terça-feira, 1 de junho de 2010

Presidente do PSDB cobra Dilma sobre "ações sujas"

LEONARDO SOUZA
DE BRASÍLIA

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse em entrevista à Folha que pessoas contratadas pela campanha de Dilma Rousseff estão envolvidas em "ações sujas" e cobrou que a candidata petista venha a público "se explicar".

Guerra disse que a ex-ministra não pode "se esconder, mais uma vez", como quando a Casa Civil produziu um dossiê para atacar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-primeira dama Ruth Cardoso.

"Tem que dizer quem fez, quem paga, quem está cuidando desses dossiês", disse Guerra, referindo-se à papelada que supostamente foi produzida por um "grupo de inteligência" do comitê da campanha petista com o intuito de atacar o pré-candidato tucano a presidente, José Serra.

Ele disse que os partidos que apoiam Serra (PSDB, DEM e PPS) vão se reunir amanhã para decidir quais medidas concretas poderão tomar nesse caso.

FOLHA - Como o sr. vê esse episódio?

SÉRGIO GUERRA - Essa questão não é nem com o Fernando Pimentel (um dos coordenadores nacionais da campanha de Dilma), nem com os aloprados, nem com a ministra Erenice Guerra (Casa Civil). É com a Dilma mesmo. Os aloprados de plantão, gente que montou uma fábrica de dossiês, estão a serviço da campanha dela, trabalhando para ela, em processos que nem nós nem o Brasil aceitam.

FOLHA - Na campanha de 2006, o PT também tentou comprar um dossiê contra o Serra.

GUERRA* - É o modus operandi deles. A montanha de dinheiro que apareceu para ajudar o candidato do PT em São Paulo até hoje ninguém sabe a origem dela. No episódio do dossiê contra a dona Ruth, a ministra Dilma desconversou, não explicou nada. Tem que dizer quem fez, quem paga, quem está cuidando desses dossiês. No nosso campo, não tem ninguém pensando em dossiê contra ninguém.

FOLHA - Esse chamado "grupo de inteligência" do PT acusa o PSDB de também manter uma estrutura de investigação na campanha, que seria coordenada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).

GUERRA - O Marcelo Itagiba está disputando um mandato de deputado federal no Rio, não passa nem pela campanha do Serra. Está a quilômetros da campanha do Serra. Mentira pura, fraude, safadeza. Não tem nada disso.

A campanha deles já demonstrou para quem quisesse ver que não respeita a lei, que se utiliza de gente sem responsabilidade para fazer acusações de baixo nível e agora reúne gente para organizar dossiê contra candidatos que competem com eles. Isso é um absurdo, nós não aceitamos isso. Nós temos conduzido a nossa conversa com o PT em outro padrão. Divergência sim, mas no limite da convivência respeitosa.

FOLHA - O PSDB vai tomar alguma medida concreta contra isso?

GUERRA - Amanhã teremos reunião da bancada. Já conversei com o presidente do DEM (Rodrigo Maia) e do PPS (Roberto Freire). Nós não vamos deixar isso por menos.

Mas o principal é que a candidata Dilma fale, explique e se justifique. Não dá para se esconder também nessa. Ela nunca explicou nada. Não se explicou no episódio da dona Lina [Vieira, ex-secretária da Receita Federal], não se explicou no caso do dossiê da Dona Ruth, no episódio do currículo [em que havia informação incorreta que Dilma havia completado mestrado na Unicamp]. É um padrão que ela está demonstrando. Vamos ver agora onde ela vai se esconder diante de um fato desse gravidade. Uma campanha organizando dossiê contra uma outra campanha, secreto, escondido, vergonhoso. Isso não pode perdurar. Nós não tratamos assim os nossos concorrentes. Não os tratamos como inimigos, mas como adversários.

Do nosso ponto de vista, ganhar, perder faz parte da luta. Importante é que no final a democracia e o país melhorem. Não é promovendo ações sujas que o país vai progredir.

Líbano abre fogo contra aviões israelenses, diz fonte

REUTERS

A artilharia libanesa abriu fogo contra aviões do Exército israelense no Líbano nesta terça-feira, mas sem deixar vítimas, disse uma fonte de segurança de Israel.

A fonte afirmou que o fogo teve como alvo os aviões israelenses, que faziam voos de reconhecimento sobre o sul do Líbano. Um porta-voz do Exército israelense não comentou o caso.

