segunda-feira, 31 de maio de 2010

Comissão libera licença de construção para Angra 3

MÔNICA CIARELLI E WELLINGTON BAHNEMANN Agencia Estado

RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO - A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) emitiu hoje a licença de construção da usina nuclear de Angra 3 (RJ). A decisão foi publicada na edição de hoje no Diário Oficial da União. O presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves, explicará ainda hoje detalhes da licença e suas condicionantes.

Segundo o superintendente de Gerenciamento de Empreendimentos da Eletronuclear, Luiz Manuel Messias, a licença era o documento que faltava para que a estatal iniciasse a concretagem da laje do edifício do reator da usina, marco zero das obras de Angra 3.

Momento mágico

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Netanyahu cancela visita aos EUA após ataque de Israel

AE-AP - Agência Estado

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cancelou uma visita que faria esta semana à Casa Branca, informou hoje seu escritório. O que motivou a decisão foi o ataque de militares israelenses a uma flotilha (agrupamento de navios) que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. O ataque deixou mais de dez mortos, segundo o Exército de Israel. A ação israelense foi condenada por diversos países e ameaça provocar uma crise no Oriente Médio.

Antes do anúncio do primeiro-ministro, autoridades israelenses já haviam dito que Netanyahu deveria voltar antes do previsto de uma visita oficial marcada para Canadá e Estados Unidos esta semana. Ele iria se reunir com o presidente dos EUA, Barack Obama.

Atrito com Chávez é desafio para candidato da Colômbia

AE - Agência Estado

Se o candidato governista Juan Manuel Santos conseguir se confirmar como o preferido do eleitorado na Colômbia no segundo turno das eleições, no dia 20, um de seus maiores e mais complicados desafios será melhorar as relações com os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e o equatoriano, Rafael Correa.

Em 2008, quando era ministro da Defesa do governo Álvaro Uribe, Santos ordenou o ataque ao acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador que quase terminou em uma guerra com Quito e Caracas. Em um debate recente na TV colombiana, o candidato governista se disse "orgulhoso" da ação, o que irritou ainda mais os vizinhos. No ano passado, um juiz equatoriano chegou a emitir uma ordem de captura contra Santos. "Isso é absurdo porque a ordem foi emitida contra um alto funcionário de um Estado por uma ação de Estado", disse Santos.

Durante a campanha, Chávez, qualificou Santos como "um homem de guerra" e o colombiano acusou o líder venezuelano de tentar interferir na votação de seu país. Na última semana, ambos moderaram o discurso. Chávez disse que estaria disposto a telefonar para "qualquer candidato" que vencesse as eleições colombianas e Santos respondeu que, no seu caso, a ligação seria bem-vinda.

"Apesar desses acenos, a desconfiança entre o venezuelano e Santos é grande e retomar relações será um trabalho árduo", disse o cientista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Marfrig usará Uruguai e Argentina para exportar aos EUA

AE Agencia Estado

SÃO PAULO - A Marfrig Alimentos informou hoje que, diante das restrições à exportação de carne brasileira aos Estados Unidos, redirecionará o atendimento para unidades no Uruguai e na Argentina. Em comunicado divulgado hoje, a empresa diz que as unidades uruguaias em Colonia, Fray Bentos e Tacuarembó e as argentinas Martinez e Mirab são "todas aprovadas para exportação" de carne industrializada cozida, enlatada e do tipo "beef jerky".

No primeiro trimestre de 2010, as exportações desses produtos para os EUA representaram 0,7% das receitas de exportação da Marfrig a partir do Brasil, o equivalente a "menos de 0,1% da receita total do grupo", ressaltou o comunicado, totalizando volume de 359 toneladas (média mensal de 120 toneladas).

"Os demais destinos de exportações e pedidos para o mercado doméstico continuarão a ser atendidos normalmente pelas unidades situadas no Brasil", diz a empresa. Em nota, o diretor de Planejamento e de Relações com Investidores da Marfrig explica que "a estratégia de diversificação geográfica e de portfólio de produtos representa vantagem competitiva e proteção adicional para a diluição dos riscos inerentes da indústria de alimentos." Na quinta-feira à noite, o Ministério da Agricultura interrompeu os embarques de carne bovina processada para o mercado americano.

DA EUROPA A GAZA – Assassinato de dez deteriorará ainda mais imagem de Israel por Gustavo Chacra

Israel assassinou dez pessoas de uma frota que levava ajuda humanitária para Gaza. A ação ocorreu quando os militares israelenses tentavam parar os barcos que seguiam para a costa do território palestino. Segundo o governo de Israel, os comandos teriam sido vítimas de linchamento por parte dos membros da denominada “frota da paz” que utilizavam “barras de ferro e facas”, segundo o Haaretz. Neste caso, onde supostamente haveria risco de os soldados morrerem, o Exército autoriza os disparos. De acordo com os primeiros relatos, não houve uso de armas de fogo por parte dos ativistas, aparentemente. Mas não tenho condições de saber quem diz a verdade e se as informações são corretas.

