segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Casal Presidenciável – dossiês e vuvuzelas por Ricardo Giuliani Neto

Ricardo Giuliani Neto - 14/06/2010

no Última Instância

Na semana onde as principais candidaturas à Presidência da República foram homologadas pelas convenções partidárias, terminando com a hipocrisia das “prés” isso e “prés” aquilo, o casal da festa cívica não são nem Serra nem Dilma, ou tampouco Dilma e muito menos Serra; quem está mandando no pedaço são os dossiês e as vuvuzelas.

No linguajar da política brasileira, dossiê quer dizer um monte de lixo que se faz juntar para ser atirado contra o adversário da ocasião, ou, por outro ângulo, o do acusado, é o mote capaz de gerar manchetes de jornal vitimizantes para quem pratica um monte de lixo ou tem um monte de lixo na sua volta. A intensidade com que se detona ou com que se denuncia um dossiê só é comparável aos decibéis de uma vuvuzela soprada a plenos pulmões pelos queridos irmãos da terra de Madiba. Dizem os experts que o barulho da vuvuzela supera o de um helicóptero; com um barulho desses, não há como dormir...

Sim, nada é mais necessário ao Brasil do que a discussão política sobre o nosso futuro, sobre um novo desenho institucional, sobre as políticas econômicas capazes de nos preparem para o enfrentando dos gigantes industriais do século XXI.

Escrevo no domingo, e a Argentina já ganhou da Nigéria e o centro das atenções não foi o bom jogo do Messi, mas o terno de Diego Armando; a Inglaterra empatou com os Estados Unidos e o goleirão do time bretão, onde os jornais todos moveram-se contra o Carlos Simon, engoliu um frango do tamanho do vazamento de óleo bruto ocorrido no Golfo do México sob o desleixo da British Petroleum; a Africa do Sul não perdeu seu jogo contra o México e o Parreira leva seu primeiro pontinho na sua nona Copa do Mundo. É no domingo que a política brasileira começa a se definir para o futuro das vuvuzelas ou para o ocaso dos dossiês. Ambos, vuvuzelas e dossiês trazem consigo a capacidade de despolitizarem a nossa festa cívica e a qualidade de, gostemos ou não, termos a nossa atenção por eles, lixos e barulhos, canalizada.

O gozado nisso tudo é que as convenções partidárias ocorrem num contexto onde ninguém quer saber de política. O assunto é Copa do Mundo e azar é de quem não gosta do Dunga; o sucesso dele será o nosso sucesso também. Sim, tudo mais ou menos como na política: todo mundo odeia todo mundo, mas o sucesso do odiado representa ou pode representar melhores dias para todos nós. A antipatia pessoal, melhor dizendo, a falta de carisma pessoal de Dilma e de Serra talvez nos encaminhe para uma companha onde possamos discutir, verdadeiramente, as nossas vidas e os nossos futuros. É evidente que os marqueteiros terão grandes problemas, pois, e é o que penso, não será fácil fazer uma campanha vendendo sabonetes, terão que “vender” propostas para o Brasil.

Acreditem caríssimos concidadãos, neste junho, o casal presidencial não domina a festa! Estamos todos perdidos e consumidos pelo sonho do campeonato, pelo êxtase do sexto título mundial. E a coisa vai tão feia pra política que somente o som dos dossiês, o som dos aloprados, os gritos do lixo, consegue rivalizar com o barulho das vuvuzelas.

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