sábado, 10 de julho de 2010

Mansur é acusado de desviar R$ 10 milhões de usina

Um dos donos da Galo Bravo diz que, além de não cumprir acordo, ex-dono do Mappin pede compensação para desfazer negócio


Gustavo Porto / RIBEIRÃO PRETO - O Estado de S.Paulo

Onze meses depois de assumir a Usina Galo Bravo, em Ribeirão Preto (SP), o empresário Ricardo Mansur deixou o comando da empresa em meio a uma confusão. Ele é acusado por um dos donos da Galo Bravo, o empresário Alexandre Balbo, de desviar ao menos R$ 10 milhões da usina, além de pedir bens de sua família em troca do fim do negócio. Mansur, que não se manifesta, teria deixado a cidade e retornado a São Paulo.

Segundo Balbo, filho de Ademar Balbo, proprietário da usina negociada em agosto do ano passado com Mansur, o dinheiro desviado foi utilizado para sustentar a tentativa de retomada dos negócios do empresário em Ribeirão Preto, que teria incluído até a compra de um avião. A aeronave já teria sido devolvida.

No mês passado, advogados de Balbo conseguiram revogar a procuração dada para Mansur gerir a usina e saneá-la financeiramente. "Ele não pode fazer mais nada em relação aos ativos da empresa, mas estamos querendo tirá-lo para fora de uma vez", disse Balbo. Por meio de uma carta, Mansur teria ameaçado o empresário caso a revogação da procuração fosse divulgada.

De acordo com Balbo, praticamente nada foi pago do valor acordado na aquisição e gestão da Usina Galo Bravo. A promessa de sanear financeiramente a companhia, que tinha uma dívida estimada em R$ 450 milhões pelos credores, não foi cumprida. "A intenção era resolver os problemas e ele colocar alguns recursos na empresa, mas isso não aconteceu. Além de (Mansur) não resolvê-los, ele piorou os problemas", diz.

Balbo afirma que, enquanto a família quer retomar o patrimônio, a intenção de Mansur é vender a usina ou ainda ter algum bem em troca para deixar o negócio. "Ele não quer devolver, pede um monte de coisa em troca: terra, área, mas não temos de dar nada não", disse. "Queremos pegar a usina de volta e está tendo uma briga que não é jurídica, ao menos por enquanto."

Cheque sem fundo. A usina Galo Bravo segue sem processar cana e produzir açúcar e álcool, após iniciar a safra de abril deste ano. Os trabalhadores estão parados por falta de pagamento de salários, uma dívida estimada em R$ 1,5 milhão. Na próxima semana, o procurador do Ministério Público do Trabalho em Ribeirão Preto, Charles Lustosa Silvestre, ajuizará uma ação civil pública para apurar os constantes atrasos no pagamento de salários e pagamentos com cheques sem fundo.

O envolvimento de Mansur com a Usina Galo Bravo é mais um capítulo da série de negócios que ele tentou emplacar no último ano. No mês passado, Mansur devolveu a Destilaria Pignata, em Sertãozinho (SP), adquirida no início deste ano. No início de abril, Mansur também desfez a aquisição da Faculdade Batista de Vitória, no Espírito Santo, negociada em 2009, e reassumida pelo Instituto Batista de Educação de Vitória, após o empresário deixar de pagar parcelas da aquisição.

As investidas do empresário, ex-dono das falidas redes Mesbla e Mappin (marca adquirida pela Marabraz) e do banco Crefisul, liquidado pelo Banco Central, geraram desconfiança da Justiça. Luiz Beethoven Ferreira, juiz responsável pelo processo de falência do Mappin, pediu o arresto do patrimônio de Mansur, de outras cinco pessoas ligadas ao empresário, bem como de empresas apontadas como laranjas. O pedido foi feito justamente após as informações de que Mansur teria adquirido bens após retornar ao mundo dos negócios. Advogados de Mansur, no entanto, conseguiram derrubar o pedido no Tribunal de Justiça de São Paulo.



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