Israel frequentemente realiza voos de vigilância, apesar dos protestos libaneses.

A região fronteiriça tem estado bastante tranquila desde que uma trégua mediada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006, encerrou um mês de guerra entre as forças israelenses e a guerrilha Hezbollah, apoiada pelos iranianos, no Líbano.

A tensão aumentou na região depois que nove ativistas foram mortos a bordo de um navio turco de ajuda humanitária a caminho da Faixa de Gaza, quando militares israelenses interceptaram a embarcação no Mar Mediterrâneo na segunda-feira.

Oliver Stone grava vídeo com elogios a Dilma

EUGÊNIA LOPES - Agência Estado

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, ganhou hoje um cabo eleitoral "importado": o cineasta norte-americano Oliver Stone, que gravou um vídeo de um minuto e 31 segundos com elogios à petista. Diretor de filmes de sucesso como Platoon, Nascido em 4 de Julho e JFK, Stone reuniu-se com a petista por mais de uma hora, em seu comitê de campanha, em Brasília.

Na avaliação do cineasta, que se encontrou pela primeira vez com Dilma, a petista é uma pessoa "muito inteligente'', com uma "mente brilhante", além de "focada" e saber "tudo de energia e de economia". "Ela é dedicada ao desenvolvimento e à continuidade do projeto Lula", afirmou Stone, no vídeo de propaganda de Dilma.

O cineasta também exalta as qualidades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial a participação do Brasil na tentativa de promover um acordo nuclear entre Irã e as grandes potencias mundiais. "A situação do Irã poderia se tornar outro caso como o Iraque. Me parece que os Estados Unidos estão interessados em outra marcha para a guerra. Eu adoro o que o Lula e o Brasil estão fazendo", disse Stone.

Dilma Rousseff é a segunda candidata à Presidência a se encontrar um cineasta de renome mundial. Em abril, o diretor canadense James Cameron, que dirigiu Avatar, também veio ao Brasil e se encontrou com a pré-candidata do PV, senadora Marina Silva.



Peluso e presidente da OAB discutem no CNJ

MARIÂNGELA GALLUCCI - Agência Estado

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, e o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, entraram em atrito hoje em plena sessão de julgamentos do CNJ. Segundo a OAB, a discussão começou quando Peluso tentou impedir que Cavalcante fizesse uma intervenção no meio do julgamento de um processo envolvendo supostas irregularidades no relacionamento entre uma magistrada e um advogado.

Conselheiros do CNJ defenderam o direito de o presidente da OAB falar. Peluso alegou que a entidade deve se manifestar após a sustentação oral dos advogados das partes envolvidas no processo e antes dos votos dos conselheiros. A Ordem divulgou em sua página na internet uma nota afirmando que "a Ordem dos Advogados do Brasil não é peça de adorno no Conselho Nacional de Justiça".

Na nota, a entidade sustenta que "a OAB tem o direito constitucional de se manifestar nas sessões do CNJ a qualquer momento com o intuito de esclarecer e contribuir para os debates".

À noite, o Supremo Tribunal Federal (STF), órgão que também é presidido por Peluso, também divulgou uma nota na internet sobre o episódio: "A Ordem dos Advogados do Brasil tem, sim, o direito de se manifestar nas sessões do CNJ, mas não a qualquer momento, como pretende. Pois os princípios constitucionais do contraditório e do devido processo legal não podem ser violados em meio ao julgamento, sob pretexto do exercício do direito de manifestação".



CCJ aprova fim de prisão especial para nível superior

JULIA BAPTISTA - Agência Estado

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou hoje o fim da prisão especial aos portadores de diplomas de nível superior, a detentores de cargos e também de mandatos eletivos. Segundo o texto, a prisão especial só poderá ser concedida quando houver necessidade de preservação da vida e da integridade física e psíquica do preso, reconhecida pela autoridade judicial ou policial.

Essa é uma das medidas acatadas pelo relator na CCJ, deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP), para o Projeto de Lei 4.208, de 2001, do Poder Executivo. O projeto faz parte da Reforma do Processo Penal, iniciada em 2001. O texto foi aprovado originalmente pela Câmara em junho de 2008 e está em análise novamente na Casa devido às modificações feitas pelos senadores. A proposta precisa ser votada ainda pelo Plenário.

