quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nosso homem no Haiti



Por Gabeira
do Blog do Gabeira

Ricardo Seitenfus é um gaúcho corpulento que se parece fisicamente com o Ministro Jobim. É um grande especialista brasileiro em Haiti. Tive oportunidade de encontrá-lo duas vezes, em audiências públicas, e li seu livro. No principio, discordávamos sobre a presença do Brasil. Ele era um entusiasta. Eu, cético. Com o tempo e o conhecimento do que faziam os brasileiros, achei que valia a pena, apesar de tudo.
Um dos pontos que me preocupava quando discutimos na Câmara a ida do Brasil era a falta de saída. Num livro de Graham Greene sobre o Haiti, traduzido aqui como Comediantes, já se falava em estrada construída pelos americanos. Os franceses também tentaram ajudar. Nada parecia prosperar nesta ajuda internacional, no sentido de tornar o Haiti autônomo e autosustentável.
Seitenfus tornou-se funcionário da ONU e agora, com a desaparição do chefe da missão e do brasileiro que o secundava, o trabalho ficou sob sua responsabilidade. Ele teme, numa entrevista hoje ao Estado de São Paulo, que o Haiti recue 15 anos no tempo. Mas embarcou para lá, para enfrentar sua nova missão. Desejo que tenha êxito. Ricardo Seitenfus e os brasileiros que estão em Porto Príncipe merecem todo nosso apoio. O lado nobre e humanitário de nosso país encontrou no Haiti sua mais alta expressão.
Ontem, no primeiro blog, trabalhando com noticias iniciais, não falava ainda em mortos brasileiros. No principio da manhã, soube pelo assesor parlamentar do Ministério da Defesa, que eram quatro militares. Ao longo do dia, o número subiu para 14 militares, Zélia Arns e ainda há alguns desaparecidos.

http://www.seitenfus.com.br/

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