Israel teria condições de usar armas de efeito moral, e não letais. Há como evitar ataques de faca sem matar uma pessoa. Além disso, os israelenses haviam invadido uma embarcação e os tripulantes normalmente tendem a resistir em qualquer lugar do mundo. Porém não estava no barco e não sei como estava o cenário e até que ponto era questão de vida ou morte para os israelenses.

Claramente, episódio não precisava ter chegado ao ponto da confrontação. Conforme afirmou o jornal israelense Haaretz, o Exército de Israel poderia ter chegado a um acordo antes para apenas verificar a carga em alto mar e deixado eles passarem, e não obrigá-los a desembarcar na costa israelense. Seria uma iniciativa pró-paz e, certamente, a frota, que levava um Nobel da Paz, parlamentares europeus e um sobrevivente do Holocausto, não carregava mísseis para o Hamas. Sem falar que não são apenas armamentos que os israelenses banem de Gaza, mas também alguns alimentos banais.

Independentemente do que tenha ocorrido, a imagem de Israel já se deteriorou ainda mais em países da Europa e de todo o mundo, onde o governo israelense aos poucos começa a ser tratado como pária. A alta comissária da União Européia para Assuntos Internacionais pediu o fim imediato do bloqueio a Gaza. Dois integrantes da ONU dizem que a operação israelense foi realizada em águas internacionais – não sei se é verdade. A França e a Alemanha se disseram “chocadas” e os EUA lamentaram as mortes. Outros países convocaram embaixadores israelenses para prestar esclarecimento.

Jornais de São Paulo a Nova York, de Paris a Beirute, dão manchete para “Israel mata ativistas” nas suas edições na internet. É isso que os israelenses querem? A imagem de assassinos?

A frota era uma tática de propaganda de organizações pró-Palestina. Eles pretendiam mostrar ao mundo como funciona o bloqueio israelense. Em vez de lançar foguetes, como o Hamas, optaram por um ato de resistência pacífica – caso realmente não tenham usado armas, mas seria impensável um grupo de civis querer lutar contra os bem treinados soldados israelenses.

Não imaginavam, certamente, que Israel se superaria e mataria dez pessoas. No fim, os israelenses multiplicaram a importância do episódio. Na cabeça de muitos ao redor do mundo, Israel passou a ser “o mau” do conflito com os palestinos. Os ataques de foguetes realizados por organizacões palestinas são ignorados, mesmo porque, na Guerra de Gaza, o Hamas matou menos israelenses – por sua incapacidade, que fique claro – do que Israel ontem no ataque à frota da “paz”.

Segundo reportagem de capa da revista New York Review of Books, uma das mais prestigiadas dos EUA, as ações de Israel (sem incluir a de ontem, claro) estão levando à apatia dos jovens judeus liberais americanos, que não se identificam mais com os israelenses. Pesquisa do Comitê Judaico Americano indica que apenas 16% dos judeus adultos não-ortodoxos dos EUA se sentem “muito próximos” a Israel. O número cresce para 79% entre os ortodoxos. Entre os jovens, diz o texto, a diferença é ainda maior.

“Os governos israelenses vêm e vão, mas a coalizão de Netanyahu é produto de uma tendência de longo prazo na sociedade de Israel – uma população ultra-ortodoxa que cresce dramaticamente, um movimento de colonos crescente e envolvido na burocracia e no Exército de Israel e uma comunidade de imigrantes russa que é anti-árabe”, escreveu o professor Peter Beinart na revista, lida pela elite judaica de Nova York. E os jovens judeus liberais de Nova York não têm nada a ver com o Avgdor Lieberman. Esta figura radical, na chancelaria israelense, não representa a comunidade judaica americana, sempre defensora da democracia e da liberdade e, atualmente, eleitora de Barack Obama.

Uma pena que a Israel idealista, do kibutz, ficou para trás. Hoje a imagem de Israel é dos assentamentos e do Exército. O marco teria sido a Guerra de 1967.

Lembro que Israel retirou seus assentamentos de Gaza, mas mantém o controle aérea e marítimo. Também, com a ajuda do governo de Hosni Mubarack, do Egito, isola Gaza pela via terrestre.

OBS – Hoje as regras serão seguidas com rigor na publicação dos comentários

OBS 2 – Uso o Haaretz como fonte porque considero este o órgão de imprensa mais isento para tratar da questão. Primeiro, porque tem fontes dentro do governo israelense, como no palestino. Em segundo lugar, apesar de ser de Tel Aviv, sempre manteve uma postura crítica em relação ao governo de Israel, tendo uma pluralidade de comentaristas e sem cair no nacionalismo barato. Aliás, sempre admirei a liberdade de imprensa em Israel, apesar da censura para questões de segurança durante guerras.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Ataque a frota rumo a Gaza gera condenação internacional e temor de violência

O ataque israelense à frota de barcos com ativistas que tentavam furar o bloqueio à Faixa de Gaza nesta segunda-feira aumentou as tensões na região e gerou o temor de uma reação violenta por parte dos palestinos.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, descreveu a ação como “um massacre” e declarou três dias de luto na Cisjordânia. Ele pediu ainda ao Conselho de Segurança da ONU e à Liga Árabe a realização de reuniões de emergência para discutir o incidente.

