terça-feira, 7 de setembro de 2010

China promete aumentar importações de forma ‘vigorosa’


Declarações coincidem com a visita a Pequim do diretor do Conselho Nacional Econômico dos Estados Unidos, Larry Summers

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo

PEQUIM - A China prometeu nesta terça-feira, 7, aumentar de maneira "vigorosa" suas importações, em uma tentativa de neutralizar as críticas contra a cotação de sua moeda, que ganhou menos de 1% em relação ao dólar desde que o governo voltou a permitir sua apreciação, no dia 19 de junho.

As declarações conciliadoras coincidiram com a visita a Pequim do diretor do Conselho Nacional Econômico dos Estados Unidos, Larry Summers, que mais uma vez se queixou do patamar depreciado do yuan. Sindicatos e representantes da indústria norte-americana sustentam que a cotação artificialmente baixa da moeda dá aos exportadores chineses uma vantagem desleal, já que torna mais baratos os preços de seus produtos quando convertidos ao dólar.

Os congressistas norte-americanos que retomam o trabalho na próxima semana ameaçam mais uma vez aprovar projeto de lei que impõe barreiras às importações da China em razão do patamar supostamente depreciado de sua moeda.

Desta vez, a proposta abre caminho para a indústria pedir tarifas adicionais sobre produtos chineses, sob o argumento de que o câmbio desvalorizado representa um subsídio direto aos exportadores do país.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos esteve prestes a declarar a China como um país que manipula sua moeda em relatório que seria divulgado em abril. A decisão abriria caminho para a imposição generalizada de barreiras às importações da China.

O recuo teve o objetivo de apaziguar o relacionamento bilateral, que havia sido marcado por uma sucessão de confrontos desde o início do ano, em torno de temas como Taiwan, Tibete e o fechamento do escritório do Google na China.

Dois meses depois, Pequim anunciou que estava abandonando a política pela qual manteve a cotação de sua moeda inalterada em 6,83 yuans por US$ 1 durante dois anos, em resposta à crise financeira global. Mas desde então, a apreciação foi mínima, abaixo das mais conservadoras estimativas do mercado.

Analistas estão revendo suas previsões anteriores de que o yuan poderia ganhar cerca de 3% em relação ao dólar até o fim de 2010. Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered para a China, acredita agora que a cotação estará em 6,75 em dezembro - a estimativa anterior era 6,63.

Em julho, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, voltou a descartar a caracterização da China como país manipulador da moeda. "O que importa é quanto e quão rapidamente o renminbi se aprecia", declarou o secretário na época, utilizando o outro nome da moeda chinesa.

Com eleições legislativas em novembro e a popularidade em baixa, o governo de Barack Obama terá pouca disposição política para se opor a uma decisão do Congresso contrária à China.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Jiang Yu, afirmou ontem à tarde que a reforma do sistema cambial não pode ser realizada em resposta à "pressão externa". O conselheiro de Estado para relações internacionais, Dai Bingguo, já havia dito a Summers durante a manhã que as divergências entre os dois países devem ser resolvidas por meio do diálogo "silencioso e profundo". Em outras palavras, a China espera que os norte-americanos exponham suas razões em encontros privados, distantes do alcance da imprensa.

Pequim disse que aumentará as importações de alta tecnologia e equipamentos essenciais, com especial atenção aos países com os quais possui grandes superávits, revelou o vice-diretor de relações internacionais do Ministério do Comércio, Chong Quan.

Segundo ele, o objetivo do governo é que o superávit comercial fique em US$ 150 bilhões neste ano, abaixo dos US$ 190 bilhões registrados em 2009 e dos US$ 290 bilhões de 2008.


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