A preservação do Procurador-Geral do Ministério Público do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, no cargo, foi a senha para o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivar o pedido de intervenção em Brasília, que jamais quis, apesar da gravidade das denúncias que o sustentava.
Acusado de receber do governo Arruda propina de R$ 1,6 milhão e mais uma mesada de R$ 150 mil, Bandarra foi mantido no cargo por 7 votos a 5 em sessão do Conselho Nacional do Ministério Público no dia 7 de junho. Menos de um mês depois, por 7 votos a 1, o plenário do STF arquivou a intervenção.
No âmbito do Supremo jamais se questionou o embasamento jurídico do pedido, mas a medida sempre foi considerada radical demais e preferiu-se cozinhar em banho-maria o assunto à espera da melhor oportunidade de livrar-se dele.
A pizza produzida pelos procuradores deu aos ministros do STF essa oportunidade. ''Se não são capazes de intervir na sua própria casa, não podem querer intervir nas outras'', disse um deles, sintetizando o espírito da maioria.
O viés político da decisão fica claro no voto do ministro Marco Aurélio, para quem a intervenção teria ''repercussão nefasta, tumultuando as eleições com extensão inimaginável''.
Nesse contexto está a autonomia política de Brasília, que voltaria a ser questionada com a Capital sob intervenção.Autor arrependido da emenda que a instituiu, o deputado Paulo Delgado (PT-MG), pretendia liderar sua extinção.
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