segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Aécio e Marina lideram apostas para 2014



Assim como os dois, há outras lideranças mais jovens que aproveitaram a eleição deste ano para se consolidar

Marcelo de Moraes - O Estado de S.Paulo
Com a eleição presidencial polarizada pela petista Dilma Rousseff e pelo tucano José Serra, uma corrida política paralela foi deflagrada para garantir posições vantajosas na disputa de 2014. Assim, projetos nacionais de poder já foram incubados em várias disputas regionais.
Alguns desses movimentos foram bem claros. É o caso do ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) e da senadora Marina Silva (PV-AC). Mas há outros nomes desde já de olho na disputa de 2014: os governadores eleitos de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Paraná, Beto Richa (PSDB), além dos governadores reeleitos de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB).
Assim como Marina e Aécio, todos representam lideranças mais jovens que aproveitaram a eleição para se consolidar e ocupar papel de destaque no cenário político nacional.
Aécio, de 50 anos, ganhou tudo em Minas. Foi eleito senador com votação expressiva, emplacou o sucessor Antônio Anastasia (PSDB) no governo e garantiu a vaga de senador para o ex-presidente Itamar Franco (PPS), derrotando na mesma eleição o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). O resultado credencia o tucano como melhor aposta do PSDB para a sucessão presidencial daqui a quatro anos.
Marina Silva, de 52 anos, é nome consolidado para 2014. Credenciada por quase 20 milhões de votos no primeiro turno, mesmo contando com uma estrutura mínima de campanha e quase nenhum tempo de propaganda na televisão, ela se tornou a maior surpresa da corrida presidencial deste ano. Sua campanha bem sucedida formou uma base bastante sólida para a próxima eleição.
Geração. Eduardo Campos, de 44 anos, lidera o projeto nacional do PSB, que ampliou bastante sua representação no País. Cabral, de 47 anos, também se consolidou como maior liderança do Rio, deixando para trás grupos importantes representados pelo ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e pelo ex-governador Anthony Garotinho (PR). Passa a ser mais importante ainda se o PMDB decidir bancar um projeto de candidatura presidencial descolado da parceria com o PT.
Entre os tucanos, Alckmin, de 57 anos, dá a volta por cima na sua trajetória política com a eleição para o governo de São Paulo.
Comandando o Estado mais populoso do País, passa a ter importância política para planejar uma nova campanha para o Palácio do Planalto, depois de ter sido batido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.
Beto Richa, de 44 anos, saiu da Prefeitura de Curitiba para o comando do governo do Paraná, derrotando o senador Osmar Dias (PDT), que tinha o apoio de Lula e do governador Roberto Requião (PMDB). Os dois tucanos, no entanto, precisariam antes superar o bom momento de Aécio dentro do partido.
Na prática, a transição entre as disputas de 2010 e 2014 representa uma espécie de troca de gerações na política brasileira. Depois de dois mandatos, Lula deixará o governo com 65 anos. Pode até tentar um novo mandato em 2014, mas já estará perto dos 70 anos. Os dois principais candidatos à sua sucessão também passaram dos 60 anos. José Serra tem 68 anos e Dilma está com 62 anos. Eleita, é candidata quase certa à reeleição.
Há ainda o caso do deputado Ciro Gomes, de 52 anos, que sonhava com sua terceira campanha presidencial, mas viu o plano ser barrado pela direção do PSB e pelo próprio Lula e não disputou nenhum cargo este ano.
Projetos regionais. Um bom resultado nas eleições, entretanto, não garante o sucesso dessas incubadoras políticas. O principal problema é que, tradicionalmente, a maioria dos partidos não desenvolve projetos de poder em nível nacional. Preferem concentrar suas atenções nas disputas regionais onde possuem lideranças expressivas.
Ciro Gomes experimentou na pele a situação este ano. O PSB preferiu investir na parceria nacional com o PT em torno da candidatura de Dilma e ganhar o apoio petista em campanhas estaduais consideradas estratégicas pelo partido. Em troca, o PT decidiu abrir mão de candidaturas em locais importantes, como Ceará, Pernambuco e Espírito Santo, por exemplo. A estratégia garantiu a vitória do PSB nesses três Estados já no primeiro turno.
Essa falta de interesse dos maiores partidos em ter candidatos na eleição para o Palácio do Planalto fica clara na atual disputa. Entre os partidos com representação expressiva dentro do Congresso, apenas PT, PSDB, PV e PSOL bancaram candidaturas majoritárias - outras cinco legendas pequenas também participaram da disputa.
O PMDB é o principal exemplo desse tipo de comportamento. Apesar de ser líder em número de parlamentares dentro do Congresso e sempre ter número expressivo de governadores, não lança um candidato à Presidência desde 1994, quando Orestes Quércia terminou em quarto lugar. Depois disso, passou a se concentrar com sucesso nas disputas estaduais e, agora, chega à Vice-Presidência da República.
NOVA GERAÇÃO
Aécio Neves (PSDB-MG)
O ex-governador mineiro é considerado nome certo para disputar a eleição presidencial daqui a quatro anos. Sai fortalecido ao se eleger senador, emplacar Antônio Anastasia (PSDB) como sucessor no governo de seu Estado e garantir a vitória de Itamar Franco (PPS) para a segunda vaga no Senado por Minas
Beto Richa (PSDB-PR)
Depois de ganhar duas eleições seguidas para a Prefeitura de Curitiba, chegou ao governo do Paraná e ganha relevância dentro do PSDB
Eduardo Campos (PSB-PE)
Novamente vitorioso, o governador de Pernambuco deve deflagrar em 2014 o projeto de candidatura própria do PSB ao governo federal
Geraldo Alckmin (PSDB-SP)
Chegou a disputar o segundo turno presidencial contra Lula em 2006, mas perdeu espaço. Com a nova eleição para o governo de São Paulo, recupera terreno político e pode ser opção para o Planalto, mas numa escala abaixo de Aécio
Marina Silva (PV-AC)
Participante da disputa pela Presidência, Marina foi a sensação da reta final do primeiro turno eleitoral. Com quase 20 milhões de votos, aproveitou a atual campanha para construir bases sólidas para uma candidatura competitiva daqui a quatro anos
Sérgio Cabral (PMDB-RJ)
Reeleito, será o governador dos preparativos para a Copa de 2014 (a final será disputada no Rio) e da Olimpíada de 2016. Pode entrar no jogo nacional de 2014 se o PMDB resolver investir em candidatura própria 


