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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Retomada desacelera no País, diz OCDE


Para a entidade, processo de recuperação pós-crise já atingiu seu limite no Brasil e é o que mais perde fôlego entre os 35 principais mercados mundiais

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo

A recuperação da economia brasileira é a que perde mais fôlego entre os 35 principais mercados mundiais e o processo de retomada do crescimento no período pós-crise já teria atingido seu pico.

O alerta é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), confirmando que a recuperação mundial está sofrendo uma importante desaceleração e novos incentivos podem ser necessários para evitar que o Produto Interno Bruto (PIB) global volte a estagnar.

Amanhã, a quebra oficial do Lehman Brothers completa dois anos, incidente que deixou claro que o mundo vivia uma crise. Alguns meses depois da quebra do banco americano, o PIB global se contraía e trilhões de dólares tiveram de ser gastos por governos para salvar o sistema. Mas, diante da pior recessão em 70 anos, o sinal positivo veio dos países emergentes, que teriam resistido à queda.

Agora, a OCDE afirma que o bom momento da economia brasileira pode ter chegado a seu limite. Segundo a entidade, o Brasil dá "os sinais mais fortes" entre as maiores economias do mundo de que já atingiu seu pico de expansão. A partir de agora, a tendência é a perda de ritmo de crescimento.

"Fortes sinais". Outros dois países que vivem a mesma situação do Brasil são o Japão e os Estados Unidos. "Os sinais mais fortes de que a expansão perdeu ritmo surgiram no Japão, nos Estados Unidos e no Brasil", alertou a OCDE, em relatório publicado ontem.

Já a Alemanha e a Rússia estão em posição oposta e ainda viveriam uma expansão. Mas mesmo esses processos podem perder força ate o fim do ano. Segundo o levantamento, Canadá, França, Itália, Reino Unido, China e Índia dão "fortes sinais" de desaceleração da expansão econômica nos próximos meses. As indicações são de que essa perda de ritmo é mais acentuada do que a OCDE previa há apenas um mês.

A avaliação é feita com base nos principais índices econômicos do país, além da previsão de produção industrial. O Indicador Composto Avançado - que reúne todos os dados das economias - serve como um termômetro para medir qual a direção que seguem os principais atores mundiais.

Para avaliar a tendência, a OCDE estabeleceu o nível de 100 pontos como a base para identificar se há uma expansão ou contração da economia nos próximos seis meses. No documento publicado ontem, o Brasil é o único entre os 35 países avaliados que ficou abaixo dos 100 pontos, o que marca a desaceleração. O indicador brasileiro de julho ficou em 99,4 pontos, queda de 0,8 ponto em relação a junho.

O único ponto positivo se refere ao indicador brasileiro em relação aos últimos 12 meses. Nesse ponto, o País ainda mantém uma alta, o que permite à OCDE classificar a situação brasileira como tendo "possivelmente atingido o pico".

A avaliação da OCDE é de que o crescimento econômico dos países ricos deve sofrer também uma perda de fôlego ate o fim do ano. A zona do euro perdeu terreno nos indicadores, assim como a China e os Estados Unidos.

Alerta
"Os sinais mais fortes de que a expansão perdeu ritmo surgiram no Japão, nos Estados Unidos e no Brasil", aponta a OCDE, em relatório publicado ontem, no qual avalia 35 países.

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