Do Contas Abertas no Uol
No mesmo ano em que assumiu as cotas empresariais da ministra, Gabriela também conquistou o direito a um imóvel funcional residencial em Brasília, autorizado pela própria SPU, onde exerce cargo comissionado de nível quatro (DAS 4). O documento, assinado pela secretária, Alexandra Reschke, concedeu a autorização com base em um decreto que concede permissão de uso do imóvel funcional a servidores com cargo de natureza especial. Em maio deste ano, no entanto, um mês após Erenice tomar posse como ministra da Casa Civil, Gabriela teve a autorização revogada.
Segundo a assessoria da SPU, o apartamento funcional de três quartos não atendia mais as necessidades da servidora, já que ela teve o quarto filho. “Além disso, o apartamento funcional era muito antigo e acarretava muita manutenção, sendo mais econômico passar para um apartamento novo, alugado”, informa. A assessoria diz, ainda, que Gabriela é arquiteta e entrou na SPU no setor de regularização fundiária urbana, para o qual foi selecionada entre outros candidatos e contratada pela experiência profissional.
“A trajetória (de Gabriela) dentro da SPU tem o mérito da competência apresentada no desempenho de seu trabalho. O cargo de assessora lhe foi oferecido porque ela apresentou este perfil e aceitou sair da área finalística para a assessoria do gabinete da SPU, onde até hoje desenvolve com muita competência as tarefas e projetos que lhe são atribuídos”, conclui a assessoria de imprensa. Entre 2005 e 2010, Gabriela foi habilitada aos cargos de assessora especial DAS 101.2, 102.1, 102.2, 101.4 e 102.4.
Pelo menos até 2007, Gabriela foi casada com Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão de Erenice que passou pela Controladoria-Geral da União (CGU) e Infraero. Euriza de Carvalho, irmã da ex-ministra, também trabalhou no Ministério do Planejamento e é consultora da Empresa de Pesquisa Energética, de onde contratou, sem licitação, o serviço do escritório de advocacia onde trabalhava Eudacy.
O Contas Abertas procurou, sem sucesso, Erenice Guerra para saber se ela teria influenciado a contratação de sua ex-cunhada na SPU, já que a secretária do órgão é uma companheira de militância. No site da assessoria técnica do Partido dos Trabalhadores (PT), Erenice e Alexandra Reschke aparecem juntas na elaboração de uma nota técnica sobre um projeto de lei que "institui diretrizes nacionais para saneamento básico".
Em 2006, Alexandra também autorizou o uso do imóvel funcional residencial ao outro irmão da ex-ministra, José Euricélio Alves de Carvalho, que também exerceu cargo que dá direito ao imóvel. Ele aparece citado em auditoria da CGU por desvio de R$ 5,8 milhões da Editora da Universidade de Brasília, em contratos fantasmas firmados entre 2005 e 2008. Ao mesmo tempo em que prestava serviço à editora da universidade, o irmão de Erenice também ocupava um cargo comissionado no Ministério das Cidades. Ele teve a permissão de uso do imóvel funcional revogada em dezembro de 2007.
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