Equipe de transição espera novo governo



Modelo repete o adotado na mudança do governo FHC para o de Lula; novo presidente terá 50 assessores à disposição



Lu Aiko Otta, Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Passada a euforia com o resultado de ontem das urnas, começa o delicado trabalho de construir uma ponte entre o governo que sai e o que entra.
O presidente eleito contará com um orçamento de R$ 2,8 milhões e poderá escalar um time de 50 assessores para buscar informações na atual equipe de governo e garantir que serviços públicos não sejam interrompidos na transição entre administrações.
O modelo foi inspirado na bem-sucedida experiência de mudança entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, no final de 2002. Na época, foi colocado à disposição um conjunto de salas no Centro Cultural Banco do Brasil, o mesmo local que deverá ser utilizado no final deste ano. A transição foi coordenada por Antonio Palocci, que depois foi nomeado ministro da Fazenda.
A equipe de transição ganhará senhas para acessar o Portal da Transição, preparado pelo Ministério do Planejamento. "Temos um software com informações detalhadas de cada ministério, cada órgão", disse o titular da pasta, Paulo Bernardo.
Será possível saber, por exemplo: o número de funcionários e cargos de confiança em cada órgão, os programas em andamento e a execução orçamentária, que mostra o ritmo de andamento de cada ação de governo. Os técnicos do Planejamento prepararam também um balanço da gestão de Lula. "Se precisarem de informações complementares, vamos abrir as portas", assegurou o ministro.
Decisões imediatas. As decisões a serem tomadas pelo futuro presidente vão, porém, muito além do dia a dia da máquina pública. Dois temas, pelo menos, terão de ser resolvidos antes da posse: o novo valor do salário mínimo e o reajuste das aposentadorias. Os dois serão objeto de negociação com as centrais sindicais.
Atualmente, a previsão para o salário mínimo em 2010 é de R$ 538,15. O valor corresponde aos atuais R$ 510, corrigidos pela inflação deste ano. No entanto, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, já aprovada pelo Congresso, prevê que o mínimo terá aumento acima da inflação.
De acordo com estimativas do Ministério do Planejamento, cada real a mais que o futuro presidente quiser conceder ao mínimo implicará num aumento de R$ 282 milhões nas despesas do governo federal com as aposentadorias e benefícios sociais atrelados ao piso salarial. A proposta do candidato José Serra (PSDB) de elevar o mínimo a R$ 600 teria, portanto, um impacto de cerca de R$ 17,7 bilhões nas contas públicas.
As centrais sindicais não têm uma proposta fechada quanto ao valor, mas elas não necessariamente defenderão os R$ 600 prometidos por Serra.
O discurso adotado por todas a c entrais é que, em vez de um aumento grande e pontual, elas preferem a política de longo prazo de recuperação do valor do mínimo já acordada com o governo Lula.
A correção das aposentadorias acima do mínimo provavelmente será discutida junto com o mínimo. Pela lei, elas são corrigidas apenas pela inflação. O que as centrais querem arrancar do governo é uma regra semelhante à do mínimo. Por exemplo: correção pela inflação, mais 80% do crescimento do PIB.
Aposentados. O ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, disse que o governo estuda uma pauta mais ampla para os aposentados. Eles se queixam, por exemplo, de que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é a utilizada para reajustar os benefícios, não acompanha os gastos dos aposentados. Gabas disse que essa reclamação está em análise e, se confirmada, poderá ser criado um índice de inflação específico.
Além disso, o governo pretende ampliar o programa de subsídio aos medicamentos para diabetes e hipertensão. A intenção é distribuí-los gratuitamente.
Lula também aguarda seu sucessor para escolher o novo presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O atual ocupante do posto, Arthur Badin, já anunciou que deixa o cargo em meados de novembro.

