segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A nova fase na crise

Uma nova onda de más notícias passou com força pelos mercados financeiros nos últimos dias, derrubando as cotações nas bolsas e provocando mais uma corrida aos ativos considerados mais seguros ? com destaque, como sempre, para os papéis do Tesouro americano. Como sempre, também, a insegurança internacional afetou os mercados de países como o Brasil e a sua classificação de risco, embora os grandes focos de perigo estejam nas economias desenvolvidas. A crise iniciada em 2007, com o estouro da bolha imobiliária americana, continua alimentada pelos problemas do mundo rico.

O alarme, desta vez, soou nas contas públicas de países da União Europeia com enormes déficits fiscais e dívidas preocupantes. O primeiro grande susto foi ocasionado pela péssima situação do orçamento grego. Logo depois ganharam destaque as más notícias de Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.

Os problemas desses países não são meramente nacionais. Todos pertencem à zona do euro, nenhum de seus governos pode recorrer a uma desvalorização e todos têm de se ajustar de novo, em algum prazo, às condições prescritas para os 16 membros da união monetária.

Mas o desajuste fiscal não ocorre só nesse grupo de países. Outros países da União Europeia também estão com as contas públicas em mau estado, porque todos, ou quase todos, aplicaram montanhas de dinheiro nas ações de combate à recessão e na ajuda a bancos e a indústrias em dificuldades.

A situação de Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal é especialmente complicada porque todos esses países têm déficits fiscais astronômicos, entre 9,3% e 12,7% do PIB. O governo grego terá de produzir um aperto econômico extremamente severo para reconduzir suas contas ao padrão da zona do euro, com limite de 3% do PIB. Mas a dívida pública subiu muito em todos os países da União Europeia. Em três deles ? Grécia, Itália e Bélgica ? a dívida bruta do Tesouro supera 100% do PIB. Em Portugal, Irlanda e França, está acima de 80%. Na Alemanha e na Áustria, pouco abaixo desse nível.

No caso de Portugal, a situação pode ficar mais complicada, porque o Parlamento aprovou na sexta-feira uma lei de financiamento regional com previsão de recursos maiores para a Ilha da Madeira e os Açores. Leia na ÍNTEGRA no estadão.com.br

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