quinta-feira, 17 de junho de 2010

Copa? Não. É a economia! - ALBERTO TAMER

ALBERTO TAMER - O Estado de S.Paulo

Não dá para não falar da Copa. Triste essa vitória apertada. A seleção brasileira ganhou, mas não convenceu. Lula ficou decepcionado, acha que a equipe andou devagar, mas vai melhorar. Todo o Brasil também.

Acreditem, fiquei até com pena dos coreanos, que jogaram bem, mas correm o risco de serem presos quando voltarem. Perder ou sair da competição são coisas que o ditador nuclear hereditário, King Jon-il, não pode aceitar. Nem seu filho herdeiro. Não sei se vocês sabem, a maior parte do time é formada por soldados do Exército coreano... A propósito, a colega Sonia Racy informou na sua coluna Direto da Fonte, no Estado de ontem, que a transmissão direta dos jogos foi proibida na Coreia do Norte! Só em vídeo, depois de censurados.... Acho que nem vão mostrar os gols do Brasil...

Copa é negócio. Mas vamos deixar de política. A questão não é a nossa "vitória, lengalenga", mas a importância da Copa na economia mundial. Copa do Mundo é assunto econômico dos bons. E muito. Estima-se que o evento deve movimentar U$200 bilhões, incluindo tudo, não só os jogos. Viagens, turismo, investimentos, obras, consumo. Pode ser um número exagerado, mas não é inviável. Abrange uma extensa máquina de comércio e consumo diluída por todos os países. Futebol não é mais coisa só de latino-americanos. São 26 bilhões de expectadores!

Aqui, é uma festa sob todos os aspectos. Só as vendas de tevês de cristal líquido aumentaram 135%! Mesmo se a Copa gerasse apenas US$ 100 bilhões, já seria muito num mundo que só agora começa a sair da recessão ajudado pelos emergentes; nós! Ainda engatinha enquanto a Europa afunda. Assim, venha o que vier de estímulo econômico com a Copa, está bom porque não há muitos sinais positivos mais adiante.

A Copa e a crise. Aqui, os economistas divergem. Alguns, dizem que a crise financeira prejudicou a Copa. Ela teria rendido mais se não fosse a recessão. Há milhões sem emprego e endividados para pensarem em futebol. Outros afirmam que a Copa deu um pontapé mesmo pequeno na economia mundial. Vamos lá, pontapezinho, como essa nossa amarga vitória de ontem, mas deu. A coluna concorda. Mais dinheiro foi investido, inclusive de fundos financeiros, e muito mais está sendo gasto neste mês de jogos. Mesmo se não chegarmos lá - cala a boca, satanás! -, todo mundo vai até o fim. Decididamente, a Copa está ajudando.

Para nós, é o prelúdio. Para a economia brasileira esta Copa é um prelúdio para a de 2014, com anos ainda melhores. O BNDES financiou obras para a Copa de empresas brasileiras em Johanesburgo e a exportação de ônibus da Marco Paulo e da Scania. Estamos investindo e cuidando agora da próxima, no Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê investimentos da ordem de R$ 135 bilhões para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Em infraestrutura necessária para sediar a Copa será R$ 105 bilhões e mais R$ 30 bilhões complementares para as Olimpíadas. Sem falar nos 300 hotéis que deverão ser construídos em parte com financiamento de R$ 250 milhões do BNDES.

Também o BID. A Copa de 2014 também contará com investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Do total previsto para o Brasil, este ano, de U$ 2,6 bilhões, pelo menos US$ 1 bilhão se destinam a obras de turismo, infraestrutura e saneamento para os dois eventos

Você está fugindo! Afinal, deve estar perguntando o leitor irritado, ficar aí falando dos "efeitos econômicos positivos" da Copa de 2014, o "senhor colunista" não está fugindo do assunto, esquecendo a Copa atual? Estou fugindo, sim, leitor amigo. Estou. Mas, leitor amigo, confessa só para mim, que não conto para ninguém, você também não está? Eta Copa que não acaba nunca!



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