quarta-feira, 16 de junho de 2010

Com aval de Aécio, Pimenta da Veiga ganha força como opção para vice de Serra

Rayder Bragon
Especial para o UOL Eleições
Em Belo Horizonte

Diante das especulações para a formação da chapa tucana para concorrer ao Planalto, o nome do ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga ganhou força no ninho tucano em Minas caso José Serra opte pela estratégia de definir a chapa com um representante mineiro, o segundo maior colégio eleitoral do país.

Após a negativa do ex-governador Aécio Neves em aceitar compor com Serra, o nome do ex-ministro começa a ganhar corpo entre os tucanos mineiros. Segundo o deputado federal Nárcio Rodrigues, presidente estadual do PSDB e um dos interlocutores políticos mais próximos de Aécio Neves, a iniciativa tem o aval do ex-governador.

"É um nome que une não só o PSDB mas a base toda do Aécio. Todos que acompanham o ex-governador veriam nele uma candidatura do grupo do Aécio. O Pimenta da Veiga tem uma convivência histórica e fraternal com o Aécio Neves. A liderança do Pimenta (da Veiga) sobre o nosso grupo sempre foi maiúscula”, frisou. "Está posto assim: o nome do Pimenta (da Veiga) está colocado por Minas Gerais. Estão aí os nomes do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), Sérgio Guerra (PSDB-PE), do Tasso Jereissati (PSDB-CE). O nome do Pimenta vem se somar a eles", explicou.

Para Rodrigues, a intenção é demonstrar que, com a recusa de Aécio, o partido no Estado tem um nome "forte" para substituí-lo.

“Se quiserem buscar de alguma forma a presença de Minas na chapa, o nome de Pimenta da Veiga está colocado. Se o Serra for pelo critério partidário, ele vai discutir qual partido mais soma com ele. Se for pelo critério for buscar alguém do Nordeste, o nome do candidato natural tende a ser o (senador) Sérgio Guerra. Se for por falta de um bom nome, Minas não vai ficar de fora (da composição da chapa). Nome tem, só não sabemos se é esse critério que vai prevalecer”.

De acordo com o dirigente, o ex-ministro tem “bom trânsito” entre as legendas que compõem a base aliada do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB). “É um nome que congregaria, que agradaria muito”, resumiu o presidente.

Apesar de afirmar que não há como desconsiderar o peso do Estado na campanha, o presidente afirmou não condicionar à escolha de Pimenta da Veiga como vice o apoio a Serra no Estado.

“Nós não estamos pleiteando e nem condicionando apoio a Serra. Ele terá de nós todo apoio. Mas temos que considerar o peso eleitoral que Minas ganha nesse momento. Porque há uma compreensão muito clara que o jogo será apertado e que a eleição para presidente vai ter em Minas o seu fiel da balança”, avaliou Rodrigues, que participa da montagem da agenda de Serra no Estado.

Pimenta da Veiga desconversa

Ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso, Veiga presidiu o PSDB nacional na década de 90. Atualmente não vinha participando na linha de frente do cenário político local, mas voltou a frequentar recentemente encontros tucanos no Estado.

Procurado pela reportagem de UOL Eleições, ele foi lacônico ao fato de ter tido o nome considerado para a disputa nacional.

“Eu não posso fazer nenhuma manifestação. Comigo nada foi tratado. Portanto, não posso fazer nenhuma manifestação. Apenas digo que me sinto honrado com a lembrança”, disse o ex-ministro, que atualmente tem escritório de advocacia em Brasília.

“Eu não tenho disputado mandato, mas sempre que sou convocado a participar de alguma reunião ou conversa, eu tenho comparecido, tanto em Brasília quanto em Minas, das avaliações das questões políticas”, limitou-se a dizer Veiga.

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