Lula defende alta carga tributária do Brasil

'Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado', afirmou presidente em discurso de improviso

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, da Agência Estado

BRASÍLIA - Em discurso de improviso na 33ª reunião da Cepal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a alta carga tributária do País, alegando que "quem tem carga tributária de 10% não tem Estado" e "o Estado não pode fazer absolutamente nada".

Lula ironizou lembrando o que chamou de "brigas apoteóticas" entre os ex-ministros da Fazenda do Brasil e da Argentina, Pedro Malan e Domingo Cavallo, respectivamente, querendo saber quem era mais amigo dos países ricos. "O FMI mandava todo dia um agente aqui para dar palpite, funcionários do FMI, e essas pessoas achavam que faziam bem pros seus países. Eu penso que estamos construindo um mundo mais verdadeiro", desabafou Lula, avisando que "tem orgulho" da carga tributária do país hoje.

"Tem gente que se orgulha de dizer, olha, em meu país, a carga tributária é de apenas 9%, no meu país é apenas 10%. Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. O Estado não pode fazer absolutamente nada". "E estamos aí cheio de exemplos para a gente ver. É só percorrer o mundo para perceber que exatamente os Estados que têm as melhores políticas sociais são os que têm a carga tributária mais elevadas, vide Estados Unidos, Alemanha, Suécia, Dinamarca", declarou Lula. "E os que têm a carga tributária menor, não têm condição de fazer absolutamente nada de política social, é só fazer um recorrido pela América do Sul", defendeu.


Serra propõe vincular benefício a ensino técnico

Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, fez ontem mais uma promessa de campanha ao defender a concessão de "bolsas-manutenção" para que os jovens beneficiados pelo programa Bolsa-Família possam cursar o ensino técnico.

"No caso das famílias ligadas ao Bolsa-Família, devemos dar para os seus filhos bolsas de manutenção para que possam cursar as escolas técnicas", declarou o pré-candidato tucano ao discursar em um evento para empresários, ontem na capital paulista.

Ministérios. Nesta fase de pré-campanha, Serra já se comprometeu também com a criação de um Ministério da Segurança Pública e com uma pasta para pessoas com deficiência, entre outras propostas.

Experiências. "Se der uma bolsa de manutenção, (os alunos) podem ter mais facilidade de deslocamento. Agora tem que ampliar muito a oferta, inclusive em parceria com os governos", argumentou José Serra, que citou a experiência de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará na área.

"Se fizer parceria, turbina ainda mais", acrescentou o presidenciável tucano. "Imagina parceria com o governo federal", disse Serra.

CRE 01/06: Celso Amorim apresenta razões que levaram Brasil a apoiar Irã

Veja AQUI

No Piauí, juiz manda tirar nota sobre pesquisa eleitoral do Twitter por Rodrigo Alvares

“Juiz eleitoral manda tirar post do Twitter (Consultor Jurídico)

A Justiça Eleitoral não demorou muito para cair na tentação de querer controlar o que rola no Twitter. O juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, Sandro Heleno Soares Santiago determinou que o presidente do diretório estadual do PT, Fábio Novo, retirasse de seu Twitter o resultado de ma pesquisa eleitoral “de consumo interno”.

A legislação eleitoral proíbe a divulgação de resultados de pesquisas eleitorais que não estejam devidamente registradas na Justiça Eleitoral. A questão, no caso, é considerar o Twitter, um órgão de comunicação similar à imprensa ou aos sites da internet.

Segundo o portal 180 Graus, a nota dizia: “Silvio Mendes ataca Wilson Martins. É sintomático. Pesquisa de consumo interno indica queda de Silvio e subida de Wilson. 7:00 PM May 19th via web”. Sílvio Mendes é o candidato do PSDB e Wilson Martins, o do PSB, que é apoiado pelo PT.

Para a advogada Geórgia Nunes, da assessoria jurídica do PSDB, que entrou com representação contra o PT, a divulgação da pesquisa fere a lei. “Esse tipo de divulgação é uma tentativa de burlar a necessidade de registrar pesquisa, além de influenciar a decisão dos eleitores”. O juiz eleitoral acatou suas alegações.”

