quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

''Juro cumprir a Constituição'' - Eduardo Fagnani



Eduardo Fagnani - O Estado de S.Paulo
Na posse de Dilma Rousseff chamou-me a atenção o conciso juramento dedicado ao cumprimento da Constituição, fundamento do Estado democrático. Veio-me à mente o fato de que, no tocante à seguridade social, nenhum dos seus antecessores cumpriu esse compromisso solene, a começar por Sarney.
A questão de fundo é que certos setores da sociedade resistem a aceitar essa conquista social. A mesma recusa se verificou em todos os governos desde 1988. Optaram por descumprir princípios fundamentais da organização e do orçamento da seguridade social (SS) e dos mecanismos que asseguram o controle social sobre os rumos das políticas de saúde, previdência e assistência social (Conselho Nacional da Seguridade Social).
Após 22 anos, percebo um conjunto de aparentes inconstitucionalidades. Digo aparentes porque, sendo economista, não tenho competência para comprovar com rigor esses pontos. Conclamo os juristas a participar desse debate. Fica a pergunta: não cabem ações diretas de inconstitucionalidade?
A primeira aparente ilegalidade é que o poder público jamais organizou a SS como rezam os artigos 165, 194, 195 e 59 - este último do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). A Constituição de 1988 instituiu a SS integrada pelos setores da saúde, previdência e assistência social e seguro-desemprego (artigo 194). O artigo 59 dos ADCT estabeleceu prazos claros: "Os projetos de lei relativos à organização da seguridade social e aos planos de custeio e de benefício serão apresentados no prazo máximo de seis meses da promulgação da Constituição ao Congresso Nacional, que terá seis meses para apreciá-los". O parágrafo único complementa: "Aprovados pelo Congresso Nacional, os planos serão implantados progressivamente nos dezoito meses seguintes". Esses prazos, todavia, não foram observados. Tais determinações - mantidas pela Lei Orgânica da Seguridade Social (1991) e pela Emenda Constitucional 20/98 - foram olimpicamente descumpridas. O Executivo jamais formulou o projeto de lei de organização da seguridade social, conforme reza, rigorosamente, a Carta Magna. Optou por formular projetos de lei setoriais separados e institucional e financeiramente desarticulados.
Para financiar a SS a Constituição introduziu o orçamento da seguridade social (OSS), um conjunto de impostos gerais e contribuições de empregados e empregadores vinculados ao financiamento dos setores da saúde, previdência, assistência e seguro-desemprego (artigo 195). A segunda aparente inconstitucionalidade é que o Executivo jamais apresentou o OSS, rigorosamente como reza a Carta Magna. Em primeiro lugar, como mencionado, o ponto de partida são os planos de custeio e de benefício dos setores que integram a SS (artigo 59 do ADCT). Em segundo lugar, uma vez consolidado o OSS, suas fontes e seus usos devem ser apresentados anualmente, numa peça única, visando à transparência e ao controle social: o parágrafo 5.º do artigo 165 determina que a lei orçamentária anual compreende o orçamento fiscal, o orçamento das empresas estatais e o orçamento da seguridade social, "abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público". Esses preceitos constitucionais não foram cumpridos, com rigor, pelo Executivo.
A terceira aparente inconstitucionalidade é a captura dos recursos do OSS para outras finalidades não previstas na Carta de 88. Diversos estudos mostram que as contas do sistema sempre foram superavitárias. Em 2009, por exemplo, o superávit foi de R$ 32,6 bilhões, capturado pela área econômica. Esse desvio contradiz os artigos 194 e 195.
Em quarto lugar, destaca-se o desrespeito aos mecanismos de controle social. Para fiscalizar e verificar se o Executivo organizou a SS de acordo com o previsto no artigo 194 e se os recursos do OSS não foram desviados (artigo 195), a Constituição determinava que o poder público deveria observar o "caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação da comunidade, em especial de trabalhadores, empresários e aposentados" (§ único, VII, do artigo 194, com nova redação dada pela Emenda 20/98: "caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados"). A ideia era criar o Conselho Nacional da Seguridade Social (o que ocorreu com a Lei 8.212/91. Entretanto, esse conselho nunca foi constituído. E mais grave: em 2001 a MP 2.216-37 revogou os artigos da lei que o havia instituído. Fica minha pergunta aos juristas: uma medida provisória tem força legal para extirpar um dos núcleos centrais da organização da SS, determinado pela Constituição da República?
Outra aparente inconstitucionalidade é a forma de o Ministério da Previdência e Assistência Social apresentar os dados da Previdência, desde 1989. O órgão não considera a previdência como integrante da seguridade. Parte do princípio de que a folha de salário do trabalhador urbano deve cobrir o gasto com o INSS urbano e o rural. O resultado é um "rombo" na Previdência por causa do INSS rural - na medida em que a previdência urbana é superavitária. Ora, insisto que os artigos 194 e 195 rezam que o INSS rural (não contributivo) deve ser coberto pelas receitas de impostos (Cofins, CSLL, etc.). Ao apresentar "déficit" do INSS rural, o Ministério comete o mesmo equívoco de sentenciar o "rombo" das contas do Legislativo, do Judiciário e das Forças Armadas (também financiadas por impostos).
Com sua notável biografia de luta pela democracia e pela correção demonstrada ao longo da sua vida pública, a presidenta Dilma poderá contribuir para a consolidação das conquistas sociais de 1988, o que passa por cumprir a Constituição, como jurou fazer ao tomar posse.
PROFESSOR DO INSTITUTO DE ECONOMIA DA UNICAMP 


