terça-feira, 10 de agosto de 2010

A indústria é marginalizada nos projetos da Petrobrás

O Estado de S.Paulo


A Petrobrás se tornou a maior investidora do País e, ao mesmo tempo, os bens importados atingiram o valor recorde de 18% do consumo. Esses dois fatos dão maior destaque às queixas da indústria nacional de que não consegue aumentar sua participação na lista dos fornecedores da Petrobrás, justamente quando ela aumenta consideravelmente suas compras.
Essa queixa tomou nova dimensão depois de baixada, em 19 de julho, a MP 495, cujo modelo é o "Buy American Act", de 1933, ampliado em 2009.
A Petrobrás, ícone do nacionalismo brasileiro, deu preferência aos bens importados por diversas razões: maior confiança na qualidade desses bens, prazos de entrega mais firmes, preços mais baixos e financiamento externo - muito interessante para ela, no momento em que precisa se capitalizar. E pode argumentar que respeita as normas brasileiras quando, para a construção de navios ou de plataforma de exploração, atinge 65% de conteúdo nacional, comprando aço brasileiro (o que nem sempre é o caso) e usando trabalho brasileiro na montagem dos bens encomendados.

Na realidade, a Petrobrás se recusou a planejar e anunciar suas encomendas futuras, o que permitiria à indústria nacional fazer os investimentos em equipamentos e, mais ainda, em tecnologia, tornando-se apta a responder às necessidades da estatal. Isso teria exigido uma participação financeira do BNDES para favorecer os investimentos e um compromisso da Petrobrás de comprar os novos produtos na quantidade que permitisse a economia de escala necessária para que eles tivessem preços sensivelmente próximos dos do fornecedor estrangeiro.

O Brasil perde, deste modo, uma grande oportunidade de o programa do pré-sal ser capaz de funcionar como motor da modernização de nossa indústria. Esta, em lugar de passar por uma fase de desindustrialização, como agora, teria capacidade de exportar produtos manufaturados de alto teor tecnológico a preços suscetíveis de enfrentar a concorrência internacional. O exemplo da Noruega deveria ter-nos inspirado.

A Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) se queixam de que a participação de ambas nos bens que a Petrobrás encomenda se encontra marginalizada e sugerem que a exigência do conteúdo local seja aplicada para cada segmento do projeto de exploração do pré-sal, o que permitiria o desenvolvimento de um setor tecnologicamente essencial.

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