segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cuba libertará 20 presos na noite desta segunda-feira

AFPno R7

O grupo seguirá direto para a Espanha e deve chegar amanhã a Madri

A Igreja Católica de Cuba acrescentou nesta segunda-feira (12) três novos nomes à lista de presos políticos a serem libertados hoje à noite, somando 20 os que vão viajar para a Espanha. A libertação faz parte da decisão do governo de Havana na última semana de libertar 52 dissidentes num prazo de até quatro meses.

O Arcebispado de Havana anunciou em comunicado que Jesús Mostafá, condenado a 25 anos, Omar Rodríguez e Antonio Díaz "vão seguir em breve" para Madri, capital da Espanha. Os três completam um grupo de 17 pessoas com a libertação já anunciada.

Familiares de ao menos cinco presos estão em uma unidade militar do Ministério do Interior, no sudoeste da capital, e em outras dependências do governo para a realização de procedimentos migratórios.

O grupo deve chegar nesta terça-feira (13) em Madri, informou o ministério das Relações Exteriores espanhol.

A Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional estima que pelo menos 167 pessoas permanecem nas prisões em Cuba. Os 52 presos que o governo prometeu libertar fazem parte do chamado "grupo dos 75", preso desde 2003.

A libertação dos dissidentes políticos deu fim à greve de fome do dissidente Guillermo Fariñas, que protestou durante mais de quatro meses e, segundo amigos e familiares, estava à beira da morte quando a medida foi anunciada.

Fidel Castro grava programa de televisão

No mesmo dia da libertação de 20 presos políticos, o líder comunista e ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, 83 anos, participa como convidado de um programa da televisão cubana, o Mesa-Redonda. O anúncio veio do jornal oficial Granma, sem precisar se o programa será gravado ou transmitido ao vivo.

O programa vai abordar a situação do Oriente Médio e, principalmente, o confronto entre as grandes potências ocidentais e o programa nuclear do Irã.

Esta será primeira aparição em vídeo do líder comunista em um ano.

A última vez que Fidel, doente e aposentado do governo há quatro anos, apareceu em vídeo foi há 11 meses, e na quarta-feira passada ele visitou um centro científico de Havana, onde foram tiradas fotografias, divulgadas logo pela mídia cubana.

O ex-presidente e pai da Revolução cubana escreveu nas últimas semanas inúmeras cartas na imprensa local sobre questões mundiais, sem citar em nenhuma vez os acontecimentos em seu país - principalmente a decisão do irmão e sucessor, Raúl, de libertar gradualmente 52 presos políticos.

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