Segundo o primeiro-ministro da Turquia, os iranianos aceitaram trocar seu urânio por material nuclear 'após 18 horas de negociação'
Brasil e Irã assinaram neste domingo memorandos relativos à cooperação comercial, troca de tecnologia e colaboração no terreno energético. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou, em Teerã, que um acordo sobre o programa nuclear iraniano foi alcançado nas negociações da qual o Brasil participou.
O anúncio atropelou autoridades brasileiras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma agenda cheia em Teerã, mas não mencionou a questão nuclear em seu discurso.
Segundo Erdogan, que só confirmou sua visita a Teerã hoje, os iranianos aceitaram trocar seu urânio por material nuclear "após 18 horas de negociação". Até o momento o Itamaraty não havia confirmado a informação. Mas Erdogan - bem como seu chanceler, Ahmet Davutoglo, e fontes turcas que falaram ao Estado em condição de anonimato - garantiram que o pacto já está selado.
A ideia, agora, é formalizar o pacto na reunião desta segunda-feira do G-15 (17 países em desenvolvimento) em Teerã. O texto do novo acordo foi montado em cima de uma proposta debatida em outubro na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O plano prevê que o Irã entregue 1.200 quilos de urânio e receba em troca o material nuclear (enriquecido a 20%) equivalente para seu reator de pesquisas médicas de Teerã. Até agora, temendo ser enganado, o regime iraniano insistia que a troca tinha de ser feita no Irã, mas alguns países não concordavam.
As três partes envolvidas na negociação concordaram ontem que a troca deve ocorrer em território turco. No entanto, ainda não está claro se já foi definido o prazo entre a entrega do urânio e o recebimento do material nuclear. Em outubro, os EUA afirmaram que não aceitariam uma permuta imediata, como exigia o Irã, porque, na prática, isso aceleraria o programa nuclear iraniano.
"Amanhã teremos boas notícias", disse o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. "Estamos com algo no forno", completou o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, passou o dia inteiro reunido com Mottaki e Davutoglu. O negociador-chefe do Irã para assuntos nucleares, Saeed Jalili, também conversou com Amorim.
Valores morais
Qualificando Lula de "bom amigo" e "irmão", Ahmadinejad defendeu que Brasil e Irã compartilham "valores morais". "Somos contra a discriminação, o preconceito, a agressão e a tirania", disse o iraniano.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica, também reuniu-se com Lula. "Os EUA se revoltam com países independentes, como o Irã e o Brasil", disse Khamenei a Lula. "Por isso eles fizeram esse estardalhaço antes de sua visita."
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