HISTÓRIA DAS TRANSIÇÕES
1990 
Equipe de Collor reúne-se no "Bolo de noiva"
1992
Vice de Collor, Itamar toma posse e muda ministério
1995 
FHC faz a 1ª reunião ministerial na Granja do Torto
2003 
FHC e equipe de Lula fazem reuniões de transição 

Pronunciamento do Serra após a vitória da Dilma



Temer terá mais força que outros vices





Por Eliane Cantanhêde da Folha.com no Fábio Campana
Diferentemente de Marco Maciel e José Alencar, que foram extremamente leais respectivamente a Fernando Henrique Cardoso e a Lula, a expectativa é de que Michel Temer seja um vice em que a presidente Dilma Rousseff vá confiar, mas desconfiando.
Ele é presidente do maior partido do país, exerce inequívoca liderança no Congresso e tem personalidade política e pessoal mais forte do que seus antecessores.
Com seis mandatos consecutivos na Câmara desde 1987, Temer será um intermediador dos interesses do PMDB no novo governo. O preenchimento do primeiro escalão passa por ele.
Paulista, 70 anos, Temer entrou na política quase por acaso. Era professor de direito constitucional na PUC-SP quando passou a se reunir com peemedebistas como FHC, José Serra, Mário Covas e Paulo Renato Souza para eleger Franco Montoro governador de São Paulo em 82.
Seu primeiro cargo foi o de procurador-geral do Estado, mas Montoro perdeu dois secretários de Segurança e no final do primeiro ano de governo e chamou Temer. Ele tentou reagir: não entendia nada de direito penal nem da área de segurança: “Nem sei onde fica a secretaria”.
Montoro não aceitou o “não” e o nomeou secretário, com a tarefa de harmonizar as polícias Militar e Civil.
Cinco dias depois, Temer estava “desesperado” e decidido a renunciar, quando viu pela TV uma entrevista do dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri ensinando: “A vida é uma representação. Você tem de representar o papel que a vida te entrega”.
Ficou na secretaria (que reassumiria em 1992 para tentar controlar a crise decorrente do massacre do Carandiru), disputou a eleição de 1986 para o Congresso Constituinte e jamais deixou de representar os papeis que lhe couberam. O da Vice- Presidência é o principal deles.
Quando Montoro e seus companheiros criaram o PSDB em 1988, Temer ficou no PMDB: “O PSDB tinha muito cacique. Ouvi o conselho de Montoro: quem ficasse no PMDB iria fazer carreira”. Ele jamais trocou de partido, mas trocou de “turma”.
Como deputado e presidente da Câmara pela primeira vez (1997-2000), foi um dos articuladores do apoio peemedebista aos dois mandatos de FHC (1995-1999 e 1999-2003). Depois, liderou a aliança que deu ao PMDB a vaga de vice do tucano José Serra na eleição de 2002 (que ele perdeu para Lula).
Aos poucos, porém, foi trocando de parceria e se aproximando de Lula, do PT e finalmente de Dilma.
A missão do ministro José Dirceu (Casa Civil) para o PMDB apoiar o primeiro mandato de Lula em troca de dois ministérios fracassou.
Quem conseguiu o feito foi o ministro Tarso Genro, já na campanha da reeleição, em 2006, com Lula fragilizado pela crise do “mensalão”.
A primeira conversa Lula-Temer foi difícil, pois a versão corrente era de que um não gostava do outro. “Vamos furar esse tumor”, propôs Temer, dizendo que tudo era “intriga” e que “admirava a biografia de Lula”.
Saiu da conversa levando três ministérios para o PMDB –que chegaram a seis no final do governo e devem no mínimo se manter sob Dilma.
Mais difícil será negociar as cúpulas do Congresso. O PMDB tem hoje as presidências da Câmara e do Senado, mas o PT elegeu mais deputados. Disputam Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Cândido Vaccarezza (PT-SP).
O desempate será o primeiro teste de Temer. Ele, porém, tem como meta “acabar com o preconceito de que o PMDB só pensa em cargo”. E promete atuar sempre nos bastidores: “Serei discretíssimo. Não tenho a menor vocação para carro alegórico”.

Analistas fazem avaliação positiva do 1º discurso de Dilma



Primeiro pronunciamento de Dilma como presidente eleita (31 de outubro)





Dois temas chamaram a atenção: o fortalecimento das agências reguladoras e a atenção especial à boa gestão dos gastos públicos