Dólar acompanha cautela global e abre mês em alta ante real

SILVIO CASCIONE REUTERS

SÃO PAULO - O dólar começou junho em alta frente ao real, acompanhando a instabilidade do mercado internacional em uma sessão com volume acima da média após o feriado nos Estados Unidos e no Reino Unido na segunda-feira.

A moeda norte-americana avançou 0,82 por cento nesta terça-feira, para 1,836 real. No ano, o dólar acumula alta de 5,34 por cento.

No exterior, o euro mantinha-se pouco acima de 1,22 dólar, em queda de 0,5 por cento, após ter caído ao menor nível em quatro anos pela manhã em meio à contínua preocupação com a situação fiscal da Grécia e de outros países da região.

"Nós estamos importando essa volatilidade dos mercados de commodities, das bolsas, das moedas lá fora", disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do banco Prosper, no Rio de Janeiro.

O índice Reuters-Jefferies de commodities caía 1 por cento enquanto o mercado local de câmbio fechava. Nas bolsas de valores, o Ibovespa recuava 1,4 por cento e os índices Standard & Poor's 500 e Dow Jones também exibiam perdas.

"Mas, (olhando) no médio e longo prazos, esse tipo de oscilação que a gente teve hoje não é uma volatilidade grande. (O mercado) foi comportado e está dentro da expectativa de volatilidade".

De acordo com dados da clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa, o volume registrado no mercado à vista até poucos minutos antes do fechamento superava 3 bilhões de dólares. A média de maio ficou em 2,8 bilhões de dólares.

De acordo com o operador de câmbio de uma corretora, que não quis ser citado, houve uma entrada pontual de recursos que ajudou a aliviar a alta da moeda norte-americana na metade do dia. Outros profissionais, entretanto, não confirmaram.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostraram um resultado acima do esperado para o superávit comercial do país em maio, com 3,443 bilhões de dólares --acima dos 2,623 bilhões de dólares registrados no mesmo período de 2009.

Lideranças de Irati e região manifestam apoio a Beto Richa

Lideranças de Irati e região reuniram-se na manhã desta terça-feira (1), em Curitiba, com o pré-candidato do PSDB ao Governo do Paraná, Beto Richa, para manifestar apoio e apresentar propostas e sugestões a seu Plano de Governo. Participaram da reunião prefeitos e ex-prefeitos, vereadores, empresários e profissionais liberais de Irati, Guaramiranga, Fernandes Pinheiro, Rebouças, Rebouças, Mallet, Rio Azul e Teixeira Soares.

“A ideia é fazer um governo descentralizado e municipalista, voltado para o interior do Estado, mais próximo dos prefeitos”, explicou Richa. “Queremos promover no Paraná uma gestão moderna, com diálogo, agilidade e transparência”, completou o pré-candidato.

Entre as principais demandas da região apresentadas a Richa, a pavimentação da rodovia que liga Irati a São Mateus do Sul, a ampliação da Clínica de Hemodiálise de Irati, a retomada do programa de calcário e o desenvolvimento de projetos voltados ao fortalecimento da bacia leiteira, a pavimentação do campus da Unicentro em Irati, a instalação de uma unidade do Instituto Médico Legal (IML) e uma Delegacia da Mulher em Irati, o reforço no policiamento, a estruturação na Companhia Independente de Polícia e o retorno do escritório regional da Sanepar para Irati.

“São demandas importantes que ajudarão a promover o desenvolvimento social e econômico de toda a região”, disse o vereador Sidney Jorge, o Cidão, presidente do PSDB de Irati e da Câmara Municipal. “Para nós, é estratégico apresentar ao Beto nossas sugestões para que sejam inseridas no seu Plano de Governo”, considerou o prefeito Vicente Solda (DEM), prefeito de Rio Azul.