O efeito Tiririca no Supremo



Aloísio de Toledo César - O Estado de S.Paulo
As instituições às vezes refletem contradições capazes de deixar atordoado o mais sereno dos brasileiros. Uma delas, bastante recente, está na circunstância de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, detentor de linda carreira, com quase 40 anos de magistratura sem a mais leve mancha, a partir de 1.º de fevereiro passar a receber subsídios iguais aos do comediante Tiririca, eleito deputado federal.
O País acompanhou o fenômeno Tiririca, o mais votado de todos os tempos, apesar de sua claudicante alfabetização, tão controversa que tornou duvidosa a conclusão final do Judiciário a respeito de ser ele alfabetizado ou não. É pessoa simpática e detentora de talento próprio para as graças que costuma fazer e das quais se alimenta. Mas, sem dúvida alguma, a equiparação assusta.
A imagem do comediante não se confunde com a do Congresso Nacional, integrado por muitas pessoas de bom nível intelectual e cultural. Mas, com a decisão do final do ano passado, que vinculou os vencimentos dos deputados federais e senadores aos recebidos pelos ministros do STF, Tiririca e Cezar Peluso estarão empatados nos respectivos contracheques.
Em verdade, é pior do que isso, porque os deputados federais e senadores, por força daquelas vantagens extraordinárias para pagamento de despesas pessoais e de assessores, acabam recebendo bem mais do que um ministro do Supremo.
Isso tende a criar situação bastante constrangedora. Os representantes do povo detêm o poder de aprovar as leis e por isso lhes é dado decidir se portadores de mandatos eletivos devem receber subsídios iguais ou maiores que os dos ministros do STF e vice-versa.
O que não parece adequado é a equiparação, porque representa o risco de se perpetuar, ou seja, cada vez que houver aumento dos subsídios dos ministros do STF, o precedente poderá levar os congressistas e votarem nova lei em causa própria, promovendo outra vez a equiparação.
A Constituição federal, em seu artigo 37, inciso XI, determinou com toda a clareza que os subsídios dos ministros do Supremo devem ser os mais elevados, tanto que representam o valor máximo para cálculo dos demais. A equiparação levada a efeito no final de 2010 introduziu um aleijão na Carta Magna, ou seja, fez surgir um arremedo de paradigma, representado pelos valores que serão recebidos por deputados federais e senadores.
Sem nenhuma dúvida, não foi isso o que pretendeu o legislador constituinte de 1988 ao colocar o STF no topo da escala de vencimentos dos agentes do Estado. Se a moda pega, outros ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, na administração direta e indireta, poderão postular a mesma equiparação a ministros e congressistas, uma vez que o precedente está cristalizado.
Após seguidas eleições, pacificamente realizadas, a democracia brasileira mostra-se efetivamente consolidada, sobretudo com a escolha, agora, de uma mulher para presidente da República. Mas todos sabemos que a democracia tem os seus inimigos. A equiparação de vencimentos de deputados federais, senadores e ministros, dando a ideia de uma nobreza intocável e favorecida, será sempre um prato cheio para aqueles que gostariam de estatizar até mesmo os banhos de praia.
Os vencimentos dos subsídios dos ministros do STF são fixados por lei federal. A última, de 2005, fixou-os em R$ 21.500, com elevação ao patamar de R$ 24.500 a partir de 1.º de janeiro de 2006. Pela Resolução n.º 423, legalmente prevista, esses valores foram elevados pelo STF para R$ 26.723,13. Com base neles são calculados os vencimentos dos ministros dos outros tribunais, juízes e promotores de Justiça, federais e estaduais.
Está prevista para o início da atual legislatura a votação pelo Congresso do projeto que concede ligeira majoração aos vencimentos dos ministros do Supremo. Isso ocorrerá pela primeira vez num momento em que ministros e congressistas recebem os mesmos subsídios e, claro, poderá provocar constrangimentos.
A equiparação efetivada ocorreu levando em conta tão somente os valores recebidos pelos ministros da Suprema Corte, ou seja, não houve alteração do princípio constitucional que coloca os subsídios dos ministros do STF na condição de os mais elevados do País. Isso significa que a possível aprovação do reajuste pretendido pelo Supremo não se estenderá automaticamente aos congressistas, muito embora, dado o precedente, fique em aberto a possibilidade de estes iniciarem nova corrida para igualar os subsídios. Vê-se que se trata de questão tormentosa, capaz de repercutir desastrosamente entre a população espectadora.
O acesso ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal representa o coroamento de qualquer carreira jurídica. É uma honra ser escolhido, porém a escolha não representa um agradável desfecho de vida profissional, representando, ao contrário, servidão interminável, decorrente do inacreditável volume de processos que cada ministro tem a obrigação de julgar.
Respeitadas as exceções, os ministros da Supremo Corte trabalham muitas vezes mais do que a maioria dos deputados e senadores. E, muito embora ocupem o cargo máximo na hierarquia dos agentes públicos, não será confortável para eles receberem os mesmos subsídios que serão pagos aos parlamentares no Congresso Nacional - inclusive ao deputado federal Tiririca.
A equiparação em favor dos deputados federais e senadores ocorreu por decreto legislativo, no final do ano passado, aprovado em regime de urgência e resultando em majoração de 61,68% nos seus subsídios, ou seja, índice bastante superior ao da inflação no período. Como se efetivou por decreto legislativo, nem houve necessidade de sanção do presidente da República.
DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (TJ-SP) 