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado
Analistas internacionais e brasileiros fizeram uma avaliação positiva do primeiro discurso da presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Dois temas chamaram a atenção dos analistas e instituições financeiras sobre o pronunciamento da petista: o fortalecimento das agências reguladoras e a atenção especial à boa gestão dos gastos públicos, o que é essencial para distender a política monetária e tentar diminuir a sobrevalorização do câmbio.
"O avanço do papel das agências reguladoras na economia emite um sinal positivo para investidores em geral, sobretudo para os estrangeiros", comentou o sócio da consultoria Tendências, Juan Jensen. "Isto indica que o Brasil terá um bom ambiente de negócios nos próximos quatro anos, o que é essencial para atender a agenda de obras de infraestrutura, como a relativa a aeroportos, que está atrasada para eventos internacionais como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016", ressaltou.
Durante sua campanha presidencial, Dilma afirmou que iria abrir o capital da Infraero, a empresa estatal que cuida da administração dos aeroportos do País. De acordo com um diretor que atua na área de Project Finance de um grande banco internacional, "há um apetite enorme de investidores de grande porte para atuar na área de aeroportos, não só de capitais, mas também de grandes cidades, com relevante importância econômica, como Ribeirão Preto", disse. "Os aeroportos nacionais, em geral, sofrem problemas sérios hoje, imagine se não melhorarem até a chegada da próxima Copa do Mundo", ressaltou Jensen.
Na avaliação do professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos José Márcio Camargo, a manifestação de Dilma Rousseff sobre o incremento do papel das agências reguladoras foi uma surpresa positiva. "Isso sugere que o próximo governo quer reduzir a participação relativa do governo nos investimentos de longo prazo e ampliar a atuação das empresas privadas", destacou. No ano passado, a Formação Bruta de Capital Fixo como proporção do PIB atingiu 16,7% e deve subir para 18% neste ano, segundo o economista do Santander, Cristiano Souza. Esta taxa, porém, é muito baixa em níveis internacionais - atinge 35% do PIB em países asiáticos - é só permitem que o País cresça de 4% a 4,5% por ano sem pressionar a inflação com vigor.
Ampliar investimentos
Para o estrategista do banco WestLB Roberto Padovani, a principal marca do governo Dilma será a ampliação dos investimentos. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê que serão investidos no País R$ 955 bilhões de 2011 a 2014 e mais R$ 613,4 bilhões após 2014, o que representará  um total de R$ 1,586,4 trilhão. Há uma avaliação consensual das principais autoridades econômicas do governo, entre elas o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, um dos nomes cotados para assumir o ministério da Fazenda, que é "urgente" a necessidade do País de ampliar a Formação Bruta do Capital Fixo.
Segundo Coutinho, para que o PIB potencial suba para um nível entre 5% e 5,5% é fundamental que a formação bruta de capital fixo (FBCF) aumente para uma marca entre 23% e 24% do produto interno bruto. Ou seja, é preciso que o montante de investimentos suba pelo menos 5 pontos porcentuais do PIB para que Brasil possa crescer a uma marca mais próxima do que ocorre em outros países emergentes.
"A ampliação dos investimentos de longo prazo é muito importante para diminuir uma série de carências estruturais e de logística que o País possui, como nas áreas de transportes, energia e saneamento", frisou Padovani. Luciano Coutinho defende a redução gradual da participação relativa do BNDES na ampliação da Formação Bruta de Capital Fixa no Brasil e aumento da parcela do setor privado na FBCF nacional, inclusive com o fortalecimento do mercado de capitais nacional.
"O sinal emitido por Dilma Rousseff sobre as agências reguladoras visa acabar com qualquer impressão de que ela é esquerdista demais e quer plena interferência do Estado na atividade empresarial no País", comentou o diretor para a América Latina do Eurasia Group, Christopher Garman. "Este tipo de avaliação não procede. Basta ver que a agência reguladora da área de energia (Aneel) setor que a presidente eleita conhece bem, é uma das mais fortes", ressaltou,
Gastos Públicos
Para o professor José Márcio Camargo foi positivo Dilma Rousseff ter manifestado ontem em seu discurso que vai dar destaque em sua administração à boa gestão das contas públicas. "Acredito que há boas possibilidades de que o superávit primário, sem descontos de investimentos públicos, suba para 3,3% do PIB em 2011 e 2012, como é a hipótese de trabalho do Banco Central", comentou. Para ele, contudo, tal poupança do Orçamento é insuficiente para que a dívida pública líquida baixe dos atuais 40% para 30% do PIB em 2014, como afirmou a presidente eleita durante a campanha. "Para atingir tal objetivo, seria necessário elevar o superávit primário para uma marca média de 3,8% para os próximos quatro anos", disse.
Na opinião de Juan Jensen, é possível que o novo governo faça um superávit primário maior nos dois primeiros anos de mandato, mas tal poupança do Orçamento deve baixar de forma considerável em 2013 e 2014 devido à agenda eleitoral. "Em função das próximas eleições presidenciais, os gastos do Poder Executivo deverão subir bem e o ajuste fiscal nesse biênio deve diminuir ante o que será registrado nos dois anos anteriores", destacou.

Supremo julga três parlamentares nesta quinta-feira


no Conjur

A semana de trabalhos começa apenas na quarta-feira (3/11) devido ao Feriado de Finados. Nesta segunda e terça-feira (1º e 2/11), as repartições públicas não funcionarão. Na quinta-feira, o Plenário do Supremo Tribunal Federal se reúne para julgar processos contra dois deputados federais e um senador. O deputado Celso Russomano (PP-SP) é acusado de crime contra o patrimônio, Silas Câmara (PSC-AM) responde por acusação de falsidade ideológica e o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), por crime contra o sistema financeiro.
Antes, na quarta-feira (3/11), od desembargadores do Tribunal de Justiça da Paraíba votam para escolher o novo presidente, vice-presidente e corregedor.

Projeto que implanta turno integral nas escolas será sancionado quarta-feira



Jornal do Brasil

RIO - O prefeito Eduardo Paes sanciona, quarta-feira, o projeto de lei que implanta o turno único de sete horas nas escolas públicas municipais. A sanção acontecerá durante a inauguração das obras de reforma da Escola Municipal Paula Brito, localizada na Rocinha. A cerimônia, marcada para As 9h, contará com a presença da secretária de Educação, Cláudia Costin.