Também participaram do encontro o prefeito de Guamiranga, Rui Machado (PPS); o presidente do PDT de Fernandes Pinheiro, Oziel Nivert; o vice-prefeito de Rebouças, Fábio Chigueto (PV) e o presidente do PSDB de Rebouças, Jociel Molinari; o ex-prefeito de Mallet, Silvestri Gabriel Przybysz; o empresário Amílcar de Rezende Dias; os vereadores de Irati Ronaldo Ferreira (DEM), Aílton Laroca (PDT) e Marcelo Rodrigues (PP); e o vereador Miguel Vieira Guimarães (PSL), de Teixeira Soares.

no Blog do Fábio Campana

Marina faz ressalvas a acordo entre Brasil e Irã e alfineta Serra sobre Bolívia

Do UOL Eleições
Em São Paulo

Pré-candidata pelo PV à Presidência da República, a senadora Marina Silva Marina mostrou-se nesta terça-feira (1) cética em relação às negociações para o fim do programa nuclear iraniano, mas disse torcer para que o acordo assinado com a ajuda do Brasil dê certo. "O Irã tem uma cultura de protelar e tem uma série de problemas com direitos humanos", ressalvou. "Em certos momentos houve relativização desses princípios [de direitos humanos]", afirmou em entrevista exclusiva para oUOL Eleições.

Marina ainda alfinetou seu concorrente na corrida eleitoral, o tucano José Serra. que disse que o governo boliviano, presidido pelo índio Evo Morales, é "cúmplice" do tráfico de drogas para o Brasil. "Eu tenho dúvida se o governo da Bolívia não fosse de um índio, se isso seria dito com tanta radicalidade", afirmou.

"Já taxam aquelas pessoas como se tivessem uma natureza contraventora e isso não é verdade. A maioria das pessoas são corretas e não podem ser chamadas de traficantes", disse a ex-ministra do Meio Ambiente.Como forma de combater o tráfico na fronteira, Marina defendeu uma atuação baseada em três eixos. "Isso não é bom para a relação que nós devemos ter com nossos vizinhos", criticou.

"O Brasil passou a ter um olhar para outras regiões do mundo e não por interesse comercial, mas sim o que o Celso Amorim [ministro das Relações Exteriores] chama de 'uma relação fraterna com outros povos', principalmente a África, o que é bom", afirmou a senadora. "Uma combinação adequada entre a diplomacia presidencial e a diplomacia institucional, mas às vezes no governo Lula isso criou uma zona cinzenta", disse.

"Se você tem uma política externa baseada em princípios, fica mais fácil você se movimentar [na comunidade internacional]", afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente. "É preciso afirmar os príncipios de paz e solidariedade; em segundo lugar, não é possível fazer tabula rasa dos problemas", disse. Marina defendeu ainda o fim do bloqueio norte-americano contra Cuba. "A forma de ajudar Cuba é trabalhar politicamente contra o bloqueio", afirmou, para em seguida criticar o governo de Raúl Castro. "Não tem sentido a falta de democracia lá", disse.

Veja entrevista com Marina Silva na íntegra


Previ pode investir mais em infraestrutura, diz novo dirigente

DENISE LUNA REUTERS

RIO DE JANEIRO, 1O DE JUNHO - O maior fundo de pensão da América Latina, Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, poderá aumentar seus investimentos em infraestrutura se isso for interesse do país e ao mesmo tempo atender as regras de governança corporativa da entidade, afirmou o novo presidente Ricardo Flores, que toma posse nesta terça-feira.

Sem se preocupar com possíveis usos da Previ pelo governo por entender que a entidade está blindada por uma governança corporativa madura, Flores disse que projetos para a Copa em 2014 e para as Olimpíadas de 2016 podem ser analisados como qualquer outro investimento que seja proposto à entidade.

"Queremos ser atores principais e não coadjuvantes no desenvolvimento do país", disse Flores a jornalistas horas antes de tomar posse. "Se isso for interesse do país e desde que atenda aos requisitos, não vejo como excludentes (os projetos estruturantes)", completou.

Na véspera, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, comentou em evento em São Paulo que fundos de pensão poderiam ter uma participação maior no setor de infraestrutura do país ao citar diversificação das fontes de financiamento da economia para além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sem a presença da imprensa, o ex-presidente da Previ, Sérgio Rosa, passa oficialmente o bilionário caixa de 142 bilhões de reais da Previ para Flores e a nova diretoria em cerimônia no final desta tarde no Rio de Janeiro.

Junto com Flores tomam posse os dois diretores indicados pelo Banco do Brasil e os dois eleitos pelos participantes do fundo. Apenas um diretor, de Seguridade, José Ricardo Sasseron, permaneceu da antiga diretoria.

Marco Geovanne Tobias da Silva, que ocupava a gerência geral de Relações com Investidores do BB assume a diretoria de Participações no lugar de Joílson Ferreira prometendo dar maior visibilidade ao fundo.