Ismail Haniya, líder do governo liderado pelo Hamas em Gaza, classificou o ataque como “brutal” e pediu à ONU que intervenha.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que os organizadores da frota são os responsáveis pelo resultado da ação, mas disse que o governo israelense assumirá as consequências de suas ações e continuará a proteger sua autonomia.

Um analista do jornal israelense Haaretz diz que a hipótese de que o líder árabe-israelense Raed Salah estaria entre os mortos poderia levar, se confirmada, a uma “terceira intifada (revolta popular palestina)”.

Manifestações

Centenas de pessoas foram às ruas em Nazaré, cidade israelense de maioria árabe, para protestar contra a ação israelense.

Manifestações também aconteceram em outros países. No Líbano, milhares de refugiados palestinos saíram às ruas para protestar. Em Amã, na Jordânia, manifestantes queimaram uma bandeira de Israel pintada com suásticas nazistas.

Na Turquia, dezenas de pessoas se concentraram em frente à casa do embaixador israelense em Ancara. Alguns manifestantes chegaram a tentar invadir o prédio.

Acredita-se que a maioria dos mortos durante a ação israelense era turca.

CliqueLeia mais: Israel ataca frota de ajuda a Gaza e mata ao menos dez

O Ministério das Relações Exteriores de Israel advertiu os cidadãos do país a não viajarem para a Turquia e para os israelenses já no país a evitarem grandes concentrações de pessoas.

O governo turco chamou a ação israelense de “inaceitável” e convocou o embaixador israelense para discutir o incidente.

‘Chocado’

A ação israelense foi condenada por diversos líderes internacionais. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se disse “chocado” com a ação.

“Estou chocado com os relatos de mortos e feridos em barcos carregados de suprimentos para Gaza”, afirmou Ban. “Eu condeno esta violência”, disse.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, convocou uma reunião de emergência da organização nesta terça-feira para discutir a ação israelense.

“O ataque indica que Israel não está pronto para a paz. Israel atacou a frota porque se sente acima da lei”, disse Moussa. “Não há benefícios em lidar com Israel desta maneira”, afirmou.

A ministra das Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, pediu às autoridades israelenses a abertura de um “inquérito pleno” sobre a ação e disse que o bloco reitera seu pedido para que as fronteiras de Gaza sejam abertas à entrada de ajuda humanitária, bens e pessoas.

Muitos dos ativistas a bordo dos barcos eram cidadãos europeus.

CliqueLeia mais: conheça reações internacionais ao ataque à frota


Odebrecht cria joint venture com gigante europeu no campo da Defesa

Trata-se de um acordo de gigantes - a Odebrecht é um dos três maiores grupos empresariais do País e a EADS é a segunda maior corporação do mundo no campo de Defesa

Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo

A organização Odebrecht e o conglomerado europeu EADS DS - Defence & Security, anunciaram esta manhã, em Munique, na Alemanha, a criação de uma joint venture destinada a operar junto às Forças Armadas, organizações governamentais e indústrias nacionais, além de mercado exportador. A nova empresa será instalada em São Paulo.

É um acordo de gigantes - a Odebrecht é um dos três maiores grupos empresariais do País e a EADS é a segunda maior corporação do mundo no campo de Defesa, produtos e serviços militares. De acordo com o superintendente da Odebrecht Industrial, Roberto Simões, "a EADS DS é um parceiro com amplo interesse em transferência de tecnologia avançada".

Simões destacou as capacidades da Odebrecht em projeção geopolítica, marketing internacional e ações comerciais de grande porte."É também uma plataforma de exportações de olho no futuro", disse, lembrando que a EADS pretende ter uma forte atuação - inclusive de produção - fora da Europa até 2020.

O valor do investimento inicial da joint venture será definido até o dia 15 de julho, da mesma forma que a nova marca.

O presidente da EADS DS, Stefan Zoller, disse que o negócio "é a comprovação de nosso compromisso com o Brasil no sentido de criar uma base industrial local por meio de uma cooperação de longo prazo que inclui a transferência de tecnologias".

Os dois parceiros mantém importantes contratos no Brasil no campo da Defesa. A EADS vai fornecer 51 helicópteros pesados para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. Todos serão produzidos na fábrica da Helibrás, em Itajubá (MG). O contrato é da ordem de R$ 1,8 bilhão. A Odebrecht é a parceira dos armadores franceses DCNS no programa Pro Sub, do qual resultarão um estaleiro, uma base naval, quatro submarinos Scorpéne, de propulsão diesel-elétrica e um submarino nuclear - um pacote de cerca de 6,7 bilhões de euros.

Por voto, vale até apoio constrangedor

Dilma já distribuiu afagos a Garotinho e parte do PT protestou; Jefferson, cassado no escândalo do mensalão, declarou estar com Serra



Leandro Colon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A cerca de quatro meses das eleições, os dois principais pré-candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas". São aqueles apoios constrangedores, mas necessários para a caminhada eleitoral.

