ou produtos químicos, mas a ANP prefere trabalhar com o valor intermediário.
Enquanto perfura esse poço, a ANP se prepara para iniciar um teste de vazão em Franco. Magda comemorou o resultado da primeira perfuração da ANP em Santos, dizendo que Franco abre uma nova fronteira exploratória na região. Isso porque o poço atingiu uma camada rochosa chamada coquina, ainda pouco conhecida - as reservas descobertas até agora no pré-sal estão em uma rocha chamada microbiolito, mais rasa do que as coquinas. "Encontramos uma coluna de reservatório de 272 metros (em Franco) e cerca de metade disso é coquina. A ANP, no entanto, mantém sua estimativa de reservas no pré-sal em cerca de 50 bilhões de barris de petróleo.
Dois novos poços
Após a perfuração de Libra, a ANP já se decidiu por dois novos poços na área do pré-sal da Bacia de Santos: um ao Sul e outro a Leste das áreas atualmente concedidas à Petrobras. Além de contribuir com o processo de capitalização da Petrobras, o trabalho tem como objetivo ampliar o conhecimento geológico sobre a região e gerar valor em futuras licitações de blocos exploratórios na área. "Nosso trabalho aqui gerará valor em ativos da união", disse Magda.
Os novos poços serão financiados pela própria ANP, que estuda contratar diretamente a Petrobras para o serviço. Os recursos são provenientes da parcela da participação especial destinada à ANP. Magda informou ainda que a certificação das reservas, incluindo Franco, Libra e as duas novas áreas, deve ser concluída até o final de outubro. No próximo dia 27, a ANP abre as propostas de certificadoras interessadas em participar do processo.
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