"Vamos dar maior transparência, como foi feito com o banco, queremos fazer mais reuniões com o mercado", disse Silva, lembrando que atualmente a Previ tem apenas uma reunião anual na Apimec.

A entidade ganhou mais fôlego para investimentos no ano passado, depois que o governo resolveu aumentar de 50 para 70 por cento o limite das aplicações em renda variável. Mesmo assim, Flores e sua diretoria terão que lidar com casos polêmicos como o desinvestimento a ser feito na Vale, para que a Previ possa se adequar à regra de não concentrar mais de 10 por cento do patrimônio do fundo em uma única empresa. Atualmente a Vale é o maior investimento da Previ, com peso em torno dos 20 por cento do seu patrimônio.

"Isso ainda não foi avaliado", afirmou.

CONSELHO DA VALE

Flores não decidiu também se vai assumir o cargo de presidente do Conselho de Administração da Vale. Argumentando que o mandato de Sérgio Rosa vai até 2011, Flores deu sinais de que vai esperar a decisão do ex-dirigente.

"Esse assunto ainda não foi tratado (o conselho da Vale). Existe um mandato e este mandato está em curso até maio de 2011", disse Flores. "Isso tem um rito próprio, ele (Rosa) pode pedir para sair, renunciar...tem que ter assembléia de acionistas...", explicou o executivo que preferiu generalizar o assunto:

"Não pretendemos mudar as coisas no sentido de mudar por mudar, queremos olhar o processo de maneira geral e manter aquilo que está maduro e aperfeiçoar o que puder", explicou, referindo-se também às suas outras participações em empresas.

Outras questões delicadas, como o superávit de mais de 40 bilhões de reais da entidade que poderá ou não ser distribuído aos beneficiários, assim como possíveis mudanças nas participações da Previ no setor elétrico (CPFL e Neoenergia) serão avaliadas com calma, disse Flores.

Funcionário de carreira, Flores está no banco há 32 anos.

Militares de Israel admitem erros em operação a navios com ajuda

DAN WILLIAMS - REUTERS

Inteligência falha, equipamentos e táticas erradas. Os militares de Israel reconheceram na terça-feira ter cometido grandes erros na abordagem desastrosa de um barco de ajuda humanitária com destino a Gaza, na qual tropas de elite mataram nove ativistas internacionais.

Embora os israelenses tenham tomado partido de seus militares perante a fúria estrangeira, a recriminação doméstica --com as palavras "Fiasco" e "Desordem" dominando as manchetes dos jornais-- revelou uma erosão na confiança que fez lembrar os reveses sofridos na guerra do Líbano de 2006.

Um comentarista israelense pediu a saída do ministro da Defesa, Ehud Barak. Integrantes do governo prometeram investigar o caso, mas a insistência deles de que os ativistas pró-palestinos teriam provocado a violência encontrou ouvidos entre o enraivecido público israelense.

Os fuzileiros navais envolvidos no ataque apontaram para uma falha na inteligência.

"Não esperávamos tal resistência dos ativistas do grupo, pois se tratava de um grupo de ajuda humanitária," disse o comandante do grupo que embarcou no navio, um tenente não identificado à rádio do Exército.

"O resultado foi diferente do que havíamos pensado, mas devo dizer que isso ocorreu principalmente por causa do comportamento inapropriado do adversário que encontramos."

Embora a quarentena imposta pela polícia de Israel aos ativistas do Mavi Marmara tenha impedido a divulgação de testemunhos do outro lado, um vídeo gravado por um dos passageiros da embarcação invadida mostrou dois fuzileiros navais sendo agredidos com um porrete e esfaqueados.

Os militares israelenses também divulgaram uma filmagem especial para a noite de meia dúzia de soldados lutando com cerca de 30 ativistas.

As imagens provocaram sentimentos de incredulidade e vergonha em Israel. Lendários pela exploração sigilosa do mar, os combatentes que invadiram o barco Mavi Marmara pareciam despreparados para o confronto corpo a corpo --estavam em desvantagem numérica, quase foram derrotados, embora representassem uma força militar superior.

Jason Alderwick, especialista do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos de Londres, culpou os fuzileiros navais por não tomarem a embarcação de forma mais eficiente.