Dilma já distribuiu afagos ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Parte do PT não gostou e outra respaldou.

Garotinho e sua mulher, a ex-governadora Rosinha Matheus, são investigados por suposto envolvimento em corrupção, como o uso de ONGs para desvio de dinheiro público, entre outras suspeitas. Na quinta-feira, o casal foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio por abuso do poder econômico e uso indevido de meio de comunicação nas eleições de 2008. Se a decisão for confirmada, eles ficarão inelegíveis até 2011. Mesmo assim, Dilma quer os votos de Garotinho, embora caminhe para um apoio oficial à reeleição de Sérgio Cabral (PMDB). Leia Íntegra aqui


Turquia pede reunião da ONU por ataque israelense a comboio

REUTERS

A Turquia disse nesta segunda-feira que pediu uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) após Israel atacar um comboio que levava ajuda à Gaza matando pelo menos 10 ativistas que estavam a bordo, disse um autoridade do Ministério do Exterior da Turquia.

O fim violento para a iniciativa apoiada pela Turquia de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza. com o ataque ao comboio de seis navios que levava 600 pessoas e 10 mil toneladas de suprimentos, gerou condenação no Oriente Médio e fora da região.

A Turquia, país predominantemente muçulmano, é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU.

Ivan Lessa: Triatlo tétrico


Colunista defende que a vida se passa em casa e condena os planos de britânico que quera atravessar a nado o Atlântico.


Definitivamente, não entendo e nunca entenderei o mundo e as pessoas que nele habitam. Uma das coisas que mais me invoca é saber por que é que vão eles, homens e mulheres, indiferentemente, às ruas.

Certo que tenham que ir para o trabalho, fazê-lo o melhor possível, e, depois, encerrado o expediente, voltar para casa. E, pelo resto do tempo, na casa ficar. Principalmente nos fins-de-semana e feriados. Não há nada a se fazer na rua. Xongas! Onde quer que se esteja, só iremos dar de cara com gente que pouco ou nada vale a pena. Nunca encontrei nada de interessante na rua. Xongas! Só besteira. E gente besteando.

Essa é minha posição existencial diante do que se passou e passa por aí. Ficar em casa. Sentado na poltrona, deitadão no sofá, a televisão ligada o tempo todo, o rádio também, disco rodando na vitrola (sim, vitrola), vez por outra fazer uma festa na cabeça da gata.

Sim, claro, vou ocasionalmente até a esquina. Sempre me esquivando, com o maior cuidado, olhando para os lados. O ditador paraguaio estava certo: as esquinas ocultam conspirações. Mas alguém tem que se aventurar e comprar mantimentos, água de coco, comida para a bichana, um jornal ocasional, só para nele confirmar e ver justificados meus temores.

Pedofilia, incesto, assassinatos sequenciais, assaltos, roubalheira, políticos, música popular contemporânea. Está tudo noticiado. Na televisão, ao menos, o controle remoto me dá a sensação de onipotência podendo zapear o mundo, a vida, tudo que ocorre e desocorre.

A vida se passa em casa. No máximo, após os senões obrigatórios que já enumerei, dar uma chegada até a janela e, nos dias em que infelizmente faz sol e não chove a cântaros, observar as idiotices de uma paisagem quase toda cooptada por uma humanidade inepta e destituída de imaginação e bom senso.

Abro um livro. Fernando Pessoa, em geral. Outro chegado a se utilizar da janela como posto de observação de xongas. Não há "pequenas sujas a comerem chocolates" em meu campo de visão. Nem tabacaria, nem seu dono sorrindo. Nem algum conhecido chamado Esteves. A realidade, bom Pessoa, é bem mais dura que vossos mais intrincados versos metafísicos, pouco importam vossos heterónimos (vai sem circunflexo, em subtil homenagem ao "acordo ortográfico" que, louvado seja Nosso Senhor, não pegou nem pegará em terras lusas).

Toda essa manifestação pouco recatada de minhas intimidades interiores veio à tona, neste final do mês de Maria, graças à terrível notícia que vi estampada em meia página de jornal de primeiro time, ilustrada a 4 cores e com retrancas.

Deus há de vos castigar, Dan Martin. Não perdes por esperar. Estás a atentar contra as regras mais comezinhas que orientam, ou deveriam orientar, a vida interior e exterior dos homens. Toda vossa tentativa redundará, espero eu, em fracasso e frustração. Em xongas. Espero e torço.

Dan Martin, um homenzarrão de 28 anos com quase 2 metros de altura, oriundo de Peterborough, aqui na Grã-Bretanha, vai atentar contra Deus, seus semelhantes e os princípios éticos, morais e filosóficos que regem, às escondidas, como fúrias da mitologia grega, nossos destinos. Big Dan Martin já errou antes, e mais, muito mais, pretende errar.

Big Dan, no início do ano corrente fez de bicicleta o percurso entre a Coreia (não ficou claro se a do Norte ou a do Sul) e a Cidade do Cabo, na África do Sul. Para meu sossego e de seus leitores, o jornal em questão, inepto, claro, não forneceu maiores detalhes. Xongas!

