terça-feira, 10 de agosto de 2010

Temendo atentados, Uribe troca palácio por vida em quartel

João Paulo Charleaux - O Estado de S.Paulo
Álvaro Uribe deixou o governo há três dias com o melhor índice de aprovação já obtido por um presidente colombiano nos últimos 50 anos - 75% dizem ter uma boa imagem dele e 80% apoiam sua gestão.

Em vez de deixar a Casa de Nariño nos braços do povo, o ex-presidente colombiano saiu da sede do governo direto para a polícia. Desde o dia 7, ele vive no edifício da Direção Nacional de Inteligência colombiana, que é provavelmente um dos locais mais fortemente protegidos do país.

Temendo ataques de membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), do Exército de Libertação Nacional (ELN) e de grupos paramilitares de direita, Uribe buscou abrigo no quartel fazendo uso de um decreto especial publicado em maio, que amplia as garantias de segurança às quais têm direito os ex-presidentes colombianos e seus parentes. Nos últimos quatro anos, ele pôs em presídios da Colômbia e dos Estados Unidos dezenas de guerrilheiros, narcotraficantes e paramilitares que teriam razões para assassiná-lo.

Processos. O temor de Uribe não é restrito às ameaças de criminosos0s. Ele também tem buscado de todas as formas blindar-se contra ataques jurídicos. Fontes citadas pela revista colombiana A Semana dizem que, no início de agosto, Uribe viu ruir na Comissão de Acusações a única tentativa de acordo que poderia lhe dar garantias de imunidade contra processos judiciais no futuro. A comissão é a única instância do Judiciário colombiano com poderes para julgar um ex-presidente.

Além de Uribe, seus colaboradores mais próximos também foram alertados a buscar proteção. Bernardo Moreno, acusado de envolvimento num caso de escutas ilegais no serviço de inteligência, foi aconselhado a deixar a Colômbia. Como ele, o ex-embaixador colombiano na Itália Sabas Pretelt - acusado de participar num esquema de compra de votos de políticos para a aprovação de uma lei que daria a Uribe o direito de concorrer a um terceiro mandato - recebeu um aviso para que evitasse voltar à Colômbia agora.

Problemas de saúde. A revista lembra ainda que, em menos de 24 horas, ao longo da última semana que Uribe esteve no governo, foram publicados nada menos que cinco comunicados oficiais fazendo referência direta às investigações judiciais em curso contra os aliados do agora ex-presidente colombiano. O temor de ataques violentos cometidos pela guerrilha e de querelas jurídicas lançadas contra Uribe e seus aliados já estaria afetando até a saúde do ex-presidente.

Antes de deixar o governo, ainda no dia 29, médicos da Clínica Santa Fé, de Bogotá, atenderam Uribe no palácio presidencial. Segundo fontes do governo, ele estaria sofrendo com um intenso problema dermatológico no rosto, que já afetou o ex-presidente colombiano em outros momentos de forte estresse emocional. Uribe tem dito que gostaria de ter um programa de rádio para falar da política de segurança de seu governo.


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