quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Recessão se aprofunda na Grécia

Plano de austeridade fiscal adotado pelo país aumentou a contração da economia

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

O plano de austeridade adotado pela Grécia faz a recessão se aprofundar no país. Ontem, o governo indicou que a economia grega sofreu uma contração de 3,5% no segundo trimestre do ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em comparação ao primeiro trimestre de 2010, a queda foi de 1,5%.

"Uma queda nos investimentos e uma redução significativa no consumo público contribuíram para a queda do PIB", afirmou o governo em um comunicado. O que mais preocupa, porém, é que contração está acelerando, e não perdendo força. No primeiro trimestre, a queda havia sido de 0,8%.

Mas o impacto do plano de austeridade está se aprofundando na economia. Entre as medidas está o corte de salários de funcionários públicos, fim de benefícios e aumento nos impostos sobre combustível, cigarro e bebida. Mas o que ainda pesou muito foi o corte drástico em gastos públicos em obras e outros investimentos.

"A atividade econômica parece estar em queda em um ritmo acelerado diante das incertezas e da implementação gradual das medidas de austeridade", afirmou Nikos Magginas, economia no Banco Nacional da Grécia. Segundo ele, os números são piores que o imaginado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia grega terá uma contração de 4% neste ano, depois de já cair outros 2% em 2009. Esse cenário ocorre diante de um aumento nos impostos e cortes profundos nos gastos públicos. O governo não acredita que a queda em 2010 seja tão profunda como diz o FMI e aposta em uma contração de 3%.

Em apenas um ano, o desemprego subiu de 8,5% para 12,5%, com trabalhadores principalmente de pequenas e médias empresas sendo os mais afetados. Entre os jovens, o desemprego chega a 32,5%. Não por acaso, a recessão e o plano de austeridade já levaram milhares de trabalhadores a protestar nas ruas de Atenas.

Na Grécia, o escritório de estatísticas ainda está ligado ao governo e o Parlamento discute uma lei para torná-lo independente. Nos últimos anos, acusações de que o escritório teria sofrido pressões políticas para modificar números das economia abalaram a relação com o restante da UE. Agora, matemáticos do FMI e da Eurostat - escritório de estatística da Europa - foram contratados para reformar o serviço grego de compilação de dados.

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