Detalhou, isso sim, os planos tétricos de Big Dan. Por ordem, primeiro esse indivíduo pretende atravessar a nado o Oceano Atlântico entre os Estados Unidos e a França. Segundo, montar de novo em sua bicicleta e rodar toda a Europa até o estreito de Bering.

A seguir, em sua agenda diabólica, pegar um trenó e cruzar toda a extensão congelada do tal estreito e, finalizando, como a cereja podre no topo do bolo envenenado, conforme deveria dizer o anexim em inglês, correr - repito: correr - até Nova York.

Há forças ocultas que agem para o bem. A iniciativa diabólica está adiada até segunda ordem devido à falta de patrocinadores. Prova de que ainda há anjos zelando por nós nesse mundo a cada dia mais programado por um infinito número de demônios hediondos.

Vade retro, Dan Martin.

Turquia diz que Israel enfrentará 'consequências' por ataque à frota

Embaixador de Israel foi convocado pelas autoridades turcas para dar explicações e receber o protesto


Efe

ANCARA - O Ministério de Assuntos Exteriores da Turquia reagiu nesta segunda-feira, 31, duramente ao ataque de Israel aos navios turcos da frota internacional com destino a Gaza, que causou pelo menos 10 mortos. O país também pediu uma reunião de urgência na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o caso.

Veja também:
linkIsrael ataca frota humanitária e deixa ao menos 10 mortos
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linkMahmoud Abbas decreta luto de três dias
linkComunidade internacional condena ataque

O Ministério, que acrescenta em comunicado que o governo israelense terá que enfrentar as consequências por seu comportamento, estabeleceu um centro de crise para acompanhar o desenvolvimento dos eventos.

O embaixador israelense em Ancara, Gaby Levy, foi convocado ao citado Ministério para pedir-lhe explicações e receber o protesto turco.

O comunicado diz que o Exército israelense usou a força contra um grupo de ajuda humanitária, que inclui "idosos, mulheres e crianças" que viajam nos navios, o que considerou "inaceitável".

"Tomando como alvo civis inocentes, Israel mostrou mais uma vez que não se preocupa com a vida humana, nem com as iniciativas pacíficas. Condenamos fortemente esta prática desumana de Israel", acrescentou a nota.

"Este incidente, que aconteceu em águas internacionais abusando da lei internacional, terá consequências impossíveis de compensar",avisou o Ministério turco.

"Não importa qual seja a razão, esta ação contra civis que atuam com propósito humanitário é impossível de aceitar. Israel terá que enfrentar as consequências de seu comportamento e da violação das leis internacionais", conclui o comunicado.

A Turquia também pediu uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU após o ataque, disse um autoridade do Ministério do Exterior. A Turquia, país predominantemente muçulmano, é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU.


O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que se encontra no Chile cancelou sua visita à América Latina e anunciou que fará declarações nas próximas horas.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Grécia iniciou um mecanismo de gestão de emergência com um telefone à disposição dos familiares dos gregos que estão na "Frota da Liberdade", pois três dos navios que a compõem procedem deste país.

Yanis Maistros, porta-voz em Atenas da seção grega da iniciativa, declarou nesta segunda-feira que "os cinco navios foram sequestrados"; e que "receberam disparos a partir de lanchas e helicópteros israelenses quando estavam navegando em águas internacionais, próximas ao litoral israelense".

China e Japão ativarão linha de comunicação para evitar tensões marítimas

Autoridades de Defesa dos dois países vão evitar problemas nas áreas em disputa que são ricas em gás natural


Efe

TÓQUIO - O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e seu colega japonês, Yukio Hatoyama, acertaram nesta segunda-feira, 31, ativar uma linha de comunicação direta para evitar atritos nas fronteiras marítimas entre ambos os países.

Segundo informou a agência local Kyodo, os líderes se comprometeram a estabelecer um mecanismo de comunicação direto que envolve as autoridades de Defesa de ambos os países, a fim de evitar problemas em áreas marítimas em disputa.

Em abril, o Ministério de Assuntos Exteriores japonês protestou formalmente perante a China por "voos a muito curta distância" de helicópteros chineses ao redor de um destroier das Forças Marítimas de Autodefesa do Japão em águas do Mar da China Oriental próximas a Okinawa (sul do país).

Nesse mesmo mês, dois submarinos e oito destróieres chineses foram avistados pelas Forças de Autodefesa (Exército japonês) em águas próximas ao arquipélago de Okinawa.

Em reunião realizada esta manhã em Tóquio, Wen e Hatoyama acordaram avançar em suas conversas sobre as disputas territoriais no Mar da China Oriental, entre elas o exploração de jazidas de gás, tema sobre o qual se comprometeram a estabelecer conversas formais.

Japão e China firmaram em junho de 2008 um acordo para a exploração conjunta de ricas jazidas marítimas de gás com o qual puseram fim a quatro anos de disputas, embora persistam suas divergências sobre seus limites territoriais marítimos.

Tóquio acusou Pequim de realizar atividades nessas jazidas de maneira unilateral, enquanto a China convidou as empresas japonesas a participar do exploração de gás respeitando a "soberania chinesa".