A proposta, de autoria do vereador Jorge Felippe (PMDB), presidente da Câmara Municipal do Rio, foi aprovada pelos vereadores no mês de outubro, por unanimidade. De acordo com o projeto, a implantação do turno único será gradativa, na razão de 10% das unidades da rede, a cada ano. A previsão é de que, em 10 anos, todas as escolas municipais se adaptem ao novo turno, com prioridade para as unidades escolares situadas em áreas de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Serra agradece militância on-line e promete seguir no Twitter



Bruno Siffredi, do estadão.com.br
Um dia após sair derrotado pela segunda vez de uma disputa pela Presidência da República, o candidato do PSDB José Serra usou o Twitter nesta segunda-feira, 1º, para agradecer o apoio da militância tucana na internet. “Sou muito grato aos 43,6 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em mim. E agradeço especialmente a vocês aqui do Twitter por tudo!”, escreveu.
Serra declarou que o apoio na web foi “a maior vitória” conquistada na campanha. “Disse no meu discurso ontem (domingo, 31) que nesses meses duríssimos, onde enfrentamos forças terríveis, vcs (sic) alcançaram uma vitória estratégica no Brasil.”
“Sonhamos juntos o sonho de um país onde os políticos fossem servidores do povo e não se servissem do nosso povo”, concluiu o tucano, que prometeu continuar utilizando o site para se manter em contato com os eleitores. “Eu estava aqui (no Twitter) antes da minha candidatura e continuarei. Eu gosto daqui.”
Em seguida, Serra reiterou: “Respondo à maior dúvida que surge aqui: sim, continuarei conversando com vocês, + de 556 mil seguidores. Eu não vou mudar.”

Suplicy visita Dilma: as flores entram, senador é barrado


Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Meia dúzia de aliados e assessores visitou a casa da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff (PT), nesta segunda-feira (1º). Todos entraram, alguns ignoraram os jornalistas, outros pararam para responder protocolarmente aos questionamentos do dia seguinte ao segundo turno. Mas para um expoente do PT, o roteiro foi outro.
Eduardo Suplicy, senador por São Paulo, chegou no início da tarde com flores nas mãos. A orquídea phalaenopsis, pelo que se pode avistar, era um mimo para Dilma, após uma dura e difícil campanha eleitoral. O agrado, porém, não garantiu passe-livre para a residência. O segurança de plantão informou que a candidata vitoriosa estava descansando e que não poderia atendê-lo. As flores foram recolhidas com a promessa de serem entregues depois.
Suplicy deixou o local calmamente. A jornalistas, o senador conseguiu manter o sorriso e se disse confiante de ser recebido em outra oportunidade. Com ou sem flores.
"Tenho certeza de que as mulheres têm qualidades e possibilidades diferentes", elogiou Suplicy. "Ela (Dilma) vai acertar e isso vai fazer muito bem para construirmos um brasil mais correto e justo", discursou. Ele defende que a alternância de homens e mulheres à frente do Executivo pode ajudar.

O Beto Richa, o Paraná e a eleição da Dilma


no Molina

Aqui no Paraná o Beto foi o grande vitorioso ao contrariando toda as pesquisas se eleger governador e no segundo turno proporcionalmente dar mais mais votos ao Serra do que ele teve em seu próprio estado, o que demonstra a sua grande força política junto ao povo. Em São Paulo o Serra obteve 54% e a Dilma 46% e aqui no Paraná obteve 55,44% dos votos válidos contra os 44,56% da Dilma. “É um bom número. nós conseguimos mais que dobrar a votação do primeiro para o segundo turno. Fico agradecido aos paranaenses”, disse ele.

O Beto atribuiu a vitória da Dilma a falta de objetividade na apresentação das propostas de governo pelo Serra, o que levou a uma boa parte do eleitorado a não entender o que propunha, como também a forte intervenção do presidente Lula, no alto de sua popularidade, na campanha da sua candidata. 

O Beto como republicano espera do governo federal o mesmo tipo de atitude ao gerenciar o que é de todos. Durante o governo Lula enquanto prefeito, teve o mesmo tipo de atitude, pois sabe muito bem diferenciar o que é do interesse da população do estado do discurso partidário. Ele espera que a Dilma tenha uma maior e melhor postura nacional desenvolvimentista para o país do que teve o atual governo, que submetido ao interesses do grande capital especulativo manteve por causa da política cambial flutuante e a excessiva abertura ao capital especulativo a super valorização do real as altas taxas de juros.

O novo governo do Paraná possui o seu projeto de desenvolvimento econômico e social e espera que pela construção de boas relações republicanas os interesses do povo esteja nas relações com o novo governo federal acima das contradições de cunho partidário.

Em relação a futura participação do estado na divisão do bolo tributário nacional, otimista com o futuro e acreditando na competência da futura equipe e na boa relação com a bancada paranaense em Brasília na busca de interesses comuns, ele disse :

“O Paraná tem sido historicamente relegado a segundo plano na divisão do bolo tributário nacional. É hora de reverter a situação. Com competência técnica na elaboração de projetos e liderança política positiva, vamos ampliar as transferências e recursos federais destinados ao Estado, além de garantir maior efetividade às emendas dos parlamentares paranaenses”

“Não faço oposição. Meu partido faz oposição no Congresso Nacional, que o local adequado para esse tipo de posicionamento. Papel do Executivo é governar e buscar parcerias com outras esferas de governo”