Obama anuncia viagem ao Brasil em março para fazer avançar 'excelente relação'



Visita, que inclui também Chile e El Salvador, será a primeira do presidente americano à América do Sul.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira, durante seu discurso do Estado da União, que fará uma visita ao Brasil em março.  
A viagem inclui ainda Chile e El Salvador e será a primeira de Obama à América do Sul desde que assumiu o governo americano.
Obama disse que a viagem servirá para "forjar novas alianças para o progresso nas Américas".
"O presidente espera se encontrar com a nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff, para discutir áreas de interesse mútuo que ajudarão a fazer avançar a excelente relação que nós já temos com o governo brasileiro", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer.
"Eessas áreas incluem energia limpa, crescimento global, reconstrução, assistência ao Haiti, esforços de desenvolvimento colaborativo e outras questões de importância global", afirmou o porta-voz.
Tensão. A visita de Obama ao Brasil vai ocorrer depois de um período de tensão entre os dois países durante os últimos dois anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os pontos de atrito envolveram diversos temas, como um acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, que permitia aos americanos utilizar bases em território colombiano, e a crise provocada pela deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya.
As divergências foram aprofundadas com a aproximação de Lula com o governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
No ano passado, o Brasil não apoiou a aplicação de uma quarta rodada de sanções da ONU contra o programa nuclear iraniano, aprovada pelo Conselho de Segurança em junho.
Pouco antes da aprovação, o Brasil havia obtido, ao lado da Turquia, um acordo com o governo iraniano para tentar solucionar a questão nuclear por meio do diálogo e evitar as sanções, mas a proposta foi rejeitada pelos Estados Unidos.
Diante da tensão entre os dois países, uma aguardada visita de Obama ao Brasil foi adiada várias vezes.
Com a confirmação da agenda do líder americano, a presidente Dilma Rousseff, que já tinha planejada uma visita aos Estados Unidos em março, acabou cancelando a viagem. 

Dilma já trata Kassab como aliado e faz críticas indiretas a tucanos de SP



Sentados lado a lado durante cerimônia em São Paulo, prefeito e ex-presidente Lula conversaram bastante

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo
A iminente ida de Gilberto Kassab para o PMDB, partido da base governista, levou a presidente da República, Dilma Rousseff, a elogiar o prefeito paulistano e a destacar investimentos na capital, ao mesmo tempo em que criticou, de maneira indireta, o PSDB.
A presidente cumprimentou Kassab (DEM) "com muito carinho" e disse estar "honrada" com o convite feito por ele para participar nesta terça, 25, da cerimônia em comemoração ao 457.º aniversário de São Paulo, na sede da Prefeitura, na qual foi entregue a Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, que luta contra um câncer há 13 anos.
Além de Dilma e Alencar, estavam com Kassab no palco montado na Prefeitura o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), com quem o prefeito mantém conversas sobre a troca de partido. Ontem, os dois conversaram rapidamente na presença de Alckmin.
Sentados lado a lado, Kassab e Lula falaram bastante durante a cerimônia. O prefeito concedera a mesma medalha ao ex-presidente em 2010 - à ocasião, também fez a homenagem ao ex-governador José Serra (PSDB).
Tanto Dilma como Lula são entusiastas da ida de Kassab, que está na oposição, para o PMDB. Ambos avaliam que a troca de partido enfraqueceria o PSDB em São Paulo, principal bastião oposicionista no maior colégio eleitoral do País. Nas últimas cinco eleições, o PT não quebrou a hegemonia tucana no Estado.
Kassab pediu aos peemedebistas discrição nas negociações. Quer tonar pública a decisão apenas depois de 15 de março, quando ocorrerá convenção nacional do DEM para a escolha da nova direção. Caso não consiga emplacar a troca de comando no partido, Kassab terá um argumento forte para abandonar a legenda.
O prefeito disse às lideranças tucanas que pretende mesmo mudar para o PMDB, legenda que lhe daria fôlego para projetos políticos maiores, como a disputa pelo governo paulista em 2014. Aos aliados afirmou que, mesmo no novo partido, pretende manter a aliança com o PSDB.
Na cerimônia, a presidente Dilma afirmou ainda que "junto" com Kassab vai "continuar esse processo de investimentos" feitos pelo governo federal na capital paulista. Sem citar os tucanos, que governam São Paulo há 16 anos, Dilma disse que o Estado ainda tem "desafios" a enfrentar com a população de mais baixa renda.
"Fico extremamente feliz de estar aqui em São Paulo e de que seja aqui que esta medalha esteja sendo entregue a José Alencar, porque justamente aqui temos um dos Estados mais desenvolvidos do nosso País. Mas, ao mesmo tempo, temos tantos desafios em relação à situação do nosso povo mais pobre", disse.
A presidente ainda destacou que o País está no "rumo certo" e que essa trajetória teria sido "construída" por Lula e Alencar. Não mencionou o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que também foi um dos homenageados com a medalha ontem - o tucano não compareceu à cerimônia porque estava em viagem fora do País.
"Os dois presidentes (Lula e José Alencar) que não tinham diploma universitário mostraram um compromisso com a educação, como diz o nosso querido presidente Lula, ‘nunca dantes visto na história deste país’", completou Dilma.
No final de seu discurso, a presidente dirigiu-se brevemente a Alckmin: "Queria dizer ao governador que estamos prontos para continuar a parceria entre o governo federal e o governo do Estado." Pouco antes, o tucano disse receber com Dilma com "alegria" e desejar a ela um "ótimo mandato". "Contem com São Paulo", completou Alckmin.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Beto Richa lança segunda fase do PAC em Pinhais


O governador Beto Richa, o presidente da Cohapar, Mounir Chaowiche, e o prefeito de Pinhais, Luiz Goularte Alves, lançam nesta quarta-feira (26), às 10h30, a segunda fase das obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) da Habitação no Jardim Jerivá.

