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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

GE investirá US$ 500 milhões no País


Plano, para três anos, prevê centro de tecnologia no Rio e expansão de fábricas; grupo também anunciou acordos com a Vale e a MRS

Glauber Gonçalves - O Estado de S.Paulo
RIO
A GE anunciou ontem investimentos de US$ 500 milhões no Brasil nos próximos três anos. Além da construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento no Rio, o grupo vai investir no aumento da capacidade de fábricas e no desenvolvimento de novos produtos para os negócios de energia e petróleo e gás, que receberão cerca de US$ 200 milhões.
"Do ponto de vista estratégico, a GE volta sua atenção a áreas de crescimento muito rápido, que podem ser resumidas na sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), além de outros países ricos em commodities", disse o presidente da GE Internacional, Ferdinando Beccalli-Falco, em uma cerimônia no Morro da Urca, na zona sul do Rio.
Outros R$ 200 milhões vão para a expansão da capacidade e implantação de novas linhas de produção para as unidades da GE Healthcare e da GE Transportation, em Contagem (MG). Parte dos recursos será destinada a negócios de iluminação e à GE Aviation, em Petrópolis (RJ), onde atua por meio da Celma, unidade de manutenção de turbinas. O plano da GE é que, a partir de 2012, a Celma comece a fabricar e montar turbinas para aviões da Embraer. "A unidade será uma das plantas da GE no mundo a fabricar esses equipamentos do começo ao fim", disse Beccalli-Falco. Segundo o executivo, a Celma é uma das unidades de aviação da GE mais eficientes no mundo, o que teria pesado na decisão do investimento.
A empresa aposta que o pré-sal será um dos grandes propulsores de negócios nos próximos anos, gerando demanda por novas soluções que deem mais segurança às operações offshore e permitam reduzir os custos da exploração. É nessa área que o novo centro de pesquisas da companhia deve focar sua atuação numa primeira etapa. A GE, entretanto, já realiza pesquisas para desenvolver novas tecnologias para o setor.
Economia de energia. Um dos projetos envolve equipamentos que permitam a separação do petróleo no fundo do oceano. "Quando se extrai petróleo, obtém-se gás, água e areia, que precisam ser separados. Hoje, tudo é levado para a plataforma ou para instalações em terra para ser processado. Caso se possa separar o óleo lá embaixo, você economizará muita energia", explica o vice-presidente e diretor do Centro de Pesquisas Global da GE, Mark Little.
Segundo ele, a GE também está debruçada no desenvolvimento de uma "nova geração" de válvulas de prevenção e monitoramento em poços de óleo e gás, chamados de blowout preventers. Após o acidente na plataforma da BP no Golfo do México, em abril, a companhia começou a trabalhar na criação de uma caixa-preta para ser utilizada em associação às válvulas, com papel semelhante ao do equipamento usado em aviões.
"Esse equipamento armazenará todas as informações sobre a operação da plataforma e, se algo der errado, vai permitir que se descubra o que aconteceu para lidar melhor com os problemas", explica.
Ao anunciar a construção de seu centro de pesquisa no Rio, que terá investimento de cerca de US$ 100 milhões, a GE celebrou acordos com Vale e MRS Logística para a realização de pesquisas em conjunto. O termo de cooperação técnica firmado com a mineradora prevê parcerias em projetos relacionados a geração, armazenamento e distribuição de energia.
Já o acordo com a MRS pretende aprofundar estudos sobre a malha ferroviária no Brasil, especialmente na região Sudeste. Num primeiro momento, as pesquisas serão focadas no desenvolvimento de sistemas de segurança e de modelos mais rápidos e eficientes no transporte de cargas e de passageiros em grandes locomotivas. As pesquisas também deverão abranger inovações para escoamento da produção nacional.
PARA LEMBRAR
Grupo está no Brasil desde 1919
No começo de outubro, a GE anunciou investimento de US$ 10 milhões em um centro de serviços de manutenção de turbinas utilizadas na geração de energia e no setor de óleo e gás, em Petrópolis (RJ). Foi a primeira parte do pacote de US$ 500 milhões divulgado ontem. Hoje, a GE tem oito unidades industriais nos Estados de São Paulo, Minas e Rio, e oferece serviços financeiros, de manutenção para motores de aviões, geração de energia, transportes e saúde, entre outros. A empresa está no País desde 1919 e emprega mais de seis mil pessoas. Segundo a GE, atualmente o Brasil é um dos seus três principais mercados, ao lado da Arábia Saudita e Cingapura. 

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