Os integrantes da CPI da Corrupção da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) decidiram na tarde desta segunda-feira (15) ir até a direção geral da Polícia Federal para acertar o depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa. O requerimento, aprovado em janeiro, deve ser apresentado novamente à instituição na próxima quarta-feira (17), às 10h. O encontro, porém, não foi agendado ainda com o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa.
Ao apresentar seu plano de trabalho para os próximos três meses para a CPI, o relator Paulo Tadeu (PT) expôs o acordo celebrado durante reunião de aproximadamente uma hora no cafezinho do plenário da Câmara. Inicialmente, os distritais da base que apoiava o governador preso José Roberto Arruda (sem partido) defendiam que Durval, autor das denúncias que resultaram na Operação Caixa de Pandora, fosse ouvido somente no fim do processo. Porém, acabou vencendo a tese de que ele deve comparecer à comissão no início, antes dos outros depoentes.
"A CPI tem prerrogativa de convocá-lo. Seria um prejuízo muito grande se a CPI não ouvisse Durval agora", afirmou o relator. Caso a reunião com a Polícia Federal seja confirmada para quarta-feira, os distritais vão expor ao diretor-geral que o requerimento já foi aprovado e agora a CPI tem condições de ouvi-lo. O depoimento dele estava previsto para 26 de janeiro. Porém, o próprio ex-secretário enviou uma carta à comissão pedindo o adiamento da oitiva. Na época, ele justificou que não teve tempo de estudar o inquérito 650DF, que deu origem à Operação Caixa de Pandora.
A posição da presidente da CPI, Eliana Pedrosa (DEM), acabou vencida. Para ela, o melhor caminho era deixar a oitiva de Durval para o fim das investigações. "Ele está com o benefício da delação premiada. Então, à princípio, não deve fazer novas revelações à CPI", disse a deputada do DEM. Agora, porém, para ela, ouvir o ex-secretário de Relações Institucionais é uma boa maneira de "confirmar algumas informações". "O principal é a harmonia da CPI. Precisamos flexibilizar as posições para garantir o andamento dos trabalhos", completou.
Em setembro do ano passado, Durval Barbosa prestou depoimento a dois promotores do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF (MPDF). Como o caso atingia o governador, o teor das reveleções, junto com gravações de áudio e vídeos feitas por ele mesmo, foram enviadas ao Ministério Público Federal (MPF), que deu continuidade às investigações junto com a PF. Em troca das denúncias, Durval recebeu o benefício da delação premiada no processo, já que atuava como um dos operadores do mensalão do Arruda, esquema de propina envolvendo membros do Executivo e do Legislativo local.
Além disso, o ex-secretário teve sua entrada no programa de proteção à testemunha do governo federal. Hoje, ele vive em local conhecido somente por membros do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, responsável pela sua proteção. Por isso, os deputados precisam negociar com a PF uma data para o depoimento. Da oportunidade passada, a oitiva do ex-secretário seria aberta, com credenciamento à servidores e jornalistas controlado pela PF.
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