Dilma fará 50 nomeações no gabinete de transição


no Fábio Campana

Funcionários e estrutura custarão ao Tesouro R$ 2,8 mi
Antes mesmo de tomar posse, a presidente eleita Dilma Rousseff acomodará na folha de salários do governo 50 pessoas.
Os indicados de Dilma vão ocupar postos identificados pela sigla CETG (Cargos Especiais de Transição Governamental).
Serão divididos em sete níveis herárquicos. No escalão mais baixo, o salário será de R$ 2,1 mil. No mais alto, R$ 11,4 mil.
O cargos são temporários. Vão durar o tempo da transição. Nomeados a partir desta semana, os ocupantes serão exonerados em 10 de janeiro de 2011.
Deve-se a estrutura a uma medida provisória baixada sob Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Aprovada pelo Congresso, virou a lei 10.609.
Graças a essa lei, Dilma vai dispor também de espaço físico para alojar sua equipe de transição.
Lula decidiu acomodar sua pupila no mesmo local que lhe foi cedido, em 2002, por FHC: o CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil).
Os dois meses de transição custarão ao Tesouro Nacional R$ 2,8 milhões. Coube à equipe do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) fazer as contas.
Para cobrir a folha dos 50 indicados de Dilma, reservou-se R$ 1,1 milhão. Para bancar a estrutura, R$ 1,6 milhão.
Por meio de decreto editado em junho de 2010 (número 7.221), Lula adicionou novidades no processo de transição. Eis a principal:
Todos os ministérios terão de entregar à equipe de Dilma textos com compromissos obrigatórios do governo nos primeiros quatro meses da nova gestão.
Na sucessão atual, o gabinete de transição faria mais sentido se o eleito fosse o oposicioniosta José Serra.
Durante a campanha, a própria Dilma apresentou-se ao eleitorado como supergerente. Da Casa Civil, coordenava todo o governo.
Em certos momentos, passou a impressão de que conhecia mais do que o próprio Lula os meandros da administração. A despeito disso, vai se servir do processo.
O estabelecimento das regras de transição é um dos orgulhos de FHC. Ele diz que a providência introduziu “civilidade” nas relações políticas.
Pelo lado do governo que chega ao fim, cabe ao chefe da Casa Civil chefiar a transição, em sintonia com o coordenador de equipe a ser indicado por Dilma.
Os integrantes do grupo de transição terão acesso irrestrito aos dados do governo. Pela lei, são obrigados a preservar o sigilo das informações reservadas.
Os nomes que a presidente eleita irá escolher tendem a monopolizar as atenções nos próximos meses. A prevalecer a experiência de Lula, muitos podem virar ministros.
A própria Dilma foi nomeada ministra das Minas e Energia, em 2003, depois de coordenar a equipe de transição deste setor.
Antonio Palocci, até ontem mandachuva do comitê de campanha do PT, também foi alçado da equipe de transição de Lula para o cargo de Ministro da Fazenda.

Minha Casa Minha Vida


Presidente do TRE de SP quer barrar famosos na eleição



MOACIR ASSUNÇÃO - Agência Estado
O presidente do TRE paulista, desembargador Walter de Almeida Guilherme, defendeu hoje que na discussão sobre a reforma do Código Eleitoral seja incluído algum mecanismo para dificultar a eleição de pessoas famosas, como por exemplo artistas de TV ou Rádio, caso do palhaço Tiririca, eleito com 1,3 milhões de votos. "Não sei como se faria isso, mas é necessário discutir, porque viola o princípio da igualdade de oportunidades. O eleitor tende a votar em quem ele conhece", afirmou. No dia 8 deste mês haverá uma audiência pública em São Paulo para tratar do assunto.
Guilherme fez a declaração ao comentar as eleições no Estado. Para ele, o pleito "transcorreu na mais perfeita tranquilidade", sem grandes dificuldades."Mérito total dos juízes, membros da corte e funcionários", disse. No Estado, a abstenção aumentou, de cerca de 18% para 21%, seguindo uma tendência nacional. Guilherme atribuiu o acréscimo ao fato de alguns eleitores aproveitarem para viajar nu o período, mas em sua visão não houve impacto na votação no Estado ou no País.
Para o desembargador Walter Guilherme, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nestas eleições foi "excessiva", embora não tenha fugido do que diz a legislação eleitoral. "Acho que ele se excedeu em vários momentos e, por isso levou várias multas da Justiça Eleitoral. A lei foi aplicada e o que precisamos saber é se ela está de acordo com o que deve suceder", disse. 

Casa Civil vai mudar e Palocci será reabilitado



Em 2011, pasta deve perder atribuições executivas e programas especiais serão coordenados por Dilma

Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Disposta a evitar novas crises no Palácio do Planalto, a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), vai repaginar a Casa Civil e fortalecer a Secretaria-Geral da Presidência. A ideia é ajustar o chamado "núcleo duro" do governo para que a Casa Civil deixe de ser um latifúndio e a articulação política ganhe musculatura.
Nesse novo desenho, a Secretaria de Relações Institucionais - hoje responsável pelas negociações com o Congresso - pode ser extinta e suas funções, abrigadas por outro ministério, como a Casa Civil ou a Secretaria-Geral. No modelo em estudo, porém, a Casa Civil perde atribuições executivas, a partir de 2011. Programas especiais serão coordenados pela própria Dilma, que pretende montar um time de assessores especiais no Planalto.
O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, um dos principais coordenadores da campanha, será reabilitado no novo governo do PT e terá papel de destaque. Comandante da economia no primeiro mandato do presidente Lula, ele caiu em março de 2006 após o escândalo envolvendo a quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, revelado pelo Estado.
Palocci chegou ao comitê de Dilma como homem indicado por Lula, mas encerrou a maratona eleitoral na condição de mais próximo interlocutor da petista. Sem experiência na seara política, Dilma recorrerá a ele para as articulações de bastidor.
‘Homem forte’. Dilma já disse a amigos, porém, que não quer saber de "homem forte" ou "primeiro-ministro". O cargo a ser ocupado por Palocci segue indefinido. Ele tanto pode ir para a Casa Civil como para a Secretaria-Geral da Presidência, dependendo da configuração a ser adotada na "cozinha" do governo.
Na prática, Palocci representa para Dilma o que o empresário e vice José Alencar foi para Lula, em 2002. O deputado virou uma espécie de salvo-conduto: aproximou a então candidata principalmente de banqueiros e empresários do setor exportador.
Chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho também é cotado para ocupar a Secretaria-Geral da Presidência, que hoje cuida dos movimentos sociais, mas deve mudar de perfil. Sobrevivente do antigo "núcleo duro", Luiz Dulci, ministro da Secretaria-Geral nos dois mandatos de Lula, tem dito que vai se dedicar a novos projetos em Minas.
Alexandre Padilha, titular de Relações Institucionais, deve continuar na equipe, mas pode ser remanejado se a articulação política for abrigada por outro ministério. GilesCarraconde Azevedo, assessor de Dilma desde que ela trabalhava no Rio Grande do Sul, deverá ocupar a chefia de gabinete do Planalto.
Embora o PMDB esteja de olho na Casa Civil, cadeira que já foi de Dilma e também de José Dirceu - abatido em 2005, na crise do mensalão -, a presidente eleita já decidiu que o ministério ficará com o PT. Dirceu quer empurrar Palocci para a Saúde, hoje do PMDB. O ex-titular da Fazenda, que é médico, resiste à ideia.
Na avaliação de Dilma e de Lula, o Gabinete de Segurança Institucional também está "desidratado" e escancarou sua fragilidade no escândalo que culminou com a queda deErenice Guerra da Casa Civil, em setembro. Ela montou um esquema de tráfico de influência no governo, sustentado por parentes e amigos, mas auxiliares de Lula dizem que o serviço de inteligência não funcionou. Chefe do GSI, o general Jorge Félix será substituído.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), é outro nome citado para a Casa Civil ou Previdência, mas pode acabar ficando na sua atual cadeira. "O presidente Lula fortaleceu a função do planejamento", disse Bernardo, que não sabe, porém, qual vaga está reservada para ele. "Dilminha nunca me falou nada", garantiu, rindo.

Lula avisa que continuará a ser protagonista na cena política



Apesar de descartar participar formalmente do próximo governo, presidente diz que quer seguir 'ajudando o Brasil'

Leonencio Nossa - O Estado de S.Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 31, que continuará à frente da rede de movimentos sociais e sindicais depois que deixar a Presidência. Em entrevista no pátio da Escola Estadual João Firmino, onde votou pela manhã, afirmou que estará à disposição de sua sucessora, a "companheira" Dilma Rousseff, para eventuais embates com os adversários e diálogos com empresários e aliados.
"Não tenho como desaparecer da minha relação com a sociedade de uma hora para a outra", afirmou. "Quero continuar viajando, ajudando o Brasil e a política", ressaltou. "Sou um ser humano político."
Nas respostas sobre o futuro político, Lula sugeriu que a disputa de 2014 é um tema de interesse da imprensa, enquanto a preocupação dele é permanecer em evidência nas ruas após deixar o governo. "Ela (Dilma) vai tomar posse no dia 1º. Eu vou para a terra e ela continua. Eu, no nosso barco", afirmou. E repetiu semblante de falta de interesse toda vez que foi perguntado sobre um possível terceiro mandato, dizendo não ter "vontade" de voltar ao Planalto.
Ao comentar o poder das ruas, ele observou que deixa o governo com 80% de aprovação. Mas descartou participar formalmente do futuro governo e mesmo das atividades do PT, mas estará aberto para conversas com Dilma. "Eu sou companheiro da Dilma, gente, lógico que eu vou discutir com ela muitas coisas", disse. "A única tarefa que eu não quero é ter tarefa dentro do governo ou do partido."
Se a situação da "companheira" estiver tranquila, Lula pretende se dedicar aos afagos a sindicatos e organizações não governamentais em atividade nos grotões do País e à sua imagem no exterior. "Eu tenho muita coisa a fazer no Brasil. Tenho relação muito forte com o movimento social. Vou continuar andando pelo País", disse. "Ainda temos que construir uma solidez forte na América Latina, a integração ainda não é total."
Para Lula, Dilma deve construir um governo com a "cara" dela, com pessoas de confiança que possa colocar e tirar. E sinalizou que a petista vai recorrer à mesma fórmula usada por ele em momentos de turbulência política – colar nos críticos a tarja de preconceituoso.
No primeiro mandato, o presidente acusava adversários de preconceito contra um ex-metalúrgico. Ontem, Lula disse que a petista sofreu por ser mulher. "Acho que é uma coisa delicada o que aconteceu nessa campanha, a disseminação do ódio e do preconceito", disse. "Em política, isso é muito grave."
PMDB. A uma pergunta sobre o apetite do aliado PMDB por cargos, o presidente respondeu que é um "grande engano" achar que o partido tomará conta do governo. Avaliou que Dilma está preparada para lidar com os aliados de forma "republicana" e montar uma equipe de acordo com a sua base de sustentação política. "Não tenho dúvida que fará um grande governo."
O presidente fez críticas às igrejas pela postura no debate do aborto e à imprensa por agir de "má fé" e "explorar" politicamente o discurso religioso, especialmente uma declaração recente do papa Bento XVI. "Acho que as igrejas vão ter de pensar o seu papel, porque muita gente usou e abusou do direito de vender inverdades", afirmou. "Alguns setores da imprensa erram ao tentar nivelar a política por baixo."