As novas 634 casas receberão investimentos de mais de R$ 20,4 milhões, que incluem a infraestrutura e as moradias, numa parceria entre Governo Federal, Governo do Paraná e prefeitura. A primeira fase do PAC no Jardim Jerivá tem 113 casas, cujas obras já começaram. As moradias irão abrigar famílias que hoje vivem às margens dos rios Palmital e Atuba.
Na cidade estão sendo investidos R$ 40,4 milhões em 906 regularizações e construção de 747 unidades habitacionais para beneficiar moradores do Jardim Santa Clara, Jardim Dona Joaquina, Jardim Palmital, Jardim Tiradentes, Governador e Sol Nascente (entre a avenida Victor Ferreira do Amaral e Vila União), Jardim Bonilauri e Jardim Jerivá.

Montes desiste da candidatura a líder do DEM



ANDREA JUBÉ VIANNA - Agência Estado
O deputado Marcos Montes (DEM-MG) divulgou nota oficial hoje comunicando a desistência de sua candidatura a líder da bancada na Câmara. No mesmo documento, indica o paranaense Eduardo Sciarra para o seu lugar na disputa.
Montes e Sciarra integram o grupo do presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, que tenta emplacar o sucessor de seu filho, Paulo Bornhausen (SC), que deixou o cargo para assumir uma secretaria no governo de Santa Catarina. No lugar do mineiro, Sciarra disputará o cargo com o baiano Antonio Carlos Magalhães Neto, que tem o apoio do presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ).
A escolha do novo líder é considerada um termômetro para a escolha do próximo presidente do DEM que será eleito no dia 15 de março. Na nota oficial, Montes atribui sua desistência à iniciativa de Maia de lançar a candidatura de ACM Neto, afirmando que o dirigente da sigla coloca "em risco o projeto das oposições" e o indispõe com Minas Gerais. 

Petrobras anuncia nova descoberta de óleo na bacia de Santos


REUTERS

A Petrobras anunciou nesta terça-feira nova descoberta de óleo de boa qualidade nos reservatórios do pré-sal no bloco BM-S-9, na Bacia de Santos.
"As análises preliminares comprovaram a extensão da acumulação com óleo de 26o API em 200 metros de reservatório de alta qualidade, superior ao resultado do poço pioneiro", informou a estatal em comunicado ao mercado.

Aneel recusa devolução de R$ 7 bilhões cobrados a mais na conta de luz


Agência Brasil  no Última Instância



A diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu nesta terça-feira (25/1), rejeitar mais uma vez o ressarcimento de cerca de R$ 7 bilhões aos consumidores pelos valores pagos a mais às distribuidoras de energia entre 2002 e 2009.
A Aneel já havia decidido em dezembro do ano passado que a revisão da metodologia de cálculo dos reajustes das tarifas da eletricidade, feita em 2010, não poderia retroagir em relação aos valores já pagos. A justificativa é que a aplicação retroativa do método não tem amparo jurídico e sua aceitação provocaria instabilidade regulatória ao setor elétrico.
A decisão de hoje foi tomada em relação ao pedido de reconsideração apresentado por um grupo de deputados federais. Segundo a assessoria da Aneel, não cabem mais recursos em instâncias administrativas, apenas na esfera jurídica.
Justiça
Na semana passada, o relator da CPI das Tarifas de Energia, deputado Alexandre Santos (PMDB-RJ), enviou ofício ao MPF (Ministério Público Federal) pedindo que procuradores entre com ação na Justiça para exigir a devolução aos consumidores dos valores cobrados indevidamente.
“Eu até propus um acordo para que se fizesse [a devolução] nas contas durante o período de um ano. Mas, mediante a teimosia da Aneel, vamos ter que ingressar na Justiça para fazer essa devolução de imediato”, disse Alexandre Santos.
O deputado informou que os integrantes da CPI também vão apresentar um projeto de decreto legislativo para suspender a decisão da agência e ressarcir os prejudicados.
A advogada Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste Associação de Consumidores, concorda com a necessidade de uma compensação aos usuários de energia elétrica. Em março passado, a Proteste entrou com uma ação na Justiça para cobrar da Aneel as planilhas de reajuste das tarifas aplicado entre 2002 e 2009. Na ação, a associação indica também a necessidade de devolução dos valores aos consumidores.
"São mais de 50 distribuidoras de energia elétrica no País, e cada uma promoveu um reajuste diferente nesses últimos anos. Por isso, a necessidade de se ter uma planilha para poder fazer o cálculo de quanto o consumidor pagou a mais por distribuidora e qual seria a forma de compensação", explica Maria Inês.

Maconha, legalizar ou reprimir? por Merval Pereira


no Blog do Noblat

Maconha, legalizar ou reprimir?