Quanto o governo toma do trabalhador - Carlos Alberto Sardenberg

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo

O Brasil é um país ainda relativamente jovem, com uma imensa força de trabalho. Isso é um bônus, uma vantagem, por exemplo, em relação a países que estão envelhecendo e nos quais a população economicamente ativa está diminuindo. Aqui, temos mais gente para produzir as riquezas. Logo, deve ser prioridade do País facilitar a abertura de postos de trabalho.

Certo?

Antes de responder, considere o seguinte cálculo, referente ao contracheque de um trabalhador solteiro, CLT, com carteira assinada, na qual está registrado um salário de R$ 2 mil mensais.

O objetivo é verificar quanto a empresa paga, efetivamente, e quanto o empregado leva para casa, levando-se em consideração apenas dois tipos de impostos: o Imposto de Renda e as contribuições para a seguridade social.

Na vida real, a empresa tem custos mais elevados aqui. Mas consideramos apenas esses dois tipos de impostos para fazer a comparação com outros países, conforme os critérios definidos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Assim, sobre os R$ 2 mil da carteira de trabalho do empregado brasileiro, a empresa recolhe 20% de INSS e mais 7,8%, assim divididos:

2,5% por conta do Sistema S (Senai, Sesc, etc.);

2,5% para o salário-educação;

2% de contribuição para acidentes e doenças do trabalho (RAT);

0,6% para o Sebrae;

e 0,2% para o Incra (sim, é isso mesmo que o senhor e a senhora estão pensando, a folha de salários financia a reforma agrária).

Portanto, a empresa paga R$ 2 mil, mais R$ 440 para o INSS e mais R$ 156 para o Sistema S, no total de R$ 2.596.

Já o trabalhador desconta direto no contracheque mais 11% para o INSS e o Imposto de Renda, conforme a tabela progressiva. No caso, R$ 2 mil menos R$ 21 de Imposto de Renda e R$ 220 de INSS, ficando com R$ 1.759.

Tudo somado e subtraído, no nosso exemplo, o governo leva nada menos que R$ 837 em cima de um salário de R$ 2 mil. Ou quase 33% do total pago pela empresa. Essa é a cunha fiscal no salário, de novo considerando apenas os impostos de renda e para a seguridade social. Fazendo os mesmos cálculos para salários mais altos, até R$ 5 mil, a cunha fiscal restrita chega a absurdos 40%.

É muito ou é pouco?

É preciso comparar. A carga, aqui, é menor do que em países europeus mais desenvolvidos, como Alemanha e França, que chegam a 50% de cunha fiscal. O trabalhador leva para casa metade do que a empresa paga.

Mas os nossos 33% a 40% de carga superam, por exemplo, os valores cobrados em outros países igualmente ricos, como Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Suíça, Japão, Austrália e Coreia do Sul (nesta, os impostos sobre o salário são de apenas 20%).

Há mais. Os serviços prestados pelo setor público em todos esses países são superiores aos brasileiros. Por exemplo, o trabalhador na Alemanha, na França, na Inglaterra ou no Canadá não precisa gastar um tostão com saúde. Já no Brasil, além de pagarem o imposto que financia o Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 35 milhões de trabalhadores ainda pagam planos de saúde, custo em geral também descontado no contracheque. A maior parte desses planos é cofinanciada pelas empresas, de modo que estas também têm esse custo adicional. Comparando: na Inglaterra, apenas 5% dos trabalhadores pagam seguro-saúde privado.

Além disso, o professor Hélio Zylberstajn, que preparou os cálculos, afirma que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve ser incluído nessa cunha fiscal. É verdade que, em algum momento, o trabalhador leva para casa o dinheiro do fundo. Por outro lado, trata-se de um pagamento mensal da empresa e que fica, durante certo tempo, como receita do governo, utilizada de diversas maneiras. Incluindo o FGTS, a cunha fiscal num salário de R$ 2 mil sobe para 35%. Num salário de R$ 4 mil, vai a 39%.

Tem mais. Ao pagar suas contas e fazer suas compras, o trabalhador morre de novo com impostos elevados, como os 35% mais ou menos que estão no telefone ou na luz.

Finalmente, na nossa conta não consideramos outros itens pagos pela empresa, como 13.º salário, férias, abonos e licenças ? dinheiro ou benefícios que acabam indo para o trabalhador, mas que encarecem a folha salarial.

E então? Parece um país que precisa oferecer empregos formais? Dá para entender por que quase metade da mão de obra está na informalidade?

Os impostos e encargos sobre a folha salarial constituem um dos maiores absurdos da economia brasileira. O ministro Guido Mantega, logo que assumiu o Ministério da Fazenda, disse que uma de suas metas era reduzir os encargos sobre a folha. Nada fez. Por que é tão difícil?

Por três motivos principais. Primeiro, porque o governo precisa do dinheiro para gastos sempre em expansão, embora nem sempre eficientes. Segundo, porque a arrecadação é muito simples. A empresa deposita direto na conta da Receita. E, terceiro, porque o dinheiro vai para setores de peso político. Exemplo: federações da indústria e do comércio do País afora que recebem os 2,5% do Sistema S.