"O sucesso começa com planejamento e inteligência apropriada, e eles já haviam entrado em barcos daquele tipo antes," disse ele. "Desta vez, eles não entraram com a força suficiente, rápido o bastante e em número suficiente para estabelecer o controle total."

Alguns dos soldados portavam fuzis de paintball --armas não letais destinadas a ferir, a revidar e a marcar os suspeitos para prisão posterior, mas que acabaram se provando de uso limitado contra os ativistas que tinham coletes salva-vidas e máscaras de gás.

"Está claro que o equipamento para dispersão de multidão que usavam era insuficiente," disse o chefe das Forças Armadas de Israel, o tenente-general Gabi Ashkenazi, a jornalistas.

Não havia como abortar a operação uma vez que os primeiros israelenses entraram em combate e ficaram vulneráveis, embora a Marinha tenha dito que alguns soldados optaram por fugir pulando no mar.

Israel informou que sete fuzileiros navais foram feridos, um deles depois que ativistas o jogaram contra uma grade e dois que foram baleados.

Alencar defende palanque único em Minas Gerais

CAROL PIRES - Agência Estado

O vice-presidente da República, José Alencar, defendeu hoje que o PT e o PMDB tenham um palanque único em Minas Gerais. O ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, do PMDB, quer ser o candidato ao governo de Minas com o apoio petista, mas o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel pleiteia a mesma vaga. Pelo PSDB, deve concorrer o atual governador, Antônio Anastasia.

Segundo Alencar, ainda não há um candidato único em Minas Gerais. Ele disse que está sendo feito um estudo para ver de que forma é possível trabalhar a eleição com um único palanque. "É preciso que haja entendimento entre PT e PMDB para que haja um único palanque. Isso está sendo objeto de tratativas todo tempo, com todo carinho e cuidado", disse o vice-presidente, que também elogiou os três pré-candidatos que, segundo ele, "são muito bons" e estarão "representando bem os mineiros".

José Alencar, que esteve hoje no Senado para ser homenageado com o prêmio José Ermínio de Moraes, afirmou acreditar que o Brasil sairá vitorioso da Copa do Mundo. "Vocês querem saber se a seleção vai ser hexacampeã? Acho que vai." Sobre a escalação feita pelo técnico Dunga, Alencar disse que não conhece todos os jogadores, porque muitos jogam fora do País. "Mas os que entendem, falam que o time está muito bom."

Brasileira está detida em prisão israelense

AE - Agência Estado

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava a bordo da frota humanitária atacada por Israel na segunda-feira, está detida na prisão de El''A, em Bersheva, Israel. A informação foi divulgada pelo site do Ministério de Relações Exteriores brasileiro.

Hoje, a brasileira recebeu a visita do encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Israel. Segundo informações oficiais, a cineasta está bem de saúde, mas informou que as autoridades israelenses exigiram que ela assinasse uma termo no qual admitia ter entrado ilegalmente em Israel para ser libertada.

Iara Lee disse que não pretende assinar o documento, já que foi detida em águas internacionais. Além disso, ela afirmou que seus passaportes (brasileiro e norte-americano) e suas bagagens estão retidas por Israel.

Iara Lee também reclamou do fato de as autoridades israelenses não terem permitido ontem que ela entrasse em contado com a embaixada brasileira. Hoje, ela tentou entrar em contado com familiares por meio do telefone celular do encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil.

Lula afirma que fará campanha em porta de fábrica

REUTERS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a operários nesta terça-feira, sem citar o nome da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), que fará campanha eleitoral em porta de fábrica.

"Não pensem que vão se livrar de mim porque eu, ainda este ano, virei fazer campanha na porta da Volkswagen, lá fora, lá fora", disse Lula em discurso na unidade da Volkswagen no ABC paulista.

Depois, na entrevista, ele explicou que entrará na campanha depois das convenções que oficializam as candidaturas, em junho.

"Não é proibido o presidente da República fazer campanha, quando a campanha começar. O que eu não quero é fazer nada que possa infringir a legislação eleitoral, e isso só me permite fazer campanha depois que forem feitas as convenções partidárias e que os candidatos estiverem oficializados", afirmou.

Sobre as multas que já recebeu da Justiça, disse que "obviamente que não cabe ao presidente da República criar nenhum constrangimento para a Justiça Eleitoral".

No discurso, ele defendeu a continuidade de seu governo. "O Brasil vive um momento excepcional, e eu quero que isso continue, precisa continuar", disse.