A Comissão Global sobre Drogas encerra sua primeira reunião hoje, em Genebra, sob a coordenação do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, com uma clara tendência, que certamente vai gerar muita polêmica: trabalhar pela legalização e regulamentação do uso da maconha como a melhor maneira de combater o tráfico de drogas e suas consequências.
Esse é um passo adiante do já dado pela Comissão Latino-Americana, que, além do ex-presidente brasileiro, tinha na sua coordenação os ex-presidentes César Gaviria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México, e defendeu a descriminalização da maconha, por ser a droga de uso amplamente majoritário no mundo (90% do consumo mundial de drogas) e, ao mesmo tempo, cujos malefícios podem ser comparados aos do álcool e do tabaco.
Fazem parte da Comissão Global políticos como Javier Solana, ex-secretário-geral da Otan e ex-Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia; a ex-presidente da Suíça Ruth Dreifuss; George Schultz, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos; e empresários como Richard Branson, fundador do grupo Virgin e ativista de causas sociais, e John Whitehead, banqueiro e presidente da fundação que construiu o memorial no lugar do World Trade Center, além de intelectuais como os escritores Carlos Fuentes, do México, e o peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura.
A tese básica é que a política militarizada de combate ao tráfico tem sido muito custosa e, sobretudo, ineficaz, inclusive para os Estados Unidos, seu grande mentor, que gasta nela atualmente cerca de US$ 40 bilhões por ano.
Em 30 anos, o número de presos condenados por crimes relacionados com as drogas subiu de menos de 50 mil para 500 mil, representando um em cada quatro presos nos Estados Unidos. Enquanto isso, o preço das drogas está estabilizado ou decrescente, e o consumo não é reduzido.
Os estudos mostram que o tráfico de drogas também induz a outros tipos de crime. Segundo estatísticas, a média internacional de homicídios por cem mil habitantes mais que triplica em países produtores de drogas: de 5,98 em países não produtores de drogas, naqueles sobe para 17,05.
Os estudiosos reunidos em Genebra consideram que a política de “guerra às drogas”, além de inócua na redução do consumo ou da produção, teve impactos graves na sociedade, como o rápido aumento da população encarcerada no mundo, aumentando também a violação dos direitos humanos; a restrição ao acesso de remédios essenciais como morfina, efedrina e metadona; criminalização dos usuários, o que impede um trabalho de saúde pública mais efetivo, como a prevenção da Aids.
Um dos maiores especialistas na política de redução de danos, Alex Wodak, diretor do Serviço de Álcool e Drogas do Hospital São Vicente em Sidney, na Austrália — que ajudou a implantar naquele país o primeiro programa de seringas descartáveis e de injeções sob supervisão para viciados —, mostrou estudos que demonstram que a terapia de metadona para substituir drogas ajuda a reduzir crimes: para cada cem pessoas em tratamento de metadona durante um ano, houve uma redução de 12% de roubos; 57% de arrombamentos e 56% de roubos de veículos.
Uma análise independente do programa de seringas na Austrália verificou que, de 1988 a 2000, foram evitados 25 mil casos de infecção por HIV e 21 mil casos de hepatite C. Até o ano passado, o programa foi responsável por evitar 4.500 mortes por HIV e 90 por hepatite C.
Nesse mesmo período, o programa de seringas custou US$ 119 milhões e poupou dos cofres públicos um mínimo de US$ 2 bilhões (há cálculos que chegam a US$ 7 bilhões).
Para reforçar a tese de que a legalização e a regulamentação do uso da maconha podem trazer benefícios, seus defensores comparam a situação atual com a fase da “prohibition” (proibição), como ficou conhecida a Lei Seca dos Estados Unidos, aprovada em janeiro de 1919, e que proibia a produção, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas.
Na reunião de Genebra, Mike Trace, presidente do Consórcio Internacional de Políticas sobre Drogas, que já comandou o combate às drogas na Inglaterra, apresentou um trabalho mostrando que a legalização poderia criar um sistema supervisionado e transparente de distribuição de drogas, que daria às autoridades um maior controle sobre o suprimento, a demanda e a circulação das drogas na sociedade.
Embora essa quebra de paradigma não tenha sido tentada em nenhum lugar do mundo — mesmo porque o país que tentasse teria que se afastar das convenções da ONU —, Mike Trace vê como um sinal de que essa política começa a ser levada a sério o forte apoio que a Emenda 19 na Califórnia recebeu, tendo sido derrotada por pequena margem no ano passado.
David Mansfield, um especialista em projetos de desenvolvimento em áreas dominadas pelo tráfico, tem trabalhado em várias das maiores regiões produtoras de drogas na Ásia e América Latina nos últimos 20 anos.

Lenço justo, saia justíssima - Eliane Cantanhêde, Folha de S. Paulo



Ao desembarcar em Buenos Aires no dia 31 para sua primeira visita internacional depois de eleita, Dilma Rousseff vai enfrentar a maior saia justa - ou melhor, o maior lenço justo.
A Argentina revogou a anistia para permitir que os torturadores da ditadura fossem julgados e punidos. Aqui, diferentemente, o Supremo acaba de ratificar, digamos assim, a Lei da Anistia de 1979.
E se Dilma for chamada a meter na cabeça um daqueles lenços das Mães da Praça de Maio, que desde os anos 1970 cobram justiça e informações sobre o paradeiros de seus filhos e netos? Que interpretação isso terá em Brasília e arredores?
Como mulher, democrata e ex-guerrilheira torturada na juventude, Dilma não pode recusar o lenço, denso de simbologia. Mas, no Brasil, não há consenso para a revisão da Lei da Anistia e a questão não está em pauta neste início de governo, quando Dilma tem outras prioridades. Inclusive não criar turbulências políticas.
O mais provável é um acordão bem costurado entre o Planalto, a Casa Rosada e as duas chancelarias para que Dilma passe ao largo do lenço e do constrangimento. Combinar com "as adversárias" vai ser fácil, porque as Mães da Praça de Maio, líderes da justiça e da luta pelos direitos humanos, foram cooptadas pelo casal Kirchner. Se antes se reuniam na praça, agora tomam chá dentro da Casa Rosada e fazem oposição à oposição.
Mais ou menos como ocorreu no Brasil, onde MST, CUT, UNE e os chamados "movimentos sociais" se recolheram no governo Lula, negligenciando como força de pressão e de cobrança para dizer "amém".
Ao meter o boné do MST na cabeça, Lula provocou uma discussão infindável - e estéril - no seu primeiro ano de governo. Ao pisar na Argentina, Dilma terá de saber se quer ou não usar o lenço branco e que tipo de consequência pretende provocar internamente.
É bem mais do que só saia justa.