É JORNALISTA

E-MAIL: SARDENBERG@CBN.COM.BR / CARLOS.SARDENBERG@TVGLOBO.COM.BR

Uma briga de poucos no mercado das teles

Setor de telecomunicações se consolida, ao mesmo tempo em que volta a Telebrás


Renato Cruz - O Estado de S.Paulo

Na privatização da telefonia, em 1998, o Sistema Telebrás foi dividido em 12 empresas (quatro fixas e oito móveis). Já existiam 10 operadoras móveis privadas, da chamada banda B. No ano seguinte, foram vendidas licenças para criar quatro competidoras das concessionárias fixas, as empresas-espelho.

Doze anos depois, sobraram poucos atores nesse mercado. As concessionárias fixas, que eram quatro, viraram três: Oi, Telefônica e Embratel. As celulares, que eram 18, se transformaram em quatro: Oi (integrada com a fixa), Claro, TIM e Vivo. Além de duas operadoras de atuação regional - Algar Telecom e Sercomtel. Entre as espelhos, só sobrou a GVT, de telefonia fixa, que continuou independente. A empresa foi recentemente adquirida pela Vivendi.

A consolidação fazia parte do modelo desenhado na época da venda da Telebrás. O primeiro presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, costumava dizer, ainda na década passada, que sobrariam quatro grandes grupos, prestando todos os serviços, liderados pelas quatro concessionárias fixas: Oi, Brasil Telecom, Telefônica e Embratel.

Mas nem tudo saiu como o esperado. O governo acabou mudando as restrições de fusão, para permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom, fazendo com que sobrassem três concessionárias. A Telefônica, que tem 50% do controle da Vivo, briga para comprar a outra metade, que pertence à Portugal Telecom (PT).

A TIM acabou comprando a Intelig, uma empresa-espelho, no lugar de se integrar a uma das concessionárias. A Embratel e a operadora celular Claro, apesar de pertencerem ao mesmo dono, ainda não estão integradas. "A concentração é cada vez maior", afirma Luis Minoru Shibata, diretor de Consultoria da PromonLogicalis. "Tenho dúvidas de como os fornecedores vão sobreviver nesse cenário."

Retorno. Mas o que ninguém esperava, há 12 anos, era a volta da Telebrás. A estatal seria extinta, mas acabou se mantendo por ter emprestado funcionários para a Anatel, e por ter um grande passivo judicial. Este mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto reativando a estatal, para que empresa pudesse ser a gestora do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Esse movimento muda o próprio modelo do setor de telecomunicações, criado em 1998, e, segundo as empresas, coloca em risco os investimentos privados. Além da banda larga popular, o decreto definiu que a Telebrás será responsável pela "rede privativa de telecomunicações" do governo, e integrantes do Executivo anunciaram que ela será contratada sem decreto.

Consolidação. A volta da Telebrás acontece ao mesmo tempo em que as empresas preparam mais uma onda de consolidação. A Telefônica tenta comprar a participação da sócia PT na Vivo, maior operadora celular do País.

Uma oferta de 5,7 bilhões de euros feita pelos espanhóis foi rejeitada pelo conselho de administração da PT. Depois disso, o presidente da operadora portuguesa, Zeinal Bava, saiu em roadshow para convencer os investidores estrangeiros que a decisão foi acertada.

Santiago Valbuena, diretor financeiro da Telefônica, também viajou para visitar os acionistas internacionais da PT, para conseguir apoio à sua proposta.

A Telefônica tem 50% da Brasilcel, que controla a Vivo. O restante é da PT. O grupo espanhol quer unir a Vivo com a Telesp, concessionária fixa em São Paulo, que usa o nome Telefônica. Era para o Brasil ser o motor de crescimento da operadora espanhola no mundo, mas os resultados dos últimos trimestres ficaram abaixo da expectativa.

Ainda não foi feito anúncio oficial, mas, segundo fontes de mercado, o bilionário mexicano Carlos Slim planeja unir a Embratel e a Claro, empresas que controla no Brasil. A decisão não foi tomada por causa da Telebrás, mas o grupo mexicano deve ser o mais afetado com a volta da estatal para assumir todos os contratos do governo, sem licitação.

A possibilidade de a Telebrás ficar com os contratos do governo preocupa as empresas privadas. "O privilégio concorrencial, em detrimento a todas as empresas do mercado, é vedado pela Constituição e pela Lei de Defesa da Concorrência", afirma o advogado Pedro Dutra, especialista em Direito Econômico, para quem essa decisão pode afetar os investimentos já feitos e os investimentos futuros das empresas privadas. "O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deveria ser ouvido sobre a licitude disso."

Segundo a consultoria IDC, o governo gastou R$ 1,5 bilhão em comunicação de dados em 2008. "Não sei se o caminho escolhido pelo governo para universalizar a banda larga foi o melhor", disse Mauro Peres, diretor geral da consultoria no Brasil. "Existem outras ferramentas que dariam o mesmo resultado, de maneira mais eficiente. Não é papel do governo ser um player, mas um regulador."

