sábado, 6 de novembro de 2010

Depois de meses desrespeitando, Lula pede respeito





no Josias de Souza


Há dois lulas na praça: o Lula Jekyll e o Lula Hyde. Durante a campanha, só de raro em raro o monstro permitiu que o médico se manifestasse.

Na pele de Dr. Jekyll, Lula viajava aos Estados para cumprir compromissos oficiais do presidente.

À noite, transmudado em Mr. Hyde, Lula exibia Dilma Rousseff nos palanques e desancava os adversários.

Não queria apenas derrotar os rivais. Almejava estraçalhá-los, destroçá-los. Se prossível, extirpá-los.

Mesmo depois do triunfo eleitoral, o monstro se manifestaria na primeira entrevista de Lula. Ao lado de uma Dilma já eleita, chamou os opositores de “raivosos”.

Pois bem. Na noite desta sexta (6), o Lula ocupou uma cadeia nacional de rádio e TV. Encenou o papel de médico.

Depois de instilar desrespeito por quatro meses, pregou o respeito:

“É importante que governo e oposição, sem abrir mão de suas posições, respeitem-se mutuamente".

Após o ciclo de rara incivilidade, defendeu o início de uma fase madura e civilizada:

"Passadas as eleições, quando é compreensível que o calor da disputa gere confrontos mais duros...”

“...É importante que governo e oposição, sem abrir mão de suas opiniões, respeitem-se mutuamente e divirjam de forma madura e civilizada".

Nada de estaçalhar ou extirpar. Tornou-se, de repente, cultor das liberdades democráticas:

"Os escolhidos para governar devem ter a liberdade para organizar suas equipes e colocar em prática suas propostas [...]...

“...Já aqueles a quem o povo colocou na oposição devem ter a liberdade de criticar e apontar os erros dos governantes, para [...] se constituir como alternativa".

Colecionador de multas por transgressões à legislação, até a Justiça Eleitoral o presidente elogiou.

Nos palanques, Lula Hyde exibira-se de cabeça para baixo, de trás para diante e pelo avesso.

Na rede nacional de rádio e TV, Lula Jekyll revelou-se personagem de rara sensatez.

A melhor maneira de você acreditar no bom senso de um é aguardar pela próxima aparição tresloucada do outro. Não resolve nada. Mas evita a decepção.

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