Japão compra mais de 20% dos bônus europeus lançados nesta 3ª feira


Foram ofertados 5 bilhões de euros em títulos de cinco anos da Linha de Estabilidade Financeira Europeia

Danielle Chaves, da Agência Estado
LONDRES - A oferta inaugural de 5 bilhões de euros em bônus de cinco anos da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF) gerou forte demanda na Ásia, como informou o fundo em um comunicado. Segundo a EFSF, o governo do Japão comprou mais de 20% da emissão, cumprindo o compromisso assumido anteriormente de contribuir para a estabilidade financeira europeia.
"O enorme interesse do investidor confirma a confiança na estratégia adotada para restaurar a estabilidade financeira na zona do euro", disse Klaus Regling, executivo-chefe da EFSF. O interesse do investidor foi excepcionalmente forte, com o registro de propostas somando 44,5 bilhões de euros, de mais de 500 investidores.
A EFSF precificou hoje os bônus a 6 pontos-base sobre as midswaps (referência para juros em euros) e a 99,302% do valor de face, com yield (retorno ao investidor) de 2,892%. Isso implica em custos de empréstimos para a EFSF de 2,89%.
Citigroup, HSBC Holdings e SG CIB lideraram a operação. Deutsche Finanzagentur, a agência de gerenciamento de dívida alemã, também atuou como colaborador na transação. O leilão de estreia da EFSF, destinado a financiar o socorro oferecido à Irlanda, era um importante teste de suporte para o fundo. As informações são da Dow Jones.

Nelson Jobim descarta entrada da Rússia na licitação dos caças


DA REUTERS


A Rússia não irá participar da licitação da FAB (Força Aérea Brasileira) para a compra de caças, que se arrasta por anos e cujo processo será retomado no atual governo, disse o ministro Nelson Jobim (Defesa), nesta terça-feira.
Segundo ele, apenas as três empresas que foram anteriormente habilitadas (Boeing, Saab e Dassault) poderão continuar na disputa.
Jobim lembrou que os russos não foram qualificados em fases anteriores do processo.
"Não tem isso não [de Rússia entrar]. Os únicos que estão disputando são os três, os americanos com a Boeing, a sueca Saab e a Dassault francesa. Os russos foram desqualificados lá atrás, no começo do processo", disse Jobim a jornalistas após participar da cerimônia de inauguração de uma agência do Banco do Brasil no Complexo do Alemão.
A norte-americana Boeing concorre com o avião F-18 Super Hornet, enquanto a sueca Saab ofereceu o Gripen NG e a francesa Dassault entrou com o Rafale.
Ele acrescentou que não há nenhuma decisão ou deliberação da presidente Dilma Rousseff para incluir novas empresas na licitação.
"Isso foi algo dito por vocês [da imprensa]. Não tem nenhuma deliberação nesse sentido. Não há fundamento".
Ele frisou que a partir da escolha do fabricante dos caças, o processo de aquisição poderá levar mais um ano.
"Uma vez decidido pela solução, há mais, no mínimo, 12 meses de negociações, que são complexas, que envolvem a transferência de tecnologia, os offsets [compensações] diretos e indiretos, e o contrato financeiro, que define a forma como isso será negociado".
Jobim espera que a definição do fabricante vencedor saia ainda em 2011.

Ministro do STF diz que aposentadorias de governadores são ilegais


no Fábio Campana

A polêmica em torno das aposentadorias vitalícias para ex-governadores e ex-parlamentares ganha cada vez mais repercussão, a medida em que novos casos de benefícios injustificáveis são descobertos. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vai contestar no STF (Supremo Tribunal Federal) as leis estaduais que concedem o benefício a ex-governadores e ex-parlamentares, e o ministro Marco Aurélio Mello garante que o Supremo já tem jurisprudência para considerar a pensão inconstitucional.
A inconstitucionalidade ocorre pelo fato de a pensão não ser lastreada por nenhum fundo constituído, segundo Floriano de Azevedo Marques, professor de direito administrativo da USP. “Quando não se tem a fonte de custeio do benefício, a inconstitucionalidade é clara. Dar aponsentadoria a quem não contribuiu fere o princípio de isonomia”, afirma.
Segundo o Presidente da OAB, Ophir Cavalcante a expectativa é que o STF, ao julgar um caso, edite uma súmula vinculante estendendo na prática a validade da decisão para os Estados.
Em entrevista ao Terra Magazine, Marco Aurélio de Mello disse que, caso a corte seja acionada pela OAB, o STF deve usar como precedente o caso de Zeca do PT, que governou o Mato Grosso do Sul durante dois mandatos e teve seu benefício cassado.