Crise só lá fora? - Amir Khair

Amir Khair - O Estado de S.Paulo

Algumas análises sobre as perspectivas da economia têm passado ao largo das possíveis repercussões da crise europeia sobre o Brasil, considerando reduzido o risco de comprometimento do crescimento econômico.

A preocupação central dessas análises é com o crescimento acelerado da demanda interna, com repercussões para a elevação da inflação. Como remédio, recomendam pé no freio monetário pela elevação da Selic ? posição preferida do Banco Central ? e/ou elevação dos depósitos compulsórios dos bancos ? posição recém-defendida pelo Ministério da Fazenda. Na área fiscal a preferência é pela contenção das despesas ou, caso a arrecadação federal continue forte, a elevação do superávit primário acima de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por essas análises podemos ser levados a crer que temos uma couraça macroeconômica protetora e somos uma ilha de prosperidade dentro de um mundo temeroso por uma nova crise que se vem espalhando rapidamente da Grécia para outros países da União Europeia (UE) e possivelmente de lá para fora da região.

O problema de uma recidiva internacional da crise é que o socorro dos governos ao setor financeiro não poderá se dar como em 2008, dada a elevada liquidez internacional, a forte deterioração das contas fiscais dos países desenvolvidos e pela reação da sociedade em aceitar pagar novamente a conta do sistema financeiro (moral hazard).

O reflexo da crise aparece primeiro no mercado financeiro, que continua nervoso com fortes oscilações, porém com tendência de queda nas bolsas em todos os países, por causa da retirada de aplicações de risco para colocar em títulos considerados mais seguros do Tesouro americano.

Admitindo que não sejamos atingidos pela nova crise, é natural esperar um crescimento maior neste ano em razão da queda ocorrida em 2009, e o tão temido impulso inflacionário parece que vem perdendo fôlego com os últimos dados divulgados. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe recuou, da segunda para a terceira quadrissemana de maio, de 0,46% para 0,35%. Ainda é cedo para avaliar se terá continuidade o bom comportamento da inflação, mas é fato que as causas que a elevaram nos primeiros meses deste ano estão sumindo.

A estagnação dos países desenvolvidos, responsáveis pela maior parte do consumo mundial, está causando uma queda no preço internacional das commodities. Desde fevereiro, o índice CRB (Commodity Research Bureau), que mede o preço médio das commodities, apresenta tendência declinante. Alguns fatores explicam isso: recessão europeia, valorização do dólar perante as demais moedas, ampliação da oferta para um mercado mais retraído e maior concorrência entre os países fornecedores. Isso traz reflexos na redução da inflação externa e, segundo algumas análises, até riscos de deflação.

Entre agosto de 2008 (início da repercussão da crise) até março último, os preços dos produtos importados pelo País caíram 16,6% e está havendo uma recuperação mais acentuada da produção interna para atender à demanda. De fato, nesse período, em volume, a produção industrial para consumo cresceu 5,2% e para bens de capital, 5,4%.

Apesar dos elogios que o País teve com as medidas para enfrentar a crise, o ritmo de crescimento econômico que vinha na média anual de 2004 a 2008 em 4,8% sofreu uma queda de 0,2% em 2009, ou seja, a crise derrubou cinco pontos porcentuais do PIB. É por essa razão que, se não ocorrer repercussões da crise europeia sobre o Brasil, não é de estranhar que o crescimento neste ano se eleve para 7% a 8%, por causa da baixa base de comparação que foi 2009.

Caso a crise europeia se agrave, provavelmente nosso crescimento econômico sofrerá. Pela via comercial, teremos uma queda nas exportações para a União Europeia, que nesse primeiro quadrimestre representou 22,2% de nossas exportações, pouco abaixo do mesmo período de 2009 (23,1%). Nosso saldo comercial com a UE já caiu 53% nesse período: de US$ 1.595 milhões para US$ 744 milhões. A agudização da crise, com a redução do consumo nos países da região, e a desvalorização cambial do euro em face do real poderão reduzir ainda mais nossas exportações e inverter o saldo que ainda nos é favorável na balança comercial.

Ainda pela via das contas externas, deverão sair do País mais lucros e dividendos das filiais brasileiras para socorrer suas matrizes europeias, e os investimentos diretos do exterior sofrem forte redução. Caso se propaguem problemas bancários da região para fora, assistiremos a novas restrições no mercado de crédito brasileiro.

Embora mais preparados do que em 2008 para enfrentar nova crise, os riscos de contágio não podem ser desprezados, para não passarmos mais um ano patinando no desenvolvimento do País. Por cautela, talvez seja melhor, desde já, reforçar políticas de estímulo ao desenvolvimento mais do que temer o crescimento econômico, que é a base sólida para a continuidade da ascensão do consumo, da produção, dos investimentos, dos lucros das empresas (geradores da poupança), da solidez das contas públicas e da geração de empregos. É bom ficar mais de olho na crise.

É MESTRE EM FINANÇAS PÚBLICAS PELA FGV E CONSULTOR