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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Zilda Arns


Foto de arquivo de Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e vítima fatal do forte terremoto que atingiu o Haiti

A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morreu aos 75 anos vítima do forte terremoto abalou o Haiti na terça-feira (12). A informação foi divulgada pelo gabinete do senador Flávio José Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda.

Irmã do cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, Zilda estava em Porto Príncipepara um encontro com bispos e realizaria, às 10h desta quarta-feira, uma palestra sobre a Pastoral da Criança na Conferência Nacional dos Religiosos do Caribe. Na quinta-feira, teria um encontro com representantes de ONGs. A viagem de volta ao Brasil estava prevista para sexta-feira (15).

Ela caminhava pelas ruas de Porto Príncipe ao lado de um sargento do Exército Brasileiro - que não foi identificado – quando foi atingida pelos escombros de um prédio que ruiu com o terremoto. Os dois foram atingidos e morreram.

Nesta quarta-feira, por volta das 10h, o senador se deslocava para a Base Aérea da Aeronáutica, de onde pegaria um voo para o Haiti.

Luto oficial

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), que está em Brasília, informou, peloTwitter, que decretou luto oficial de três dias no estado pela morte da amiga. "Grande perda para o Brasil e dor para os amigos", disse o governador.

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), que está em Washington (EUA), também comentou a morte de Zilda no microblog. "Não existe sensação de perda maior. A humanidade perde com a ausência dela", escreveu Richa.

Vida dedicada à saúde pública

Nascida em Forquilhinha, Santa Catarina, Zilda morava em Curitiba desde os 10 anos de idade, quando se mudou com a família. Deixou cinco filhos e dez netos.

Formada em Medicina, escolheu o caminho da saúde pública desde cedo. Trabalhou inicialmente como pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, na capital paranaense, e posteriormente como diretora de Saúde Materno-Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná.

Em 1980, foi convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná.

Em 1983, a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criou a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majela Agnello, cardeal e arcebispo primaz do Brasil, que na época era arcebispo de Londrina. Em 2008, mais de 1,9 milhão de gestantes e crianças menores seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres foram acompanhados pela ONG em 4.063 municípios brasileiros. Ao todo, a Pastoral conta com mais de 260 mil voluntários que levam conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.

No ano de 2004, também a pedido da CNBB, fundou a Pastoral da Pessoa Idosa que atende 129 mil idosos acompanhados, todos os meses, por 14 mil voluntários.

Reconhecida internacionalmente pelo trabalho que realizava, Zilda Arns era cidadã honorária de 10 estados e 35 municípios. Recebeu títulos de doutor honoris causa de cinco universidades: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade Federal do Paraná, Universidade do Extremo-Sul Catarinente de Criciúma, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Sul de Santa Catarina.

Entre os prêmios que recebeu ao longo da carreira estão o Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation, em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA); Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); 1º Prêmio Direitos Humanos (USP/2000); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997) e Prêmio Internacional em Administração Sanitária (OPAS/ 1994).

Brasileiros no Haiti

Há 1.310 brasileiros no Haiti, segundo o Itamaraty. O tremor matou ao menos quatro militares brasileiros que servem na força de paz da ONU no país caribenho.

Os militares mortos são do 5º Batalhão de Infantaria Leve sediado em Lorena, interior de São Paulo. Ao menos outros cinco militares brasileiros ficaram feridos.

O general Carlos Alberto Neiva Barcellos, chefe do setor de comunicação social do Exército, disse a jornalistas que há grande número de militares brasileiros desaparecidos após o terremoto.

O Brasil, que lidera as tropas de paz da ONU no Haiti, participa da Minustah com 1.266 militares. O contingente total da missão é de 9.065 pessoas, sendo 7.031 militares, segundo dados de novembro.



Da Gazeta do Povo

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