Sai dessa, Celso Arnaldo

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Feridos do ataque de Israel denunciam a brutalidade do exército

EL PAÍS

Ana Carbajosa
Em Ashdod (Israel)

"Me espancaram. Tenho o corpo arrebentado" , diz ativista. A porta-voz militar reconhece que o assalto ocorreu em águas internacionais, "mas quando um país está ameaçado tem o direito de se defender", alega.

Os feridos chegam um a um ao hospital de Ashdod, vendados e custodiados por dezenas de policiais de fronteiras enviados para os hospitais da costa israelense. Assim que os desembarcam à força dos navios no porto de Ashdod, os ativistas que tentavam romper o bloqueio de Gaza se transformam em imigrantes ilegais e ficam detidos. Para os que se negam a voltar voluntariamente a seus países, a maioria deles, depois da identificação começará o processo judicial que terminará com a deportação.

Chega uma ambulância. A nuvem de uniformizados corre a cercá-la. Os enfermeiros baixam uma maca sobre a qual está Paul Wilder, um americano de meia-idade com um olho roxo e ataduras em um braço. É o primeiro ferido que aparece diante do público. Os de maior gravidade foram levados de helicóptero diretamente dos barcos. "Me espancaram, tenho o corpo todo arrebentado, mas não me deixam mostrá-lo. Não sou violento. Essa brutalidade era desnecessária", proclama Wilder, aos gritos.

Apenas explica que viajava no barco grego Sfendoni, quando rapidamente os enfermeiros o levam às pressas. Uma hora depois chega um ativista marroquino, com o braço em uma tipoia e muito abalado; quase não levanta a cabeça. E depois um terceiro. Desta vez é um jovem grego com um protetor ao redor do pescoço. "São piratas", grita.

Na sala de espera da seção de emergência do hospital, os doentes comuns permanecem colados à tela de um televisor no qual o Canal 2 israelense dedica horas ininterruptas de programação à abordagem.

Nenhum desses três doentes viajava no Mavi Mármara, o maior barco e único no qual, segundo o exército israelense, ocorreram confrontos. Horas antes da chegada dos feridos, a porta-voz militar Avital Lebovitch afirmava: "Nos outros barcos não houve choques". Admitiu também a porta-voz que o assalto havia ocorrido em águas internacionais, "mas quando um país está ameaçado tem direito de se defender". Lebovitch fala em Jonah's Hill, a colina da cidade portuária de Ashdod transformada em um palco de televisão improvisado.

Uma nuvem de jornalistas de meio mundo pulula ao redor desse montículo do qual os oficiais dos tempos do mandato britânico avistavam os imigrantes ilegais judeus. Aproximar-se do porto, aonde durante a jornada vão chegando os barcos dos ativistas, está fora de questão. Esta jornalista foi escoltada pela polícia e expulsa do recinto portuário depois de uma tentativa frustrada de aproximar-se do lugar dos fatos.

É preciso conformar-se com os depoimentos de segunda mão que oferecem os diversos porta-vozes que vêm à colina oferecer sua versão. "Saíam do barco resistindo, fazendo força contrária", explica Shahar Arieli, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Não é possível sequer se comunicar por telefone com os tripulantes detidos. Os celulares estão desligados. A falta de informação não afeta só os jornalistas. Os parentes dos ativistas também não podem falar com eles. Na segunda-feira não sabiam se seus filhos estavam vivos ou mortos. "A última vez que falei com meu filho foi às 5 e meia da manhã. Ele me disse: os barcos da marinha nos cercaram", conta Pninas Feiler, israelense e mãe de Dror, um conhecido ativista pró-palestinos estabelecido na Suécia. E acrescenta: "Estou preocupada com meu filho, mas também com meu país. Como se pode apertar o gatilho com tanta facilidade?"

Em Israel nem todos os cidadãos são tão críticos quanto Feiler à atuação do exército. Assim que se sabe do alcance da operação militar, cidadãos comuns saem à rua com bandeiras nacionais em sinal de apoio às forças armadas de seu país. Haim Cohen, um consultor econômico de 52 anos, é um dos que se orgulham de seus soldados. "Formam o melhor exército do mundo. Os do barco eram terroristas. Temos direito a nos defender. O Holocausto não acontecerá nunca mais."