domingo, 7 de novembro de 2010

do João Bosco Rabello



Na bolsa de especulações em torno dos ministeriáveis de Dilma Rousseff, própria das fases de transição entre governos, pouco se tem ainda como certeza. O tamanho e a complexidade da aliança que a elegeu tornam incertas ainda as pastas a serem ocupadas mesmo por aqueles com presença indiscutível no futuro governo.
Para acomodar situações a presidente eleita poderá remanejar posições sem abrir mão de auxiliares que considera indispensáveis. Entre as sugestões recebidas por Dilma está a de preservar, pelo menos por um prazo razoável para a tranquilidade do mercado, diante da crise externa, os titulares da área econômica, Guido Mantega e Henrique Meirelles. Não se sabe se o fará.

O pouco certo, hoje, está na área de informações estratégicas do governo, que passará por uma reformulação imediata, e da pasta da Defesa, onde a permanência de Nelson Jobim, ainda que não por todo o governo, parece importante para consolidar o processo de submissão militar ao poder Civil, objetivo que deu causa à criação do ministério, no governo Fernando Henrique.

No caso da área de informações, abrangendo a Abin e o gabinete de Segurança Institucional, o diagnóstico é que precisa ser submetida a uma política de governo que faltou no período Lula. Na linguagem militar, precisa ter missão para não cair na espionagem política. O conceito a orientar a reforma da área deverá ser o da defesa do Estado e de ação preventiva que permita ao governo se antecipar a crises.


Voo próprio

Não foi bem digerida no PSDB e no DEM a proposta do governador Aécio Neves de uma oposição "generosa" ao futuro governo Dilma. O adjetivo poderia ter ficado de fora das declarações do mineiro, sobretudo porque foi simultânea ao lançamento pelo PSB de seu nome para presidir o Senado. A leitura é a de que Aécio traça seu próprio projeto de chegar ao posto numa aliança com partidos governistas, à revelia de seus aliados. Daí a onda de declarações sobre uma oposição "combativa" por parte de oposicionistas, entre os quais o governador paulista, Alberto Goldman, e o senador eleito Itamar Franco (PPS-MG).
Café, leite e... macaxeira
Do deputado baiano José Carlos Aleluia, sobre a derrota de José Serra: "A oposição ainda não aprendeu que não se vence mais eleição sem o Nordeste. Foi-se o tempo da política café-com-leite (São Paulo e Minas). Hoje é café com leite e macaxeira". Mesmo com um milhão de votos, ele não se elegeu para o Senado e interrompe um ciclo de sete mandatos.

Sem acordo
Continua feia a briga entre PMDB e PT pela presidência da Câmara. O único consenso é que cada biênio caberá a um dos dois partidos. O problema é quem começa, definição esperada para janeiro. Depois da última reunião com Dutra para tratar do assunto, Temer voltou a ouvir que seu partido não quer papo sobre isso com o PT: foi no Rio, na festa de casamento da filha do deputado Henrique Eduardo Alves (RN), que pleiteia o cargo na condição de mais antigo deputado, assumindo em janeiro o 11.º mandato consecutivo.

Sob risco
Derrotado nas urnas, o ex-ministro Alfredo Nascimento corre o risco de não conseguir espaço no governo Dilma, por ter apoiado no Amazonas, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio - um dos mais ferrenhos adversários do presidente Lula.

fonte: O Estado de São Paulo


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