Jarbas diz que desafio de Dilma será governar sem Lula



ANNE WARTH - Agência Estado
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse ontem que o maior desafio da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) será governar o País sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista concedida no comitê de campanha do PSDB, na capital Paulista, Jarbas disse que Dilma foi uma escolha pessoal de Lula motivada pelas denúncias de corrupção que atingiram os principais nomes do partido, como os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci. "O governo de Dilma será muito diferente de uma campanha manipulada, dirigida e organizada por Lula, muito diferente de um governo no qual ela será a figura principal", criticou.
Jarbas reconheceu que a oposição não foi capaz de se organizar durante o governo Lula. "Reconheço nossa incapacidade absoluta de fazer uma oposição permanente", admitiu. "A única vez que nos organizamos foi no Senado, quando conseguimos derrubar a CPMF. Isso mostra que com um mínimo de organização, o trabalho é possível", disse.
Ele também recomendou que essa organização seja feita até o fim deste ano e que o trabalho terá de ser totalmente diferente do realizado nos últimos anos. "Sem organicidade, cada um tendo o seu papel e o seu objetivo, com reuniões sistemáticas e percorrendo o País sempre, não apenas em período eleitoral, isso é fundamental".

Próximas eleições começam hoje, diz Rodrigo Maia



ANNE WARTH - Agência Estado
O presidente nacional do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), disse ontem à noite que as eleições de 2012 e 2014 começam hoje. "Uma derrota não significa a perda de nossas ideias e objetivos. Mas com certeza, daqui para frente, temos todas as condições de continuar construindo nosso projeto", afirmou.
Ele recusou a avaliação de que a oposição saiu enfraquecida nessas eleições. "O DEM sai fortalecido. A expectativa de todos vocês é de que nós não faríamos nenhum governador e de que terminaríamos (as eleições) com no máximo 20 deputados federais", afirmou, referindo-se aos jornalistas que lhe fizeram as perguntas. "Acho que mantivemos uma estrutura partidária bem razoável", completou. 

"PSDB lançará candidato em 2 anos", diz Sérgio Guerra


RAFAEL NARDINI no Terra 
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, afirmou neste domingo, logo após o pronunciamento do candidato derrotado à presidência da República, José Serra, que a intenção do partido é lançar um candidato à presidência dentro de dois anos. No entanto, Guerra se esquivou de responder se esse possível nome para 2012 seria do senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves. "Vai sair do PSDB ou dos partidos coligados", disse.
Sérgio Guerra deu uma concorrida coletiva ainda dentro do Comitê de Campanha tucano. Segundo ele, após a derrota, a legenda priorizará uma oposição "democrática e firme".
Para o presidente do PSDB, o partido enfrentou uma campanha "extremamente desequilibrada desde o período anterior à oficialização das candidaturas". "Foi uma campanha (de Dilma Rousseff) denunciada na Justiça dezenas de vezes. O próprio presidente Lula riu deles. Quando ele foi multado, achou graça", completou.
Dilma Rousseff confirmou matematicamente a vitória pouco mais de uma hora após o fim da votação em todo o Brasil, somando 55% dos votos, enquanto José Serra (PSDB) teve 44%. O índice de abstenção foi de 21%.

Presidente do PSDB-MG chama Xico Graziano de "arrogante"



no Terra

Na noite deste domingo (31), o presidente do PSDB em Minas Gerais, o deputado federal Narcio Rodrigues respondeu ao coordenador do programa de governo do presidenciável José Serra, Xico Graziano, que, por meio do Twitter, criticou indiretamente a participação de Aécio Neves na campanha de Serra. "Vou responder à pergunta feita agora à noite por Xico Graziano divulgada pela imprensa: por vários motivos. Entre eles, talvez, o fato de muitos mineiros não terem esquecido a arrogância de posturas como a dele que, felizmente, são manifestações isoladas no conjunto das forças do nosso partido", divulgou em nota.
O presidente do PSDB mineiro disse ainda que "O Brasil inteiro é testemunha do grande empenho das lideranças de Minas, entre elas o senador Aécio Neves e o governador Anastasia, a favor de José Serra¿. ¿É uma pena que continue faltando a alguns a humildade e a solidariedade que a atividade política tanto precisa", acrescentou.
Por fim, Rodrigues lamentou a postura de Graziano, pelos comentários no Twitter: "só posso lamentar a postura do Xico Graziano. Como diz uma bela canção aqui de Minas: 'a lição sabemos de cor, só nos resta aprender". Parece que tem gente que ainda não aprende'".
Xico Graziano publicou na tarde deste domingo, no Twitter, uma alfinetada no correligionário mineiro do candidato, o governador Aécio Neves. Em um de seus mais recentes "posts", Graziano questiona a performance ruim de Serra em Minas Gerais. "Perdemos feio em Minas Gerais, por que será?", disse o tucano.
Em outro post, Graziano aludiu à fama de consumidor de álcool do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula vai encher a cara nesta noite. Sua vitoria será magra, após vergonhosa campanha sua", disse. Ele ainda aproveitou para dizer que a vitória foi dos "institutos de pesquisa". "Uma vergonha", qualificou.