Escândalos podem levar à federalização do Porto




no Fábio Campana
As irregularidades e fraudes no Porto de Paranaguá, deflagradas por operações da Polícia Federal, podem levar à federalização do porto.
De acordo com o ministro dos Portos Leônidas Cristino, a questão será levada em breve para a presidente Dilma Rousseff. Sozinho, Cristino não pode determinar qualquer mudança, uma vez que trata-se de questão de Estado.
O Porto de Paranaguá é um dos 16 portos públicos brasileiros que são administrados pelo estado ou município, mas que não deixam de receber investimentos constantes do governo federal. Ao todo, o Brasil tem 34 portos marítimos públicos, mas apenas 18 restantes sob administração direta do governo federal.

Itamaraty elimina brecha que valeu passaporte especial a filhos de Lula



Portaria a ser publicada hoje restringe emissão do documento diplomático e extingue critério subjetivo usado por Amorim

Vannildo Mendes - O Estado de S.Paulo
Sob cerco do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Itamaraty concluiu a proposta de mudanças nas regras do passaporte diplomático. A portaria, que foi submetida ontem à presidente Dilma Rousseff e será publicada no Diário Oficial de hoje, restringe a emissão do documento e elimina o critério subjetivo hoje permitido ao ministro das Relações Exteriores - que tornou possível sua concessão aos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dois dias do fim do mandato.
Uma das medidas exige a publicação no Diário Oficial da União de cada novo passaporte diplomático emitido. Outra limita a validade do documento ao tempo de duração da missão no exterior, no caso de servidores não diplomatas. Hoje, a emissão do documento não é transparente e sua validade, de quatro anos, geralmente ultrapassa a duração da missão no exterior para a qual o portador foi designado.
A portaria do Itamaraty estabelece ainda que a solicitação do passaporte terá de ser justificada pela direção máxima do órgão do requerente, que também deve deixar claro que o beneficiado desempenhará missão ou atividade continuada de especial interesse do País, "para cujo exercício necessite da proteção adicional representada pelo passaporte diplomático".
A concessão do documento para cônjuges e dependentes estará vinculada à missão oficial do titular e também terá validade pelo prazo da missão. A solicitação terá de ser feita, no mínimo, com 15 dias de antecedência em relação ao início da missão.
Por recomendação do Palácio do Planalto, o Itamaraty vai divulgar a relação dos passaportes já emitidos. Em alguns casos, como o de diretores da Polícia Federal, por norma interna o documento é devolvido com a exoneração do cargo. No caso dos familiares de Lula, além de nenhum deles atender às especificações da lei, nem sequer havia missão definida. O ex-ministro Celso Amorim baseou-se numa exceção da lei que lhe permite conceder o documento a qualquer um "no interesse do País".
Grátis. Ao contrário do passaporte comum, que hoje custa pouco mais de R$ 150, o diplomático é gratuito e garante privilégios ao portador, como sair e entrar sem burocracia em qualquer país com o qual o Brasil mantenha relações diplomáticas. Na maioria dos casos, o visto é dispensado e o portador não precisa se submeter às filas de alfândega.
Têm direito ao passaporte diplomático o presidente da República, o vice e ex-presidentes, além dos chefes do Judiciário e do Legislativo. Igualmente: ministros, governadores, funcionários diplomáticos e congressistas, além de cônjuges, companheiros e dependentes - filhos de até 21 anos, ou até 24 se estudante, ou de qualquer idade, se for inválido. 


