O Parlamento iraniano aprovou neste domingo uma lei que respalda os recentes avanços do programa nuclear do país e pede ao governo que assegure o fornecimento de urânio enriquecido a 20% para os reatores de pesquisas e médicos.
O irã começou a enriquecer urânio a 20% de pureza --contra os 5% anunciados inicialmente- em fevereiro deste ano, após fracasso de um acordo com as potências para a troca de seu urânio pouco enriquecido (3,5%) por combustível nuclear. Há uma semana, Teerã anunciou já ter produzido 20 kg de urânio enriquecido a 20%.
O anúncio alarmou o Ocidente, que o viu como um passo na produção de urânio que pode ser usado em armas, que é enriquecido em 90%. O Irã afirma que seu programa nuclear é puramente pacífico e tem objetivo de geração de eletricidade.
Brasil e Turquia fecharam em 17 de maio um acordo com o Irã no qual esse país comprometeu-se a trocar em território turco 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido (a 3,5%) por 120 kg de combustível processado a 20% para alimentar seu reator de pesquisas médicas de Teerã. O acordo, contudo, não impede Teerã de manter o enriquecimento em seu próprio solo.
Em 9 de junho, diante da insistência iraniana em enriquecer urânio em seu território, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou um quarto pacote de sanções ao programa nuclear do país.
A lei aprovada neste domingo pretende "frustrar o complô dos Estados Unidos e Reino Unido e proteger os avanços nucleares pacíficos", segundo os parlamentares, que aprovaram a lei por ampla maioria.
O projeto também obriga o governo islâmico a investir em diferentes setores da tecnologia atômica, entre eles a produção de combustível nuclear. Em contrapartida, o Parlamento insta Teerã a cumprir suas obrigações como signatário do Tratado de Não Proliferação.
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