Taxa de juros, um novo olhar - Rubens Barbosa




Rubens Barbosa - O Estado de S.Paulo


A combinação de alta da inflação com aumento do déficit público e das transações correntes acendeu a luz amarela - quase vermelha - no âmbito do governo e do setor privado. A reação imediata dos economistas e da mídia especializada ao repique da inflação foi considerar inevitável o aumento da taxa de juros, já a mais alta do mundo em termos reais.
Criou-se no Brasil o dogma de que a inflação pode ser contida com a elevação da taxa de juros, quando, na realidade, em países como o nosso, a relação de causa e efeito não ocorre necessariamente, ou não da mesma forma que nos países desenvolvidos. Há anos, em seguida às reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o setor financeiro respira aliviado e o setor industrial repete as críticas, sem nenhum efeito prático, como ocorreu no último dia 19 de janeiro.
Chegou a hora de enfocar essa questão sob um ângulo novo. Em vez de reclamar do crescente gasto público e da insensibilidade das autoridades no tocante aos efeitos nocivos do aumento da taxa de juros sobre a os investimentos produtivos privados e sobre a dívida pública, que aumenta significativamente a cada movimento para cima dessa taxa, governo e setor privado deveriam começar um debate sobre os critérios empregados pelo Banco Central para defini-la.
O Banco Central tem como uma de suas missões principais a formulação, execução e acompanhamento da política monetária. Adicionalmente, exerce o controle das operações de crédito, formula, executa e acompanha a política cambial e as relações financeiras com o exterior; fiscaliza o Sistema Financeiro Nacional e o ordenamento do mercado financeiro; emite moeda e executa os serviços do meio circulante.
Com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros, foi instituído, em 1996, o Copom, composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central. A sistemática de "metas para a inflação", introduzida em 1999, foi determinada como diretriz de política monetária. Desde então, as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Formalmente, os objetivos do Copom são "implementar a política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o Relatório de Inflação". A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a meta para a taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período, entre reuniões ordinárias do comitê.
O Copom faz uma análise da conjuntura doméstica abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas. Após exame das projeções atualizadas para a inflação, são apresentadas alternativas para a taxa de juros de curto prazo e feitas recomendações acerca da política monetária. Ao final, procede-se à votação das propostas e se define a taxa de juros, sempre que possível, por consenso.
No caso dos EUA, o Federal Reserve Board (Fed) desempenha a função de banco central e tem competência regulatória e de supervisão das instituições financeiras, além de manter a estabilidade do sistema financeiro. Diferentemente do Banco Central do Brasil, o Fed tem a importante atribuição de alcançar objetivos algumas vezes conflitantes, como manter o emprego no nível mais alto possível, a estabilidade de preços, incluindo a prevenção da inflação (ou da deflação), e o nível moderado das taxas de juros a longo prazo. E tem também a competência de gerenciar a oferta de moeda, por meio da política monetária, e de fortalecer a posição dos EUA na economia global.
No Brasil, a análise comparativa das atribuições dos dois bancos centrais mostra uma preocupação estritamente monetária e financeira na discussão da fixação da taxa de juros, enquanto nos EUA há uma preocupação mais ampla, não limitada apenas às tendências da inflação ou deflação, mas igualmente com o nível de emprego e, portanto, com o crescimento da economia.
Trata-se de uma diferença de grande significação política. Nos EUA, o Fed é obrigado a preocupar-se com a situação geral da economia para manter a competitividade do país no contexto internacional. No Brasil, o Banco Central trabalha dentro de sua estrita competência, sem levar em conta esses critérios adicionais, e, na prática, fica refém de considerações às vezes conjunturais ou sazonais, ou sofre influência dos tomadores ou aplicadores, pessoas físicas ou jurídicas.
Depois de mais de 15 anos de bem-sucedida política econômica, que estabilizou a economia e manteve a inflação sob controle, o Brasil está entrando numa nova etapa, voltada para o crescimento, a expansão do mercado interno e a inserção competitiva no mercado externo.
Nesse contexto, impõe-se uma reavaliação de políticas que fizeram todo o sentido na etapa anterior, como, por exemplo, os critérios utilizados para a redução e a manutenção da inflação dentro de padrões mundiais aceitáveis, e a legislação cambial restritiva, adequada para uma situação em que a autoridade monetária teve de se preocupar com o controle cambial.
O Banco Central, assim, para definir a taxa de juros, não deveria continuar a basear sua análise da economia apenas em critérios financeiros. Caberia rever sua competência legal para incluir parâmetros de manutenção do emprego e do crescimento econômico, a exemplo dos bancos centrais dos EUA e da China.
PRESIDENTE DO CONSELHO DE COMÉRCIO EXTERIOR DA FIESP 


Parabéns São Paulo 457 anos



Dilma estuda reajuste para mínimo e correção da tabela de IR



JEFERSON RIBEIRO - REUTERS
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, informou na segunda-feira por meio da assessoria que a presidente Dilma Rousseff acionou o Ministério da Fazenda e pediu simulações para reajuste do salário mínimo e correção da tabela de Imposto de Renda.
Na próxima quarta-feira, Carvalho se reúne com as centrais sindicais para negociar um reajuste para o salário mínimo maior do que o autorizado pela medida provisória editada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 540 reais. Os sindicalistas também querem a correção da tabela de Imposto de Renda pelo INPC de 2010, que fechou em 6,47 por cento.
Segundo Carvalho, a presidente ainda está "formulando uma decisão" e a negociação permanecerá aberta até a reunião com as centrais sindicais.
A presidente pode optar por um ajuste simples na medida provisória editada por Lula, apenas para atualizar o índice defasado.
Quando Lula editou a MP, o INPC ainda não estava fechado e, por isso, o salário mínimo ficou estabelecido em 540 reais. Com o INPC cheio (6,47 por cento), o salário mínimo seria de 543 reais e arredondado para 545 reais.
Contudo, há pressão de parlamentares da base aliada e dos sindicalistas para que esse valor seja maior. Deputados e senadores já apresentaram emendas à MP com valores que variam de 560 reais (emenda do deputado Eduardo Cunha) a até 600 reais (emenda proposta pela oposição).
O pedido de Dilma para a Fazenda também indica que pode haver uma solução casada, envolvendo um reajuste do mínimo acima dos 545 reais, que atende a vontade das centrais, e até uma correção da tabela do Imposto de Renda, como forma de compensar um aumento do mínimo apenas pelo INPC.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse à Reuters que no governo Lula essas simulações já tinham sido feitas, mas foram para a gaveta quando o ex-presidente bateu o martelo nos 540 reais.
"Eu não participei da reunião com a presidente, então não sei o que foi decidido. Mas ela pode querer olhar as simulações antes de decidir", comentou.
Até agora, Dilma não falou sobre o tema e não respondeu às manifestações que os sindicalistas fizeram nas últimas semanas, como o ingresso de ações judiciais para conseguir o reajuste da tabela de Imposto de Renda. 

OPERAÇÃO DALLAS - Servidor do TC envolvido no caso do porto fiscalizava R$ 14,8 bilhões



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Giuliano Gomes / Gazeta do Povo
Giuliano Gomes / Gazeta do Povo / Agileu Bittencourt, chefe da 1ª Inspetoria do TC, era responsável dentro do Tribunal de Contas pela fiscalização do Porto de Paranaguá, alvo da Operação Dallas
Agileu Bittencourt, chefe da 1ª Inspetoria do TC, era responsável dentro do Tribunal de Contas pela fiscalização do Porto de Paranaguá, alvo da Operação Dallas